Consumo segue como pilar, agora apoiado por melhora tangível nas condições de emprego
No primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira revelou uma resiliência discreta: famílias consumiram mais, empresas investiram com mais convicção, e o mercado de trabalho aquecido sustentou esse movimento — tudo isso a despeito de juros que, em outras circunstâncias, teriam resfriado o ímpeto. O IBGE, ao divulgar os dados do PIB, ofereceu não apenas números, mas um retrato de uma sociedade que encontra caminhos de avanço mesmo quando as condições financeiras impõem resistência.
- O consumo das famílias cresceu 1% no trimestre e 2,6% no ano, surpreendendo positivamente em um ambiente de crédito caro e juros elevados.
- Os investimentos produtivos avançaram 9,1% em relação ao mesmo período de 2024, sinalizando que empresas estão apostando na expansão de capacidade.
- Construção civil, plataformas de petróleo e desenvolvimento de softwares lideraram o crescimento dos investimentos, revelando uma diversificação setorial relevante.
- O emprego formal em alta e uma safra recorde de grãos na agropecuária funcionam como alicerces que sustentam tanto a renda quanto a produção.
- O desafio que se desenha é manter esse ritmo nos próximos trimestres, quando a persistência dos juros altos pode pressionar o crédito e desacelerar o consumo.
Na última sexta-feira, o IBGE divulgou os dados do PIB do primeiro trimestre de 2025, e o retrato que emergiu foi o de uma economia em movimento moderado, mas consistente. O consumo das famílias — que representa cerca de 60% do PIB pela ótica da demanda — cresceu 1% frente ao trimestre anterior e 2,6% em relação ao mesmo período de 2024. O instituto atribuiu esse desempenho ao aumento da massa salarial real e à maior oferta de crédito, avanços que se impuseram mesmo diante de taxas de juros ainda elevadas.
Os investimentos produtivos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, apresentaram números ainda mais expressivos: alta de 3,1% na comparação trimestral e de 9,1% na anual. Construção civil, importação de equipamentos — com destaque para plataformas de petróleo —, produção nacional de bens de capital e desenvolvimento de softwares foram os principais vetores desse crescimento, indicando que diferentes setores da economia estão dispostos a expandir capacidade.
Por trás dos números, duas forças se destacam como sustentação do crescimento: o mercado de trabalho aquecido, com avanço do emprego formal e consequente melhora de renda, e a recuperação da agropecuária, que caminha para uma safra recorde de grãos. Juntos, esses movimentos alimentaram tanto o consumo quanto os investimentos em trajetória ascendente.
O quadro que se consolida é o de uma economia que encontrou fôlego no início de 2025 sem depender de uma aceleração artificial. O que virá a seguir dependerá de como emprego, crédito, produção agrícola e disposição de investir conseguirão se sustentar — ou se intensificar — nos trimestres que se aproximam.
Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou os números do Produto Interno Bruto do primeiro trimestre de 2025, e a história que emergiu dos dados foi a de uma economia que segue em movimento, ainda que com ritmo moderado. O consumo das famílias brasileiras cresceu 1% em relação aos três meses anteriores — um avanço menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior, mas ainda assim uma melhora frente ao desempenho do último trimestre de 2024.
Quando se compara o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2024, o quadro fica mais robusto. A despesa das famílias saltou 2,6%, movimento que o IBGE atribui principalmente a dois fatores: o aumento da massa salarial real dos trabalhadores e a expansão da oferta de crédito disponível no mercado. Isso tudo ocorreu apesar das taxas de juros permanecerem em patamares elevados, o que torna o resultado ainda mais relevante. O consumo das famílias não é um detalhe menor na economia brasileira — representa aproximadamente 60% do PIB quando se olha pela ótica da demanda, funcionando como um dos principais motores que movem a máquina econômica do país.
O investimento produtivo, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo, apresentou números ainda mais expressivos. Cresceu 3,1% na comparação trimestral e 9,1% quando confrontado com o primeiro trimestre do ano anterior. O IBGE identificou vários setores puxando esse crescimento: a atividade de construção ganhou força, a produção nacional de bens de capital se expandiu, as importações de equipamentos também subiram — com destaque especial para as plataformas de petróleo —, e houve uma aceleração no desenvolvimento de softwares.
Por trás desses números estão dinâmicas reais no mercado de trabalho. O emprego formal cresceu no período, e com ele a renda das pessoas. Simultaneamente, a agropecuária se recuperou, caminhando para uma safra recorde de grãos. Esses dois movimentos — mais gente empregada ganhando mais dinheiro, e o campo produzindo em volume — funcionaram como sustentação para manter tanto o consumo quanto os investimentos em trajetória ascendente.
O quadro que emerge é o de uma economia que encontrou algum fôlego no início de 2025, mesmo que não esteja acelerada. O consumo segue como pilar central, agora apoiado não apenas por crédito mais abundante, mas por uma melhora tangível nas condições de emprego e renda. Os investimentos produtivos, por sua vez, sugerem que empresas e setores estão dispostos a expandir capacidade e equipamentos. Tudo isso ocorre em um contexto de juros altos, o que significa que o crescimento está acontecendo apesar de um fator que normalmente desestimula tanto o consumo quanto o investimento. O que vem a seguir dependerá de como essas forças — emprego, crédito, produção agrícola e disposição de investir — conseguem se manter ou se intensificar nos próximos trimestres.
Citas Notables
O consumo das famílias é responsável por aproximadamente 60% do PIB sob a ótica da demanda e é considerado um dos principais motores da economia— IBGE
O avanço foi impulsionado pelo aumento da massa salarial real e da oferta de crédito, mesmo diante de taxas de juros elevadas— IBGE
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Por que o crescimento do consumo em 1% trimestral é considerado positivo se parece um número pequeno?
Porque o contexto importa. Esse 1% acontece em um ambiente de juros muito altos, o que normalmente congela o consumo. E comparado ao trimestre anterior, mostra que a economia saiu de uma desaceleração. Não é explosivo, mas é movimento na direção certa.
O que explica as famílias continuarem consumindo apesar dos juros elevados?
Principalmente dois fatores que o IBGE destacou: as pessoas estão ganhando mais em termos reais — a massa salarial cresceu — e o crédito ficou mais disponível. Quando você ganha mais e consegue pegar emprestado, você consome mesmo que o juro seja caro.
E os investimentos produtivos crescendo 9,1% em relação ao ano anterior — isso é sinal de confiança?
Sim, mas com ressalva. Plataformas de petróleo puxaram muito desse crescimento, e isso é um projeto de longo prazo. O que realmente importa é se a construção, os softwares e a produção nacional de equipamentos conseguem manter esse ritmo sem depender tanto de um único setor.
A safra recorde de grãos — isso é sustentável ou depende de condições climáticas?
Depende muito de clima, é verdade. Mas enquanto durar, ela funciona como um amortecedor para a economia. Gera renda, emprego no campo, e permite que o consumo continue mesmo se outras coisas desacelerarem.
Se os juros continuarem altos, esse crescimento aguenta?
Aí está a questão. O consumo e o investimento estão crescendo apesar dos juros, não porque os juros caíram. Se eles continuarem nesse patamar ou subirem mais, em algum momento o freio vai apertar. O mercado de trabalho aquecido é o que está segurando a barra agora.