Cientistas e pescadores denunciam Marina Baía Norte como ameaça ambiental em Florianópolis

Comunidades tradicionais de pescadores artesanais enfrentam ameaça à segurança alimentar e econômica com potencial perda de acesso aos territórios de pesca e colapso da atividade de maricultura que já sofreu 90% de perdas em 2026.
Marina na Baía Norte: cientistas e comunidades tradicionais denunciam obra que…
Raphael Sanz Direto de Florianópolis O morador ou turista que estiver em Florianópolis ao longo deste segundo semestre…

Em Florianópolis, um projeto de R$ 350 milhões promete transformar a orla da Baía Norte com uma marina privada e espaços públicos — mas a modernização urbana encontra resistência de cientistas e pescadores que enxergam, por trás do progresso anunciado, o aprofundamento de uma crise ecológica já em curso. A licença ambiental concedida em fevereiro de 2026 não silenciou as vozes que alertam: quando o mar já está doente, dragar seus sedimentos contaminados pode ser o passo que transforma uma ferida crônica em colapso irreversível.

  • A Baía Norte já registra mortandades marinhas anuais e perdas de 90% na maricultura por maré vermelha — e o projeto avança sobre esse ecossistema fragilizado.
  • A dragagem de 84 mil m³ de sedimento contaminado é o ponto mais crítico: pesquisadores da UFSC alertam que a operação pode liberar poluentes acumulados e intensificar a acidificação das águas.
  • Comunidades de pescadores artesanais temem perder acesso aos territórios de pesca com a chegada de 600 embarcações privadas, ameaçando a segurança alimentar e econômica de famílias que dependem do mar há gerações.
  • Apesar dos alertas, a licença ambiental foi concedida — e o impasse entre o discurso de desenvolvimento urbano e a denúncia científica ainda não encontrou mediação institucional clara.

Quem percorre a Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, vê uma baía de cartão-postal. Mas sob a superfície, cientistas e pescadores enxergam um ecossistema em colapso silencioso — e alertam que o projeto da Marina Baía Norte pode acelerar esse processo de forma irreversível.

O empreendimento de R$ 350 milhões prevê uma marina privada para mais de 500 embarcações, parque público e a promessa de 2 mil empregos. Em fevereiro de 2026, recebeu licença ambiental. Para os investidores, é uma virada urbanística. Para o pesquisador Paulo Horta, da UFSC, é uma aposta arriscada sobre um sistema já comprometido: a Baía Norte convive com mortandades marinhas anuais e, em 2026, a maricultura local registrou perdas de 90% causadas por maré vermelha.

O ponto mais sensível é a dragagem de 84 mil m³ de sedimento contaminado, necessária para viabilizar a obra. Horta e outros pesquisadores alertam que a operação pode ressuspender poluentes acumulados no fundo da baía e potencializar a acidificação das águas — agravando uma poluição que já é crônica.

Para as comunidades tradicionais de pescadores artesanais, o risco é também humano e imediato. A chegada de 600 embarcações privadas ameaça os territórios de pesca que sustentam famílias há gerações. Sem acesso ao mar e com a maricultura em colapso, a segurança alimentar e econômica dessas comunidades pende por um fio.

O projeto segue em curso, a licença está concedida, e o debate entre progresso e preservação ainda busca um espaço de mediação que vá além das audiências públicas. Enquanto isso, a Baía Norte espera — cada vez mais pressionada por dois futuros incompatíveis.

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Raphael Sanz Direto de Florianópolis O morador ou turista que estiver em Florianópolis ao longo deste segundo semestre e passar pela famosa Avenida Beira-Mar Norte (que margeia a região central da cidade de um lado, e a Baía Norte de outro…

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