Don't measure others by your own standard, Augusto
No coração do Corinthians, uma disputa entre o presidente Augusto Melo e o ex-diretor financeiro Rozallah Santoro revela algo mais profundo do que uma briga institucional: é o eterno conflito entre o poder formal e o conhecimento interno, entre quem assina os contratos e quem administra as consequências. A saída do jogador Matias Rojas, que custou ao clube cerca de oito milhões de dólares, tornou-se o espelho no qual dois homens se acusam mutuamente de falha — e a Comissão de Ética agora carrega o peso de julgar não apenas uma expulsão, mas uma versão da verdade.
- Uma cláusula contratual negligenciada transformou um atraso de pagamento de R$1,7 milhão em um rombo estimado de R$40 milhões para o Corinthians.
- Melo e Santoro divergem sobre um fato elementar: havia ou não dinheiro em caixa em fevereiro de 2024 — e essa divergência carrega o peso de toda a responsabilidade pelo desastre.
- Santoro contra-ataca com força, lembrando que o próprio Melo enfrenta indiciamento criminal, teve suas contas rejeitadas e arrastou o clube para investigações policiais.
- A Comissão de Ética do clube está agora no centro do conflito, chamada a decidir sobre a expulsão de Santoro enquanto a disputa narrativa entre os dois lados continua aberta.
- O que está em jogo não é apenas a membresia de um ex-diretor, mas a credibilidade da gestão atual e a definição pública de quem falhou com o Corinthians.
Augusto Melo, presidente do Corinthians, formalizou um pedido à Comissão de Ética do clube para expulsar Rozallah Santoro, ex-diretor financeiro, do quadro associativo. O motivo declarado é o não pagamento de um acordo de R$1,7 milhão ao jogador argentino Matias Rojas — uma omissão que, segundo o presidente, custou ao clube cerca de oito milhões de dólares.
O ponto central da disputa é factual, mas carregado de consequências: havia dinheiro disponível em fevereiro de 2024 ou não? Melo afirma que mais de R$3 milhões estavam em conta naquele momento, tornando o pagamento perfeitamente viável. Santoro sustenta o contrário — que o caixa estava vazio — e vai além: aponta que o próprio contrato assinado por Melo continha uma cláusula que permitia a Rojas rescindir unilateralmente o vínculo caso os pagamentos atrasassem. Quando o pagamento não veio, o jogador acionou a cláusula e saiu sem custo algum. A armadilha, na visão de Santoro, estava embutida no acordo desde o início.
Santoro não ficou na defensiva. Em resposta ao pedido de expulsão, chamou Melo de mentiroso e enumerou os próprios problemas do presidente: um indiciamento criminal em curso, contas rejeitadas pelos órgãos fiscalizadores do clube e o envolvimento do Corinthians em investigações policiais. 'Não meça os outros pelo seu próprio padrão', disse Santoro diretamente a Melo.
O que resta desse embate é a imagem de um clube dividido internamente, com dois protagonistas disputando não apenas a narrativa, mas a própria definição de responsabilidade. Melo tem o poder formal da presidência; Santoro tem o conhecimento detalhado das entranhas financeiras do clube — e a disposição de torná-lo público. A Comissão de Ética decidirá sobre a expulsão, mas a pergunta mais difícil — quem falhou, e em que medida — permanece sem resposta definitiva.
Augusto Melo, the president of Corinthians, has formally requested that the club's Ethics Commission expel Rozallah Santoro, the former financial director, from its membership rolls. The demand centers on an unpaid settlement worth R$1.7 million that was supposed to go to Argentine player Matias Rojas.
The dispute hinges on a single question of fact: whether the money was actually there. In mid-February 2024, when the payment came due, Santoro said the club's coffers were empty. Melo countered that more than R$3 million sat in the account at that very moment, and the obligation could have been met without difficulty. The disagreement matters because what happened next cost Corinthians dearly. When the payment didn't arrive, Rojas invoked a clause in his contract and walked away from the club without penalty. That departure, Melo's office calculated, resulted in damages of approximately eight million dollars—roughly forty million reais.
The contract itself, Santoro now argues, was the real problem. Melo had signed Rojas to terms that contained what Santoro describes as a deeply unfavorable provision: if Corinthians fell behind on payments, the player could leave for nothing. It was, in Santoro's view, a trap built into the agreement from the start. When the cash crunch came—whether real or imagined—the trap sprang shut.
Santoro did not remain silent. In a response to the expulsion request, he turned the accusation back on Melo with considerable force. He called the president a liar and reminded him of his own troubles: Melo had been indicted in a criminal investigation, his financial reports had been rejected by the club's oversight bodies, and he had dragged Corinthians into police investigations. "Don't measure others by your own standard," Santoro said, speaking directly to Melo. The implication was clear—if anyone's judgment and stewardship deserved scrutiny, it was the man making the accusation, not the one defending himself.
What emerges from this exchange is a club in the grip of internal conflict, with two senior figures locked in a dispute over money, contracts, and blame. Melo holds the formal power as president. Santoro holds something else: a detailed knowledge of how the club's finances actually worked, and a willingness to say so in public. The Ethics Commission will now have to decide whether Santoro's membership should end, but the real question underneath—who failed, and how badly—remains contested. The eight-million-dollar loss to the club sits at the center of it all, a concrete reminder that these arguments are not merely about pride or procedure.
Notable Quotes
Augusto Melo, for a change, is lying. You are the president who was indicted. You are the president whose accounts were rejected. You are the one who dragged Corinthians to the police pages.— Rozallah Santoro, ex-financial director
The Hearth Conversation Another angle on the story
Why would a president go after a former director this way? What does he gain?
Control of the narrative. If Santoro stays in the club as a member, he has standing to speak, to vote, to challenge. Expulsion silences him. And it shifts blame away from whoever made the bad contract in the first place.
But Santoro has a point about the contract terms, doesn't he? The clause that let Rojas leave for free?
Absolutely. That's the thing—both men are probably right about different parts of the problem. Melo signed a contract with a poison pill in it. Santoro couldn't or wouldn't pay when it came due. The player left. Everyone lost.
So this is really about who takes the fall for an eight-million-dollar mistake.
Exactly. And Santoro's counterattack—bringing up Melo's own legal problems—suggests he's not going quietly. He's saying: before you expel me, look at yourself.
What happens if the Ethics Commission sides with Melo?
Santoro loses his membership and his voice inside the club. But the damage to Melo's credibility might already be done. You can't expel someone without their accusations getting heard first.