O sistema respondeu bem, mas o verão promete ser ainda mais desafiador
Sob o peso de um calor que não escolhe região nem hora, o Brasil se aproxima de um recorde histórico de consumo energético em outubro de 2023. O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta uma demanda de 77,5 gigawatts médios — 6,2% acima do mesmo mês do ano anterior —, reflexo direto de uma gangorra térmica que força ventiladores, ar-condicionados e chuveiros a trabalharem sem descanso. A boa fortuna, desta vez, está nos reservatórios: cheios acima da média, eles oferecem ao país uma margem de segurança rara, transformando o que poderia ser uma crise em um desafio administrável.
- O calor extremo de outubro empurra o consumo elétrico brasileiro ao maior nível já registrado para o mês, com todas as regiões do país acelerando sua demanda simultaneamente.
- A oscilação brusca entre dias abrasadores e noites frias cria uma pressão dupla sobre o sistema: ar-condicionado de dia, chuveiro quente à noite — a conta de luz sente os dois lados.
- A região Norte lidera o salto com 10,6% de aumento, seguida pelo Sul com 7,3%, enquanto o Nordeste registra o crescimento mais contido, de apenas 3%.
- Os reservatórios hidrelétricos operam acima da média histórica — o Sul projeta atingir 188% da Média de Longo Termo, o índice mais alto desde 2015 —, funcionando como escudo contra o risco de desabastecimento.
- O ONS monitora os próximos meses com cautela otimista: o verão promete temperaturas ainda mais elevadas, mas a chegada da estação chuvosa deve consolidar uma situação confortável para o sistema.
O Brasil se prepara para um outubro histórico no consumo de energia elétrica. O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta uma demanda de 77,5 gigawatts médios — crescimento de 6,2% ante o mesmo mês de 2022 —, impulsionada por uma onda de calor que alterna extremos térmicos em questão de dias. A gangorra entre dias abrasadores e noites frias força os brasileiros a recorrer simultaneamente ao ar-condicionado e ao chuveiro quente, pressionando tanto a rotina quanto a conta de luz.
O aumento não se distribui de forma igual pelo território. A região Norte lidera com 10,6% de crescimento, chegando a 7.700 megawatts médios. O Sul segue com 7,3%, e o Sudeste e Centro-Oeste — responsáveis pela maior fatia do consumo nacional — devem registrar 44.144 megawatts médios, alta de 6,2%. O Nordeste apresenta o menor crescimento: 3%, totalizando 12.690 megawatts médios.
O que impede esse cenário de se tornar uma crise é o estado dos reservatórios hidrelétricos, que operam acima da média histórica. O Sul projeta atingir 188% da Média de Longo Termo em outubro — o nível mais alto para o mês desde 2015. Sudeste e Centro-Oeste devem alcançar 76%, enquanto Norte e Nordeste ficam em 59% e 50%, respectivamente.
O diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, avaliou a situação com otimismo contido: o sistema respondeu bem ao crescimento da demanda, mas o verão que se aproxima exige atenção. A perspectiva, porém, é favorável — com reservatórios em bons níveis e a estação chuvosa no horizonte, o Brasil deve atravessar os próximos meses sem apagões e em posição mais confortável do que em anos anteriores.
O Brasil se prepara para quebrar um recorde de consumo de energia em outubro. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, a demanda nacional por eletricidade deve atingir 77,5 gigawatts médios no mês — um salto de 6,2% comparado a outubro do ano anterior. A culpa é simples: o calor extremo que tem marcado o país, alternando entre dias abrasadores e períodos mais frios em questão de dias, força os brasileiros a ligar ventiladores e ar-condicionado com mais frequência, enquanto as noites mais frias aumentam a procura por chuveiros quentes. Essa gangorra térmica não afeta apenas a rotina e a saúde das pessoas. Ela bate direto no bolso, na conta de luz.
O aumento não é uniforme pelo país. A região Norte, uma das mais quentes, deve consumir 7.700 megawatts médios — 10,6% acima do registrado em 2022. O Sul vem em seguida com crescimento de 7,3%, chegando a 12.940 megawatts médios. O Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis pela maior parte do consumo nacional, devem usar 44.144 megawatts médios, um aumento de 6,2%. O Nordeste, por sua vez, terá o menor crescimento: apenas 3%, totalizando 12.690 megawatts médios. Essas projeções levam em conta que as temperaturas médias esperadas para outubro de 2023 serão, em grande parte do país, superiores ao normal para essa época do ano.
O cenário poderia ser preocupante se não fosse um fator crucial: os reservatórios das hidrelétricas estão em níveis acima da média. O ONS avalia que há água suficiente acumulada para suprir esse aumento de demanda sem risco de desabastecimento. A região Sul projeta atingir 188% da Média de Longo Termo em outubro — o índice mais alto para o mês desde outubro de 2015, quando chegou a 227%. O Sudeste e Centro-Oeste devem alcançar 76%, enquanto Norte e Nordeste ficarão em 59% e 50%, respectivamente.
Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS, resumiu a situação com otimismo contido. Segundo ele, o sistema interligado nacional respondeu bem ao crescimento da demanda, garantindo o atendimento sem interrupções. Mas ele também alertou para os próximos meses, especialmente o verão, quando as temperaturas devem ser ainda mais elevadas. A boa notícia é que a perspectiva geral permanece favorável: com os reservatórios em bons níveis agora, quando a estação chuvosa chegar, o país deve estar em uma situação bem mais confortável do que em anos anteriores.
O desafio imediato é gerenciar outubro e os meses seguintes sem sobressaltos. O calor extremo continuará pressionando a demanda, mas a combinação de reservatórios cheios e um sistema preparado para o pico sugere que o Brasil conseguirá atravessar esse período sem apagões. O que virá depois — quando as chuvas voltarem — promete aliviar a pressão sobre o sistema.
Citações Notáveis
Tivemos um período de forte elevação da demanda por carga e a resposta do SIN a esse crescimento foi positiva, com a garantia de atendimento— Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS
Estamos atentos aos próximos meses, em especial o período do verão, cujas temperaturas médias devem ser mais elevadas. Mesmo assim, temos um cenário geral favorável— Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que exatamente o calor extremo causa esse pico tão grande de consumo? Não é só ar-condicionado, certo?
Não é só. É a gangorra térmica que complica tudo. Quando faz muito calor, as pessoas ligam ventiladores e ar-condicionado. Quando esfria de repente, a demanda por chuveiros quentes dispara. É como se o sistema estivesse sendo puxado para os dois lados ao mesmo tempo.
E por que a região Norte lidera com 10,6% de aumento? Ela é naturalmente mais quente.
Exatamente. A região Norte já é uma das mais quentes do país, então quando vem uma onda de calor, o impacto é desproporcional. As pessoas lá já usam ar-condicionado, mas com essas temperaturas extremas, o uso intensifica muito mais do que em regiões mais temperadas.
Os reservatórios estão acima da média. Isso é sorte ou planejamento?
Um pouco dos dois. Houve chuvas boas nos períodos anteriores, o que ajudou a encher os reservatórios. Mas o ONS também monitora constantemente e planeja para cenários assim. Não é sorte pura — é preparação encontrando condições favoráveis.
E se as chuvas não chegarem quando esperado no verão?
Aí fica mais apertado. Por isso o diretor do ONS está atento aos próximos meses. Mas a projeção é que quando a estação chuvosa chegar, o país estará em melhor situação do que em anos anteriores. É um alívio que ainda não chegou, mas que está no horizonte.