Há muita falta de habitação para quem quer viver e trabalhar no Corvo
Conselho votou contra com 4 votos negativos e 5 abstenções, destacando promessas não cumpridas de requalificação do aeródromo, gare marítima e quartel dos Bombeiros. Habitação é problema urgente: jovens casais vivem em casas pequenas e faltam imóveis para trabalhadores deslocados; casarões antigos na vila poderiam ser recuperados.
- Conselho votou com 4 votos contra e 5 abstenções
- Ilha do Corvo tem aproximadamente 400 habitantes
- Plano orçamental para 2026 atinge 990,9 milhões de euros, mais 172 milhões que 2025
- Três infraestruturas aguardadas: requalificação do aeródromo, gare marítima e quartel dos Bombeiros
- Votação final ocorre em novembro na Assembleia Regional
O Conselho de Ilha do Corvo rejeitou o Plano e Orçamento dos Açores para 2026, criticando a falta de investimentos prometidos em infraestruturas essenciais e habitação para a ilha com 400 habitantes.
O Conselho de Ilha do Corvo rejeitou esta semana o Plano e Orçamento dos Açores para 2026, numa decisão que reflete a frustração de uma comunidade de cerca de 400 habitantes com promessas repetidas mas não cumpridas. Paula Dias, presidente do órgão consultivo, explicou à agência Lusa que a votação resultou em quatro votos contra e cinco abstenções, um parecer que os conselheiros qualificaram de desfavorável ao documento apresentado pelo executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM.
O cerne da discórdia não é a falta de ambição orçamental — o Plano para 2026 atinge 990,9 milhões de euros, um aumento de 172 milhões relativamente ao ano anterior, com previsões de crescimento do Produto Interno Bruto de 2% e endividamento controlado até 150 milhões. O problema, segundo Dias, é que esses números não se traduzem em investimentos concretos que o Corvo necessita. Apesar de reconhecerem melhorias nas ligações aéreas e nos transportes marítimos, os conselheiros sublinham que "falta tudo o resto".
A lista de obras aguardadas há anos é longa e específica. A requalificação do aeródromo, a modernização da gare marítima e a reconstrução do quartel dos Bombeiros surgem como prioridades fundamentais para o desenvolvimento da ilha. Estas não são aspirações vagas — foram formalmente elencadas em memorandos anteriores e mencionadas durante as visitas estatutárias do Governo à ilha. No caso da gare marítima, Dias foi particularmente clara: havia uma promessa, e nada foi feito.
Mas talvez o problema mais imediato seja a habitação. Numa ilha com 400 pessoas, muitas delas jovens casais com filhos, vivem em casas pequenas e inadequadas. Trabalhadores que querem deslocar-se para o Corvo encontram um mercado imobiliário praticamente vazio. A solução, segundo a presidente do Conselho, está parcialmente ao alcance: a zona antiga da vila tem casarões antigos e devolutos que poderiam ser recuperados e reabilitados. Tudo o que falta é vontade política e coordenação entre a Câmara Municipal e o Governo Regional para que "se sentem" e definam um plano de ação.
O tom de Dias não é de raiva, mas de cansaço. Há muita falta de habitação, repetiu, como quem já o disse muitas vezes. Os conselheiros esperam agora que o Governo reveja os documentos antes da discussão e votação em novembro na Assembleia Regional. As projeções macroeconómicas do executivo regional preveem crescimento de 2% em 2026 e 1,7% em 2027, com inflação controlada em 2,1%. Mas para uma ilha de 400 habitantes que vê as suas infraestruturas envelhecerem e os seus jovens sem casas onde viver, esses números abstratos pouco significam se não se transformarem em betão, em telhados novos, em oportunidades concretas de ficar.
Notable Quotes
Temos muitos jovens casais com filhos a viver em casas pequenas. Há muita falta de habitação para quem quer viver e trabalhar no Corvo— Paula Dias, presidente do Conselho de Ilha do Corvo
Tinha sido prometida a requalificação da gare marítima e nada— Paula Dias
The Hearth Conversation Another angle on the story
Porque é que o Corvo rejeita um orçamento que cresce 172 milhões de euros?
Porque crescimento orçamental não é a mesma coisa que investimento na ilha. O Corvo vê dinheiro a circular pelos Açores, mas não vê uma única obra que lhe foi prometida.
Quais são essas obras?
Três principalmente: o aeródromo precisa de requalificação, a gare marítima está por modernizar, e o quartel dos Bombeiros precisa de reconstrução. Tudo isto foi mencionado em memorandos e visitas do Governo. Nada saiu do papel.
E a habitação? Parece ser um problema diferente.
É mais urgente, talvez. Jovens casais com filhos vivem em casas pequenas. Não há espaço para quem quer viver e trabalhar lá. E há casarões antigos na vila que poderiam ser recuperados, mas ninguém está a coordenar isso.
Quantas pessoas estamos a falar?
Cerca de 400 habitantes no total. Não é um número grande, mas é uma comunidade inteira que sente que foi esquecida.
O que esperam agora?
Que o Governo reveja o Plano antes de novembro, quando vai a votação na Assembleia Regional. Mas honestamente, já esperam há vários anos. A paciência está a acabar.