É a primeira vez que ele está aqui na catedral. Foram as próprias pessoas que pediram
Na Cidade do México, onde o sagrado e o popular sempre encontraram formas de coexistir, uma imagem do Menino Jesus vestida com a camisa da seleção nacional ocupa pela primeira vez um lugar de destaque na Catedral Metropolitana. O que nasceu como um ritual discreto em uma paróquia de bairro há 55 anos — proibido este ano pelo novo pároco — foi acolhido pela principal catedral do país, atraindo milhares de torcedores em busca de um milagre para a Copa do Mundo de 2026. O episódio revela como a fé popular encontra sempre novos altares, e como o futebol, no México e além, continua sendo uma das linguagens mais universais da esperança humana.
- Uma tradição de 55 anos foi abruptamente proibida pelo novo pároco da igreja onde nasceu, gerando indignação e o temor supersticioso de que a ruptura trouxesse má sorte à seleção.
- A repercussão foi tão intensa que a Catedral Metropolitana — o coração religioso do país — abriu suas portas para a imagem pela primeira vez em sua história.
- Torcedores de Argentina, Colômbia, Espanha e outras nações passaram a visitar o espaço para fazer seus próprios pedidos de vitória, transformando a catedral em um improvável santuário futebolístico internacional.
- A iniciativa divide opiniões: enquanto multidões se ajoelham diante da figura, alguns católicos expressam desconforto com a mistura entre o sagrado e o esportivo.
- A imagem permanecerá exposta até o fim do torneio, com ou sem o México na disputa, como testemunho silencioso da fé popular que não depende de resultados para persistir.
Na Catedral Metropolitana da Cidade do México, uma imagem do Menino Jesus veste a camisa verde e branca da seleção nacional. Milhares de torcedores passam por ali todos os dias, ajoelham-se e fazem um pedido simples: que o México conquiste a Copa do Mundo de 2026. É uma tradição com mais de meio século, mas que nunca havia ocupado um espaço tão central na vida religiosa do país.
A prática nasceu em 1970, quando o México sediou o Mundial pela primeira vez. Desde então, fiéis vestem imagens do Menino Jesus conforme suas necessidades — trajes de peregrino, uniformes de médico. A versão futebolística surgiu na igreja San Miguel Arcángel, uma paróquia popular da capital, onde funcionou discretamente por décadas. Este ano, porém, o novo pároco proibiu o costume, considerando-o desrespeitoso. A decisão provocou indignação — e até o temor de que a ruptura trouxesse má sorte à seleção.
A repercussão foi suficiente para que a Catedral Metropolitana abrisse suas portas à imagem pela primeira vez. O cônego Manuel Corral explicou à Reuters que foram os próprios fiéis quem pediram. A figura permanecerá exposta até o encerramento do torneio, sempre vestindo um dos uniformes oficiais da seleção.
O que era uma tradição local tornou-se um fenômeno que ultrapassa fronteiras. Torcedores de Argentina, Colômbia e Espanha visitam a catedral para fazer seus próprios pedidos. Colombianos rezavam ali no dia anterior à partida de sua seleção contra o Uzbequistão. Nem todos, porém, aprovam: o torcedor Eleazar Martínez disse sentir estranheza como católico ao ver o Menino Jesus vestido dessa forma. A imagem seguirá ali de qualquer maneira — um testemunho de como a fé popular reimagina o sagrado em torno daquilo que mais importa.
Na Catedral Metropolitana da Cidade do México, uma imagem do Menino Jesus veste a camisa verde e branca da seleção nacional. Milhares de torcedores passam por ali todos os dias, ajoelham-se diante da figura, e fazem um pedido simples: que o México conquiste a Copa do Mundo de 2026. É uma tradição que começou há mais de meio século, mas nunca havia ocupado um espaço tão central na vida religiosa do país.
A prática nasceu em 1970, o ano em que o México sediou o Mundial pela primeira vez. Desde então, fiéis vestem imagens do Menino Jesus com diferentes roupas conforme suas necessidades — trajes de peregrino para proteger viajantes, uniformes de médico para pedidos de cura. A versão futebolística surgiu há 55 anos na igreja San Miguel Arcángel, uma paróquia em um bairro popular da capital. Durante décadas, funcionou ali discretamente, um ritual que os torcedores mexicanos praticavam sem grande alarde.
Este ano, porém, tudo mudou. O novo pároco da San Miguel Arcángel decidiu proibir a prática, considerando-a desrespeitosa. A decisão provocou indignação entre os fiéis. Alguns torcedores ficaram genuinamente preocupados, temendo que a ruptura com a tradição pudesse trazer má sorte à seleção. A repercussão foi suficiente para que a Catedral Metropolitana — a principal do país — abrisse suas portas para a imagem. Pela primeira vez em sua história, o Menino Jesus do futebol ocuparia um lugar de destaque no coração religioso da nação.
O cônego Manuel Corral explicou à agência Reuters que a decisão partiu dos próprios fiéis. "É a primeira vez que ele está aqui na catedral. Foram as próprias pessoas que pediram", disse. A imagem permanecerá exposta em diferentes espaços da catedral até o encerramento do torneio, vestindo sempre um dos uniformes oficiais da seleção mexicana. Na terça-feira anterior à partida contra a Coreia do Sul, o Menino Jesus usava a camisa branca e shorts verdes que o México utilizaria em Guadalajara.
O que começou como uma tradição local transformou-se em um fenômeno que transcende as fronteiras mexicanas. Torcedores de Argentina, Colômbia, Espanha e de outras seleções visitam a catedral para tirar fotos e fazer seus próprios pedidos de vitória. Corral relatou que colombianos estavam rezando ali pedindo sucesso para sua seleção, inclusive no dia anterior à partida entre Colômbia e Uzbequistão. A catedral tornou-se um espaço ecumênico de esperança futebolística.
Nem todos, porém, veem a iniciativa com bons olhos. Eleazar Martínez, torcedor mexicano que visitou a catedral pouco antes do meio-dia, expressou desconforto. "Como católico, é muito estranho ver o Menino Jesus vestido dessa forma. Não concordo muito com isso", afirmou. Sua objeção reflete uma tensão que persiste entre a devoção popular e uma compreensão mais tradicional do sagrado.
A imagem seguirá ali, porém, independentemente de quantas pessoas concordem ou discordem, e independentemente de como o México se saia no torneio. Ela é um testemunho de como uma comunidade reimagina suas práticas religiosas em torno daquilo que mais importa — neste caso, o futebol e a esperança de um milagre.
Citas Notables
Como católico, é muito estranho ver o Menino Jesus vestido dessa forma. Não concordo muito com isso— Eleazar Martínez, torcedor mexicano
Hoje, por exemplo, recebemos colombianos rezando e pedindo a vitória da seleção deles— Cônego Manuel Corral
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que uma catedral tão importante cedeu espaço para isso agora, depois de 55 anos?
Porque o pároco da igreja original proibiu a prática. A Catedral Metropolitana respondeu ao que as pessoas pediam — não foi uma decisão de cima para baixo, foi uma resposta a uma demanda real.
Mas isso não é estranho? Vestir uma imagem religiosa com uniforme de futebol?
Estranho para alguns, sim. Mas no México, vestir o Menino Jesus com diferentes roupas é uma prática antiga. Médico, peregrino, agora jogador. É uma forma de pedir proteção para aquilo que importa.
E torcedores de outros países também vão lá rezar?
Sim. Colombianos, argentinos, espanhóis. A catedral virou um espaço onde qualquer torcedor pode fazer seu pedido. É um lugar neutro, sagrado, onde a esperança é universal.
Qual é o risco disso tudo?
Que se o México não ganhar, as pessoas culpem a proibição do pároco, ou vejam a mudança para a catedral como um sinal negativo. A superstição é tão poderosa quanto a fé.
E se ganharem?
Então a imagem vira lenda. E a tradição que começou em uma paróquia pequena se torna parte da história do país.