Abraçam a criatividade e abraçam o risco, são ágeis para tomar decisões
Código de barras no gramado gerou mais de US$ 1,78 milhões em vendas e utilizou 50 mil cupons em 800 cidades brasileiras. Gut e Mercado Livre conquistam quarto prêmio máximo em Cannes, reforçando liderança criativa das agências brasileiras no mercado global.
- Código de barras no Pacaembu gerou US$ 1,78 milhões em vendas com 50 mil cupons em 800 cidades
- Gut e Mercado Livre conquistam quarto leão de ouro em Cannes Lions
- Agências brasileiras ganharam 13 troféus no primeiro dia do festival (4 ouros, 5 pratas, 3 bronzes)
Agências brasileiras conquistam 13 troféus no primeiro dia do Festival de Cannes, incluindo prêmio máximo para campanha inovadora do Mercado Livre com código de barras no estádio do Pacaembu.
No gramado do Pacaembu, durante uma partida transmitida pelo SBT, apareceu um código de barras gigante. Quem o escaneava — seja presencialmente no estádio ou pela tela da televisão — ganhava descontos imediatos no Mercado Livre. A ideia funcionou. Mais de 50 mil cupons foram utilizados em mais de 800 cidades brasileiras, gerando US$ 1,78 milhões em vendas no site. A campanha era tão ousada, tão diferente do que se via na publicidade tradicional, que conquistou o prêmio máximo do Festival de Cannes Lions, o mais importante da indústria publicitária mundial.
A criação saiu da agência Gut, em parceria com o Mercado Livre. Para Valéria Barone, CEO da Gut, o que fez a diferença foi justamente a coragem de arriscar em formatos novos. "Qualquer criança fala sobre o Mercado Livre. Abraçam a criatividade e abraçam o risco, são ágeis para tomar decisões. Isso é traduzido no dia a dia do marketing", disse ela em entrevista ao programa Mídia e Marketing. Essa é a quarta vez que Gut e Mercado Livre conquistam leões de ouro em Cannes — um sinal de que a parceria entre agência e anunciante funciona de forma consistente.
No primeiro dia do festival, as agências brasileiras não pararam por aí. Foram conquistados 13 troféus no total: além do ouro do código de barras, mais 4 ouros, 5 pratas e 3 bronzes distribuídos entre sete categorias. Os outros ouros foram para campanhas como "Donate to Play", da Publicis Brasil para o Grupo Pulsa na categoria Saúde; "Sinfonia da Energia", da Africa para a Abradee em Áudio e Rádio; "The last Coke in the desert", criada pela VML em três cidades (Nova York, Cidade do México e São Paulo) para a Coca-Cola em Outdoor; e "Poderia ser uma Heineken", dos escritórios da LePub em São Paulo e Milão para a Heineken, também em Outdoor.
Entre as pratas conquistadas naquele dia estava a ação "Uncovering Racism", criada pela AlmapBBDO para o Corinthians na categoria Print & Publishing. A campanha nasceu de um gesto simples mas poderoso. Em fevereiro, quando o time entrou em campo contra o Cruzeiro na Neo Química Arena, os atletas usavam uma mensagem na gola do uniforme: "Racismo é crime. Denuncie". Durante a entrada em campo, os jogadores ergueram a gola até a altura da boca, dando destaque máximo à frase. O gesto transformou um uniforme em ferramenta de denúncia, e Cannes reconheceu a força da ideia.
O que esses prêmios revelam é uma mudança no jeito de fazer publicidade no Brasil. Não é mais sobre anúncios que interrompem o programa — é sobre criar experiências que as pessoas querem participar. Um código de barras em um estádio. Uma mensagem na gola de uma camisa. Campanhas que funcionam porque conectam marca, consumidor e momento de forma tão natural que parecem inevitáveis. As agências brasileiras estão sendo reconhecidas globalmente por essa capacidade de pensar diferente, de abraçar o risco, de entender que a criatividade não é luxo — é necessidade.
Citações Notáveis
Qualquer criança fala sobre o Mercado Livre. Abraçam a criatividade e abraçam o risco, são ágeis para tomar decisões. Isso é traduzido no dia a dia do marketing.— Valéria Barone, CEO da agência Gut
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como um código de barras em um estádio vira um prêmio internacional?
Porque funcionou. Não era só uma ideia bonita — 50 mil pessoas realmente escanearam, em 800 cidades, e geraram quase 2 milhões de dólares em vendas. Cannes premia o que funciona e é criativo ao mesmo tempo.
Mas por que isso é tão diferente do que a publicidade fazia antes?
Antes, a marca falava para você. Aqui, a marca criou uma razão para você agir. Você não estava assistindo a um anúncio — estava participando de algo. Isso muda tudo.
A Gut ganhou quatro ouros em Cannes com o Mercado Livre. Isso é sorte ou sistema?
Sistema. A CEO diz que é coragem em abraçar risco e criatividade. Mas é mais que isso — é uma agência e um anunciante que entendem que o mercado mudou. Quem não inova fica para trás.
E a campanha do Corinthians com a mensagem contra racismo? Como isso compete com um código de barras?
Compete de forma diferente. Uma é sobre venda, outra é sobre significado. Cannes reconhece os dois porque ambas transformam o que a marca faz em algo que importa.
Isso vai virar tendência no Brasil?
Já está virando. Quando agências ganham prêmios internacionais com ideias assim, outras agências e marcas acordam. O mercado inteiro começa a pensar diferente.