Transformar observações subjetivas em dados quantificáveis
No Paraná, um fisioterapeuta que sentiu na prática a limitação das avaliações subjetivas decidiu transformar roupas comuns em instrumentos científicos. A Nexus Biometrics desenvolve o NeuroTrek — um dispositivo vestível que converte movimentos corporais em dados biomecânicos precisos, oferecendo a profissionais de saúde uma linguagem objetiva para o que antes dependia apenas do olhar clínico. Selecionada pela incubadora do Tecpar, a startup paranaense encontra agora o suporte institucional para levar essa visão do laboratório ao mercado.
- A ausência de métricas objetivas no acompanhamento terapêutico deixa fisioterapeutas dependentes de percepções subjetivas — uma lacuna que o NeuroTrek promete preencher com dados em tempo real.
- Sensores integrados em peças de vestuário capturam velocidade, amplitude e suavidade do movimento, gerando um índice de coordenação motora que pode mudar diagnósticos e protocolos de reabilitação.
- O alcance da tecnologia é amplo e urgente: pacientes neurológicos, idosos em reabilitação, atletas e pessoas em recuperação de lesões formam um mercado vasto ainda carente de soluções precisas.
- A seleção pela Incubadora Tecnológica do Tecpar representa um ponto de virada — acesso a mentoria, infraestrutura e redes que aceleram o amadurecimento da startup e reduzem as incertezas do caminho ao mercado.
Em um laboratório paranaense, a startup Nexus Biometrics está desenvolvendo o NeuroTrek, uma roupa inteligente equipada com sensores capazes de rastrear cada movimento do corpo humano. O dispositivo pode ser posicionado em diferentes regiões — braços, tronco, coluna ou membros inferiores — e processa os dados em tempo real para gerar um índice de coordenação motora, traduzindo observações clínicas subjetivas em métricas concretas e quantificáveis.
Por trás do projeto está Vinícius Gomes Machado, fisioterapeuta, professor e pesquisador que viveu na prática a dificuldade de avaliar com precisão a funcionalidade dos pacientes. O NeuroTrek funciona em camadas: os sensores capturam o movimento, um hardware transmite os dados e um software os converte em métricas biomecânicas — velocidade, amplitude, suavidade, desaceleração — que culminam no índice diferencial do sistema. O resultado permite que profissionais de saúde definam estratégias terapêuticas mais eficazes, tanto preventivas quanto corretivas.
A tecnologia tem potencial para atender pessoas com doenças neurológicas, idosos em reabilitação, indivíduos em recuperação de lesões e atletas em treinamento funcional, abrangendo um mercado que inclui saúde, reabilitação e pesquisa científica.
Recentemente, a Nexus Biometrics foi selecionada pela Incubadora Tecnológica do Tecpar, instituto paranaense com 37 anos dedicados ao fomento do empreendedorismo inovador. Para Machado, o apoio é decisivo: além de infraestrutura física e mentorias, o Tecpar oferece acesso a uma rede de conhecimento e conexões que acelerarão o amadurecimento da gestão e reduzirão as incertezas do caminho até o mercado. O instituto mantém edital aberto para 2026, recebendo propostas em áreas como saúde, sustentabilidade e cidades inteligentes.
Em um laboratório do Paraná, uma startup chamada Nexus Biometrics está desenvolvendo uma roupa inteligente capaz de transformar a forma como fisioterapeutas e profissionais de saúde avaliam o movimento humano. O dispositivo, batizado de NeuroTrek, incorpora sensores extremamente sensíveis em peças de vestuário que podem ser posicionadas em diferentes partes do corpo — braços, tronco, coluna, membros inferiores ou até mesmo para uma avaliação dinâmica completa. A proposta é simples mas ambiciosa: rastrear cada movimento, processar os dados em tempo real e gerar um índice de coordenação motora que reflita a qualidade real do movimento corporal.
Vinícius Gomes Machado, CEO da empresa, é fisioterapeuta, professor e pesquisador. Durante anos, ele sentiu uma lacuna no seu trabalho: a dificuldade em avaliar de forma objetiva a funcionalidade dos pacientes, em mensurar com precisão a capacidade deles de realizar movimentos e tarefas do dia a dia. Essa percepção o levou a desenvolver um dispositivo que pudesse fornecer métricas concretas sobre a qualidade do movimento, transformando observações subjetivas em dados quantificáveis.
O NeuroTrek funciona através de um processo em camadas. Os sensores integrados nas roupas capturam o movimento do corpo e transferem as informações para um hardware em tempo real. Depois, um software processa esses dados brutos e fornece métricas biomecânicas específicas: velocidade, suavidade, amplitude de movimento, desaceleração. A partir dessas métricas, o sistema gera o índice de coordenação motora, que é o diferencial do projeto. Segundo Machado, esse resultado é crucial para que profissionais de saúde possam definir estratégias de trabalho mais precisas, seja para ações preventivas ou corretivas. Avaliações mais objetivas contribuem para diagnósticos funcionais mais qualificados, melhor acompanhamento terapêutico e intervenções mais eficazes.
A tecnologia tem potencial para beneficiar múltiplos públicos: pessoas com doenças neurológicas, idosos em processo de reabilitação, indivíduos se recuperando de lesões e atletas em treinamento funcional. O mercado para essa solução é amplo, abrangendo segmentos de reabilitação em diversas áreas da saúde, treinamento funcional e pesquisa científica.
Recentemente, a Nexus Biometrics foi selecionada no edital mais recente da Incubadora Tecnológica do Tecpar (Intec), o Instituto de Tecnologia do Paraná. Essa seleção representa um ponto de inflexão para a startup. O Tecpar, que existe há 37 anos, tem como missão estimular o empreendedorismo inovador e fortalecer o ecossistema de inovação paranaense. Para Machado, o apoio é fundamental: permitirá acesso a uma rede de conhecimento, experiências e conexões que seriam difíceis de construir sozinho. Além da infraestrutura física e das mentorias, o Tecpar contribui para o amadurecimento da gestão do negócio, reduzindo incertezas e acelerando etapas críticas do projeto.
Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, destaca que o instituto oferece aos empreendedores a oportunidade, as condições e o apoio necessário para transformar ideias em empresas bem-sucedidas que tragam resultados concretos para a sociedade e para o desenvolvimento econômico do Estado. Para a Nexus Biometrics, essa parceria representa a oportunidade de acelerar o amadurecimento da tecnologia e sua inserção efetiva no mercado.
O Tecpar mantém um edital aberto para o ciclo de 2026, recebendo inscrições de empresas e startups que desenvolvem soluções inovadoras de base tecnológica nas áreas de saúde, bioprodutos, turismo, cidades inteligentes, sustentabilidade ambiental e energias renováveis. As propostas são avaliadas por uma banca examinadora segundo critérios específicos de inovação e viabilidade.
Notable Quotes
Avaliações mais precisas e objetivas podem contribuir para diagnósticos funcionais mais qualificados, melhor acompanhamento terapêutico e intervenções mais eficazes— Vinícius Gomes Machado, CEO da Nexus Biometrics
O apoio do Tecpar é fundamental, pois nos permitirá acessar uma rede de conhecimento, experiências e conexões que dificilmente conseguiríamos construir sozinhos— Vinícius Gomes Machado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um fisioterapeuta precisaria de sensores em uma roupa para avaliar um paciente? Não conseguem fazer isso observando?
Conseguem observar, sim, mas é subjetivo. Dois profissionais podem ver o mesmo movimento e chegar a conclusões diferentes. Os sensores transformam isso em números — velocidade, suavidade, amplitude. São dados que não mentem.
E esses dados mudam a forma como o tratamento é feito?
Completamente. Se você sabe exatamente qual é a qualidade do movimento, pode definir se precisa de ações preventivas ou corretivas. É a diferença entre achar que algo está melhorando e saber que está.
Quem mais poderia usar essa tecnologia além de fisioterapeutas?
Atletas em treinamento, pesquisadores estudando movimento, profissionais de educação física. Qualquer pessoa que precise entender o corpo em movimento com precisão.
O Tecpar é apenas um espaço físico ou oferece algo mais?
É muito mais. É uma rede — conhecimento, mentoria, conexões com outros empreendedores e investidores. Para uma startup, isso reduz o risco de fracasso porque você não está sozinho.
Qual é o maior desafio agora para a Nexus Biometrics?
Transformar uma tecnologia promissora em um produto que as clínicas e hospitais realmente usem. O Tecpar ajuda nisso, mas o mercado ainda precisa ser conquistado.