Consignado CLT com garantia do FGTS terá teto de 1,99% ao mês

O novo teto reduz as taxas em quase três pontos percentuais
Comparação entre o novo teto de 1,99% ao mês e a média atual do consignado privado, que está em 4,98%.

Em um mercado que movimenta dezenas de bilhões de reais, o Ministério do Trabalho traçou um limite: 1,99% ao mês para o crédito consignado privado com garantia do FGTS. A medida não é apenas um número — é uma tentativa de equilibrar o acesso ao crédito para trabalhadores CLT com a sustentabilidade do sistema financeiro que os serve. Ao reduzir em quase três pontos percentuais a taxa média praticada, o governo sinaliza que a democratização do consignado, iniciada em 2025, precisa agora de proteção para não se transformar em armadilha.

  • O consignado privado cobrava em média 4,98% ao mês — quase o triplo do novo teto fixado em 1,99%, uma diferença que pode representar centenas de reais a menos no bolso do trabalhador ao longo de um contrato.
  • A expansão acelerada do Crédito do Trabalhador, que acumulou R$ 80 bilhões em carteira nova em apenas doze meses, criou urgência por regras claras antes que o endividamento em massa se tornasse um risco real.
  • O governo montou uma estrutura em dois caminhos: o teto vale com 50% de cobertura do FGTS nas operações diretas dos bancos, mas exige 100% de garantia quando a oferta passa pela carteira de trabalho digital.
  • A diferença de exigência entre os dois canais revela uma aposta deliberada na transparência — a carteira digital, onde bancos competem e o trabalhador compara, recebe critérios mais rígidos justamente para proteger quem tem menos informação.
  • A taxa fixada fica acima do consignado do INSS em apenas 0,14 pontos percentuais, reconhecendo que o setor privado carrega risco maior, mas sem abrir espaço para que esse risco seja inteiramente repassado ao trabalhador.

O Ministério do Trabalho definiu as regras finais para o consignado privado com garantia do FGTS, estabelecendo um teto de 1,99% ao mês. O número representa uma queda de quase três pontos percentuais em relação à média atual de 4,98% — uma diferença concreta para quem precisa de crédito rápido e paga caro por isso. A taxa fica ligeiramente acima do consignado do INSS, fixado em 1,85%, refletindo o risco adicional que o setor privado representa.

A estrutura aprovada funciona de forma diferente conforme o canal de contratação. Nas operações diretas entre banco e trabalhador, o teto de 1,99% se aplica quando o saldo do FGTS cobre ao menos metade do valor emprestado. Já na carteira de trabalho digital — onde diferentes instituições competem e o trabalhador pode comparar propostas — a exigência sobe: o FGTS precisa garantir 100% do crédito. Essa assimetria é intencional: o governo quer incentivar a concorrência e a transparência no canal mais acessível ao trabalhador comum.

O pano de fundo dessa decisão é o crescimento explosivo do Crédito do Trabalhador, lançado no final de março de 2025. Antes restrito a funcionários de grandes empresas com convênios bancários, o produto foi aberto a trabalhadores de qualquer porte de empresa. Em doze meses, a carteira nova chegou a R$ 80 bilhões — somados aos R$ 40 bilhões da modalidade anterior. Um mercado que cresceu tanto e tão rápido exige balizas claras para não se converter em crise de endividamento.

O teto de 1,99% é, portanto, uma tentativa de ponto de equilíbrio: suficientemente atrativo para que os bancos continuem operando, mas significativamente menor do que o praticado hoje. A questão que permanece aberta é se essa margem será suficiente para sustentar o ritmo de expansão do segmento — ou se as instituições financeiras buscarão outras formas de compensar a redução de receita.

O Ministério do Trabalho acaba de desenhar as regras finais para um produto de crédito que já movimenta dezenas de bilhões de reais: o consignado privado com garantia do FGTS. A decisão estabelece um teto de 1,99% ao mês para essas operações — um número que marca uma mudança significativa no mercado de crédito para trabalhadores CLT.

Para entender o peso dessa medida, é preciso olhar para onde estamos agora. O consignado privado sem garantias custa, em média, 4,98% ao mês. Isso significa que o novo teto reduz as taxas em quase três pontos percentuais — uma diferença que, em um empréstimo de alguns milhares de reais, se traduz em centenas de reais economizados ao longo do contrato. O teto fica ligeiramente acima do consignado do INSS, que é fixado em 1,85% ao mês, mas a diferença de 0,14 pontos percentuais reflete o risco maior que o setor privado representa.

A estrutura aprovada funciona em dois caminhos. Quando um banco oferece crédito diretamente ao trabalhador, o teto de 1,99% vale se o saldo do FGTS cobrir pelo menos metade do valor emprestado. Quando a proposta chega pela carteira de trabalho digital — uma espécie de marketplace onde diferentes bancos competem e o trabalhador consegue comparar ofertas — a exigência é mais rigorosa: o FGTS precisa garantir 100% do crédito para que o teto seja respeitado. Essa diferença reflete a tentativa do governo de incentivar a transparência e a concorrência, ao mesmo tempo que protege o trabalhador.

O contexto dessa decisão remonta ao final de março de 2025, quando o governo lançou o Crédito do Trabalhador. Até então, o consignado privado era privilégio de funcionários de grandes empresas que tinham convênios diretos com bancos. A nova modalidade abriu as portas para qualquer tamanho de empresa, democratizando o acesso. Mas com essa expansão veio um risco maior: quando a empresa é pequena ou média, o risco de calote é maior. Por isso, o governo propôs usar o FGTS como escudo — uma garantia que protege o banco e, teoricamente, permite taxas menores para o trabalhador.

Os números mostram que a aposta funcionou. Em doze meses, o Crédito do Trabalhador acumulou uma carteira nova de R$ 80 bilhões. Isso se soma aos R$ 40 bilhões da carteira antiga, aquela restrita às grandes corporações. Estamos falando de um mercado que cresceu exponencialmente e que agora precisa de regras claras para não virar um problema de endividamento em massa.

O teto de 1,99% ao mês é, portanto, um ponto de equilíbrio. Não é tão baixo que desestimule os bancos a emprestar — afinal, ainda há margem de lucro. Mas é significativamente mais baixo do que o que se cobra hoje, o que muda a equação para o trabalhador que precisa de dinheiro rápido. A pergunta que fica é se essa taxa será suficiente para manter o crescimento do segmento ou se criará pressões para que os bancos busquem outras formas de compensar a redução de receita.

O teto de 1,99% ao mês é bem inferior à média do que é cobrado hoje no consignado privado sem garantias, que está na casa dos 4,98% ao mês
— Ministério do Trabalho
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o governo precisou estabelecer esse teto agora, se o Crédito do Trabalhador já existe desde março de 2025?

Model

Porque quando você abre uma porta nova no mercado, os detalhes vêm depois. O produto foi lançado, começou a crescer rapidamente, mas as regras sobre como usar o FGTS como garantia ainda não estavam definidas. Agora que R$ 80 bilhões já circulam por esse canal, ficou claro que era hora de estabelecer limites.

Inventor

A diferença entre 1,99% e 4,98% é enorme. Por que os bancos aceitariam emprestar com essa redução?

Model

Porque o FGTS funciona como um colchão. Se o trabalhador não paga, o banco tem direito sobre aquele dinheiro que está na conta. Isso reduz o risco, então o banco consegue viver com uma margem menor. É um trade-off: menos lucro por operação, mas muito mais segurança.

Inventor

E o trabalhador? Ele realmente sai ganhando com isso?

Model

Depende de onde ele vinha. Se estava pagando 4,98% em outro lugar, sim, sai ganhando muito. Mas há um risco: ele está usando o FGTS como garantia, o que significa que se não pagar, perde aquele dinheiro. É um incentivo forte para honrar o compromisso, mas também é uma pressão a mais.

Inventor

Por que a carteira digital exige 100% de cobertura do FGTS enquanto o banco direto aceita 50%?

Model

Porque a carteira digital é um marketplace — o trabalhador está comparando ofertas, tem mais poder de escolha. O governo quer garantir que nesse ambiente de maior transparência, a proteção seja máxima. No banco direto, há menos comparação, então o governo permite um pouco mais de flexibilidade.

Inventor

Isso vai mudar o comportamento dos bancos?

Model

Certamente. Alguns podem sair do mercado se a margem ficar muito apertada. Outros podem tentar oferecer produtos complementares — seguros, por exemplo — para compensar. O que é certo é que o mercado vai se reorganizar em torno desse novo piso.

Inventor

E se o FGTS não for suficiente para cobrir o que foi emprestado?

Model

Aí entra a responsabilidade do trabalhador. O FGTS cobre até o limite que tem. Se o crédito for maior, o restante é uma obrigação pessoal. Por isso a exigência de 50% ou 100% de cobertura — para deixar claro qual é o risco de cada parte.

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