Herói do empate de Cabo Verde pediu dispensa da seleção em 2024

Nem sempre estão bem dentro e fora de campo, mas o futebol nos ajuda mais
Varela reflete sobre como o futebol o ajuda a lidar com as pressões da vida profissional e pessoal.

Nascido em Almada mas filho de Cabo Verde por escolha e herança, Hélio Varela marcou o gol que mantém viva a estreia histórica dos Tubarões Azuis na Copa do Mundo 2026. O empate por 2 a 2 contra o Uruguai não é apenas um resultado — é o reflexo de uma geração de jogadores que navega entre identidades, fronteiras e lealdades no futebol contemporâneo. O que poderia ter sido uma história de abandono tornou-se uma de redenção, provando que os caminhos mais tortuosos às vezes levam aos momentos mais luminosos.

  • Cabo Verde, em sua primeira Copa do Mundo, arranca um empate dramático contra o Uruguai e permanece vivo na disputa pela segunda fase.
  • Hélio Varela, o mesmo jogador que gerou polêmica ao pedir dispensa da seleção em 2024, foi o autor do gol que salvou o resultado.
  • A decisão de Varela de ficar no Portimonense em vez de disputar a Copa das Nações Africanas provocou acusações públicas e uma crise de confiança com a federação cabo-verdiana.
  • Apenas três meses depois, ele retornou à convocação, tornou-se peça central do técnico Bubista e ajudou a classificar Cabo Verde para o Mundial.
  • Com o gol contra o Uruguai, Varela transforma sua trajetória de críticas e dúvidas no símbolo maior de um país que sonha em fazer história.

Hélio Varela tem 24 anos, nasceu em Almada e poderia ter defendido Portugal. Escolheu Cabo Verde — país de seus pais — e no domingo passado converteu o segundo gol do empate por 2 a 2 contra o Uruguai no Grupo H da Copa do Mundo 2026, mantendo os Tubarões Azuis com chances reais de avançar à segunda fase em sua estreia histórica no torneio.

O caminho até aquele gol, porém, passou por uma crise. Em 2024, com 21 anos, Varela pediu dispensa para não disputar a Copa das Nações Africanas, preferindo permanecer no Portimonense. A decisão gerou críticas intensas. O presidente da Federação de Cabo Verde acusou o clube português de ter pressionado o jovem. Varela admitiu entender as críticas, mas ressalvou que nem tudo o que circulou na imprensa correspondia à realidade.

A ausência durou apenas três meses. Ele retornou na convocação seguinte e se tornou uma das peças centrais do técnico Bubista na campanha que levou Cabo Verde ao Mundial. Sua carreira também evoluiu: do Portimonense foi para o Gent, na Bélgica, e hoje atua pelo Maccabi Tel Aviv, em Israel.

Em entrevista recente, Varela descreveu-se como alguém que tenta levar a vida com leveza, reconhecendo que o futebol é exigente mas também um privilégio. Agora, com um gol histórico nas costas, o jogador que um dia foi criticado por se ausentar tornou-se o símbolo de um país inteiro a sonhar grande.

Hélio Varela nasceu em Almada, Portugal, mas aos 24 anos marcou o gol que mantém Cabo Verde vivo na Copa do Mundo 2026. No domingo passado, contra o Uruguai, ele converteu o segundo gol do empate por 2 a 2 no Grupo H — um resultado que deixa a seleção cabo-verdiana com chances reais de avançar à segunda fase em sua primeira participação no torneio.

A escolha de Varela por Cabo Verde, país de seus pais, poderia ter sido diferente. Ele tinha o caminho aberto para defender Portugal, sua nação de nascimento. Mas desde criança, segundo ele próprio, carregava a convicção de que seu destino era jogar pela seleção cabo-verdiana. Três anos após sua estreia pelos Tubarões Azuis, aquele objetivo se materializou no gramado.

Mas o caminho não foi linear. Em 2024, quando tinha 21 anos, Varela pediu dispensa da seleção para não participar da Copa das Nações Africanas. Preferiu continuar jogando pelo Portimonense, seu clube português à época. A decisão gerou críticas públicas intensas. Mário Semedo, presidente da Federação de Cabo Verde, acusou a diretoria e o técnico do Portimonense de terem pressionado o jovem atacante para que ficasse. Varela, por sua vez, reconheceu a dificuldade da escolha e admitiu que entendia por que havia sido criticado. "Se tivesse visto de fora também teria entendido da mesma maneira", disse ele depois, ressalvando que nem tudo o que circulou na imprensa era verdadeiro.

A ausência durou apenas três meses. Na convocação seguinte, Varela aceitou retornar e começou a disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo. Tornou-se uma das peças centrais do técnico Pedro Brito, conhecido como Bubista, na campanha que levou Cabo Verde ao torneio. Sua volta marcou também uma mudança em sua carreira: depois de se destacar pelo Portimonense, ele passou pelo Gent, da Bélgica, e agora atua pelo Maccabi Tel Aviv, de Israel.

Em entrevista ao site Flashscore, Varela falou sobre sua relação com o futebol e a vida. Descreveu-se como uma pessoa alegre no dia a dia, alguém que tenta levar as coisas da melhor maneira possível. Reconheceu que nem sempre as coisas correm bem dentro e fora de campo, mas destacou que o futebol oferece mais do que as pessoas imaginam. "Não é uma profissão fácil, mas tem coisas muito boas, e é um privilégio entrar em campo", disse.

Agora, com o gol marcado contra o Uruguai, Varela virou o herói de um momento histórico para Cabo Verde. A seleção, que nunca havia participado de uma Copa do Mundo antes, está a uma vitória ou a resultados favoráveis de distância de fazer história. E foi justamente o jogador que um dia pediu dispensa, que enfrentou críticas e dúvidas, quem colocou a equipe em posição de sonhar grande.

Quem me conhece sabe da minha paixão por Cabo Verde. Apesar de não ter nascido lá, desde pequeno sempre coloquei na minha cabeça que o meu objetivo era jogar na seleção de Cabo Verde
— Hélio Varela, ao Flashscore
Se tivesse visto de fora também teria entendido da mesma maneira
— Hélio Varela, sobre as críticas à sua dispensa em 2024
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um jogador nascido em Portugal escolheria representar Cabo Verde, sabendo que Portugal é uma potência futebolística?

Model

Porque às vezes a identidade não é apenas onde você nasce. Varela cresceu ouvindo histórias de Cabo Verde pelos seus pais. Aquilo virou parte dele antes mesmo de entender futebol.

Inventor

A dispensa em 2024 parece contraditória com essa paixão que ele diz ter. Como ele explica isso?

Model

Ele não explica bem, e acho que ele sabe disso. Disse que foi uma decisão difícil, que avisou com antecedência, que nem tudo que saiu na imprensa era verdade. Mas a verdade é que ele escolheu seu clube português no momento em que Cabo Verde precisava dele.

Inventor

O presidente da federação acusou o Portimonense de pressão. Você acredita nisso?

Model

É plausível. Um jogador de 21 anos em um clube europeu recebe pressão constante. Mas Varela também poderia ter dito não. Ele escolheu ficar. Depois se arrependeu, ou percebeu que havia cometido um erro.

Inventor

E agora, com o gol contra o Uruguai, tudo fica resolvido?

Model

Não. Resolvido é uma palavra grande demais. O gol apaga a memória da dispensa para muita gente, mas não apaga para ele. Ele sabe o que fez, o que deixou de fazer. Mas também sabe que está ajudando Cabo Verde a fazer história.

Inventor

Qual é o verdadeiro dilema aqui?

Model

É o dilema de todo jogador com herança múltipla: a lealdade é com a nação onde você nasceu, com a nação de seus pais, ou com o lugar que o faz ganhar dinheiro? Varela escolheu seus pais. Mas em 2024, por um momento, escolheu o dinheiro.

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