Senado colombiano rejeita reforma trabalhista de Petro em novo revés político

O povo deve se rebelar com a maior força possível
Petro intensifica o tom após derrota no Senado, convocando consulta popular sobre reforma trabalhista.

Pela terceira vez, o Senado colombiano fechou as portas para a reforma trabalhista de Gustavo Petro, aprofundando o isolamento de um presidente que chegou ao poder prometendo transformar as relações entre capital e trabalho em seu país. A derrota não é apenas legislativa — é o retrato de um governo que perdeu a maioria parlamentar e busca, nas ruas e numa consulta popular, a legitimidade que o Congresso lhe nega. A menos de um ano das eleições de 2026, o confronto entre o Palácio de Nariño e o Legislativo revela a tensão permanente entre mandatos populares e as estruturas de poder que os limitam.

  • Oito de quatorze senadores votaram para arquivar a reforma, selando o terceiro fracasso consecutivo de uma promessa central da campanha de Petro.
  • O presidente respondeu convocando manifestações em Bogotá, Medellín, Cali e outras cidades, transformando a derrota legislativa em confronto aberto entre o Executivo e o Congresso.
  • Empresários e oposição de direita sustentam que as mudanças elevariam custos trabalhistas e espantariam investimentos, argumento que encontrou eco suficiente para barrar o projeto.
  • Petro anunciou uma consulta popular sobre o tema, escalando o discurso contra 'oligarcas e donos do dinheiro' e prometendo que o povo não aceitará 'tiranias'.
  • A oposição enxerga a consulta popular como campanha eleitoral antecipada para 2026 — eleição em que Petro, por lei, não poderá concorrer, mas cujo resultado moldará seu legado.

Gustavo Petro saiu derrotado do Senado colombiano nesta terça-feira, quando oito de quatorze senadores de um comitê votaram para arquivar sua reforma trabalhista — o terceiro fracasso consecutivo de um projeto que era promessa central de sua campanha. Sem maioria no Congresso, o presidente viu mais uma vez seu esforço de reformar as leis do trabalho ser bloqueado pela oposição de direita e pelas associações empresariais, que argumentam que as mudanças aumentariam custos e afastariam investimentos.

Petro não aceitou a derrota em silêncio. Convocou manifestações em todo o país e decretou um 'dia cívico' para que servidores públicos pudessem participar dos protestos. Nas ruas de Bogotá, Medellín, Cali e Barranquilla, milhares foram às ruas com bandeiras e cartazes. Antes da votação, o presidente discursou em um dos atos: 'Não somos escravos, não somos servidores do poder, somos seres humanos.'

Após a sessão, Petro anunciou que convocará uma consulta popular sobre o tema, elevando o tom contra o que chamou de 'oligarcas e donos do dinheiro'. A oposição, porém, vê o movimento com desconfiança: a menos de um ano das eleições presidenciais de 2026 — nas quais Petro não poderá concorrer por lei —, seus críticos interpretam a convocação como o início de uma campanha governista disfarçada.

O quadro é de um presidente politicamente fragilizado. Desde a lua de mel inicial, quando o Congresso aprovou uma reforma tributária progressiva, a relação com o Legislativo azedou. Além da reforma trabalhista, o governo tenta avançar em mudanças na saúde que reduziriam a participação privada no sistema, mas sem perspectiva de aprovação. Petro segue apostando na mobilização popular para contornar um Congresso que não lhe obedece.

Gustavo Petro saiu derrotado do Senado colombiano nesta terça-feira. Oito de quatorze senadores de um comitê votaram para arquivar sua reforma trabalhista, marcando o terceiro fracasso consecutivo de um projeto que havia sido promessa central de sua campanha presidencial. O presidente, politicamente enfraquecido e sem maioria no Congresso, viu seu esforço de reformar as leis do trabalho ser bloqueado novamente pela oposição de direita e pelas associações empresariais que argumentam que as mudanças aumentariam os custos trabalhistas e afastariam investimentos.

Petro não aceitou a derrota em silêncio. Convocou manifestações em todo o país para pressionar os congressistas, transformando a votação em um confronto entre o Palácio e o Legislativo. Nas ruas de Bogotá, Medellín, Cali, Barranquilla e outras capitais, milhares de pessoas compareceram com bandeiras e cartazes pedindo a aprovação da reforma. O presidente discursou em um dos atos antes da votação, dizendo que o Congresso estava dando as costas ao povo. "Não somos escravos, não somos servidores do poder, somos seres humanos", afirmou. Na véspera, havia decretado um "dia cívico" para permitir que servidores públicos participassem dos protestos.

A derrota já era esperada. Congressistas opositores haviam assinado um parecer na semana anterior pedindo o arquivamento do projeto. Petro, porém, continua decidido. Após a sessão no Senado, anunciou que convocaria uma consulta popular sobre o tema, subindo o tom contra o que chamou de "oligarcas e donos do dinheiro". "Os oligarcas, os donos do dinheiro, os que matam e assassinam já saíram para gritar contra a consulta popular porque eles têm medo do povo", disse. "O povo deve se rebelar com a maior força possível. Não aceitamos tiranias."

O movimento de Petro em direção à consulta popular não passa despercebido pela oposição. A menos de um ano das eleições presidenciais de 2026, nas quais Petro não poderá concorrer por lei, seus críticos veem a convocação como o início de uma campanha governista disfarçada. O presidente assumiu o poder em agosto de 2022 com apoio do Congresso, que aprovou uma reforma tributária para aumentar impostos sobre os mais ricos. Desde então, porém, a lua de mel terminou. Petro vem apelando repetidamente aos seus apoiadores para pressionar o Legislativo.

Além da reforma trabalhista, o governo tenta emplacar outras mudanças importantes. No mês passado, Petro pediu a renúncia de seus ministros para fazer uma reforma ministerial. Também defende uma reforma na saúde que reduziria a participação do setor privado no sistema, mas não há perspectiva de aprovação. O presidente segue em uma posição frágil, tentando mobilizar sua base para contornar um Congresso que não lhe obedece.

O Congresso da Colômbia está dando as costas ao povo. Não somos escravos, não somos servidores do poder, somos seres humanos
— Gustavo Petro, em ato em Bogotá
Os oligarcas, os donos do dinheiro, os que matam e assassinam já saíram para gritar contra a consulta popular porque eles têm medo do povo
— Gustavo Petro, após votação no Senado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Petro insiste em uma reforma que já foi rejeitada duas vezes antes?

Model

Porque é uma promessa que fez na campanha e que sua base eleitoral espera dele. Desistir seria admitir derrota total. Além disso, ele acredita que as mudanças melhoram as condições dos trabalhadores.

Inventor

Mas se ele não tem maioria no Congresso, como espera aprovação?

Model

Exatamente. Ele não espera aprovação pelo caminho normal. Por isso está apelando para a consulta popular — uma forma de contornar o Legislativo e ir direto ao povo.

Inventor

A oposição diz que isso é campanha eleitoral antecipada. Há verdade nisso?

Model

Há. Petro não pode concorrer em 2026, mas pode influenciar quem concorre. Uma consulta popular bem-sucedida o mantém relevante e fortalece seus aliados.

Inventor

E os empresários? Por que se opõem tanto?

Model

Temem que custos trabalhistas mais altos afastem investimentos. É uma preocupação legítima do ponto de vista deles, mesmo que Petro discorde.

Inventor

Petro está perdendo poder?

Model

Está. Começou com apoio do Congresso em 2022, mas desde então perdeu influência. Agora precisa mobilizar as ruas para pressionar legisladores que não o ouvem.

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