Chefe de gabinete de Milei renuncia após escândalo de corrupção na Argentina

Saio em paz, mas com a consciência tranquila
Adorni em sua carta de renúncia, tentando encerrar o capítulo sem admitir culpa.

Em governos que prometem ruptura com o passado, o peso da credibilidade moral recai com força redobrada sobre cada nome escolhido. Manuel Adorni, homem de confiança de Javier Milei desde o início de seu mandato, renunciou ao cargo de chefe de gabinete da Argentina no dia 27 de junho de 2026, após investigações revelarem gastos luxuosos incompatíveis com sua renda declarada e a posterior admissão de que mantinha dinheiro não reportado ao fisco. A saída de um aliado tão próximo, num momento em que a aprovação presidencial já havia caído de 53% para 39%, lembra que nenhum projeto político escapa ileso quando a distância entre o discurso e a conduta se torna visível demais.

  • Viagens de primeira classe, férias em Aruba e um jato particular para o Uruguai acenderam suspeitas sobre como o chefe de gabinete financiava seu estilo de vida com o salário que recebia.
  • Adorni primeiro negou qualquer irregularidade perante o Congresso, mas meses depois admitiu ter guardado dinheiro não declarado e retificou declarações de impostos para incluir cerca de meio milhão de dólares omitidos.
  • Milei chegou a declarar publicamente que Adorni jamais sairia do governo e que não condenaria um inocente — mas a pressão política e midiática se mostrou mais forte do que a lealdade presidencial.
  • Com a renúncia formalizada numa carta publicada no X, Adorni afirmou agir pela primeira vez contra a vontade do presidente, encerrando o capítulo com a consciência que ele mesmo descreveu como tranquila.
  • A saída aprofunda uma crise de imagem para Milei: além das denúncias de corrupção no governo, a inflação segue corroendo o cotidiano dos argentinos e a popularidade presidencial está em queda livre.

Manuel Adorni deixou o governo argentino no sábado, 27 de junho, após sete meses como chefe de gabinete do presidente Javier Milei. A saída foi precipitada por semanas de investigações sobre gastos que não combinavam com sua renda: viagens de primeira classe, férias em Aruba no Natal e um voo em jato particular para o Uruguai no Carnaval.

Adorni era um dos nomes mais próximos a Milei. Havia sido porta-voz desde a posse em dezembro de 2023 e recebeu promoção para chefe de gabinete em novembro de 2025. Em abril, negou qualquer crime diante do Congresso, dizendo que construíra seu patrimônio antes de entrar no governo e que todas as viagens foram pagas com recursos próprios. Mas em junho mudou o tom: admitiu ao jornal La Nación ter guardado dinheiro não declarado durante anos — 'como todos os argentinos', disse — e retificou suas declarações de impostos de 2023 e 2024 para incluir cerca de meio milhão de dólares que não havia reportado. 'Faço um mea culpa por ter arrastado um erro involuntário', declarou.

Milei havia defendido o aliado publicamente em maio, garantindo que ele não sairia. A pressão, porém, foi maior. Na carta de renúncia publicada no X, Adorni escreveu que, pela primeira vez desde dezembro de 2023, agia contra a vontade do presidente — e que saía em paz, com a consciência tranquila.

A renúncia chega num momento já fragilizado para o governo. A aprovação de Milei caiu de 53% para 39% em um ano, a inflação segue corroendo o poder de compra dos argentinos, e agora o presidente perde um de seus colaboradores mais próximos em meio a acusações de má conduta financeira.

Manuel Adorni saiu do governo argentino no sábado, 27 de junho, deixando para trás um cargo que havia ocupado por apenas sete meses. O chefe de gabinete do presidente Javier Milei renunciou após semanas de investigações sobre seus gastos pessoais — viagens de primeira classe, férias em Aruba no Natal, um voo em jato particular para o Uruguai no Carnaval — despesas que pareciam incompatíveis com o que ele ganhava.

Adorni era um homem próximo a Milei desde o início. Quando o presidente assumiu em dezembro de 2023, Adorni foi nomeado porta-voz. Em novembro de 2025, recebeu a promoção para chefe de gabinete. Na carta de renúncia publicada na rede social X, Adorni escreveu que pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023 agia contra a vontade de Milei. "Estou encerrando este capítulo. Saio em paz e com serenidade, mas, acima de tudo, com a consciência tranquila", afirmou.

O escândalo começou com acusações de enriquecimento ilícito. Adorni respondeu inicialmente negando qualquer crime, afirmando ao Congresso em abril que havia construído seu patrimônio antes de entrar no governo e que todas as viagens familiares foram pagas com dinheiro próprio. Mas em junho, em entrevista ao jornal La Nación, sua narrativa mudou. Ele admitiu ter guardado dinheiro não declarado durante anos — "como todos os argentinos", disse — e retificou suas declarações de impostos de 2023 e 2024 para incluir aproximadamente meio milhão de dólares que não havia reportado antes. "Faço um mea culpa por ter arrastado um erro involuntário, e vou pagar tudo o que for devido", declarou.

Milei havia defendido seu chefe de gabinete publicamente. Em maio, disse ao La Nación que "de jeito nenhum Adorni sairia" e que ele "não iria condenar um inocente". Mas a pressão continuou crescendo, e Adorni decidiu sair.

A renúncia chega em um momento delicado para o governo. Milei não apenas enfrenta denúncias de corrupção em sua administração, mas também vê sua aprovação despencar. Uma pesquisa da Opina Argentina realizada em maio mostrou que apenas 39% dos eleitores têm uma imagem positiva do presidente — uma queda significativa dos 53% registrados um ano antes. A inflação continua corroendo o poder de compra dos argentinos, e agora o governo perde um dos nomes mais próximos ao presidente em meio a acusações de má conduta financeira.

Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, vou contra a sua vontade
— Manuel Adorni, em carta de renúncia a Milei
Faço um mea culpa por ter arrastado um erro involuntário, e vou pagar tudo o que for devido
— Manuel Adorni, em entrevista ao La Nación
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que alguém tão próximo a Milei sairia agora, depois de meses defendendo sua inocência?

Model

Porque a pressão pública e as investigações não paravam. Adorni tentou se defender, mas quando admitiu que havia guardado dinheiro não declarado, a narrativa desabou. Ficar virou insustentável.

Inventor

Ele realmente cometeu um crime, ou foi só uma questão de declaração de impostos?

Model

Ele próprio chamou de "erro involuntário". Admitiu não ter declarado meio milhão de dólares. Isso é uma violação fiscal, não necessariamente corrupção no sentido de roubo de dinheiro público. Mas para um governo que prometeu combater a corrupção, a ironia é devastadora.

Inventor

Milei o defendeu publicamente. Como o presidente fica agora?

Model

Enfraquecido. Perdeu um confidente próximo, sua aprovação caiu de 53% para 39% em um ano, e agora tem que explicar por que confiou em alguém que guardava dinheiro não declarado. É um golpe na credibilidade.

Inventor

Adorni vai enfrentar consequências legais?

Model

Ele disse que vai provar sua inocência na Justiça. Mas admitiu o erro fiscal e disse que vai pagar o que for devido. Provavelmente haverá multas e possível processo, mas o dano político já foi feito.

Inventor

Isso muda algo na Argentina?

Model

Muda a narrativa. Milei chegou ao poder prometendo limpar a corrupção. Agora seu próprio gabinete está sob investigação. Isso alimenta a desconfiança em um momento em que a economia já está frágil.

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