Nadella defende leis claras sobre discurso online em vez de ações unilaterais das big techs

Depender de qualquer CEO para manter a democracia não é sustentável
Nadella argumenta que as decisões sobre conteúdo online devem ser guiadas por leis, não por escolhas individuais de executivos.

Nadella critica ações unilaterais de empresas de mídia social, defendendo que leis e normas devem guiar decisões sobre contas controversas como a de Donald Trump. Microsoft enfrenta pressões regulatórias antitruste globais, enquanto Nadella argumenta que competição robusta e modelos de negócio alinhados ao bem-estar público são essenciais.

  • Satya Nadella é CEO da Microsoft há sete anos; ações subiram mais de 500%
  • Nadella defende leis claras sobre discurso online em vez de ações unilaterais das big techs
  • Microsoft enfrenta investigações antitruste globais e acusações da Slack sobre práticas anticompetitivas
  • Nadella argumenta que competição robusta, incluindo com potências como China, é saudável para o setor

Satya Nadella, CEO da Microsoft, argumenta que big techs precisam de marcos legais claros em vez de decisões unilaterais sobre contas polêmicas, citando a importância para democracias estáveis.

Satya Nadella, o executivo que transformou a Microsoft nos últimos sete anos, acredita que as grandes plataformas de mídia social estão enfrentando um problema que nenhuma empresa deveria resolver sozinha. Quando o Twitter, o Facebook e o YouTube decidiram remover a conta de Donald Trump após o motim no Capitólio em janeiro, essas empresas se viram no centro de uma questão fundamental: quem deveria determinar o que é aceitável dizer na internet?

Para Nadella, a resposta não é deixar que os CEOs das redes sociais façam essas escolhas. Em uma entrevista à Bloomberg Television, ele argumentou que as ações unilaterais das empresas individuais não são sustentáveis a longo prazo em democracias como a dos Estados Unidos. "Precisamos ser capazes de ter uma estrutura de leis e normas", disse ele, explicando que depender de qualquer executivo para tomar decisões que afetam algo tão fundamental quanto a democracia não é um caminho que ele, como cidadão, apoiaria.

A posição de Nadella é particularmente interessante porque a Microsoft não opera redes sociais para consumidores. Ainda assim, a empresa foi puxada para esse debate porque fornece serviços de computação em nuvem — a infraestrutura que sustenta muitas dessas plataformas. Quando as empresas de tecnologia começaram a remover contas e aplicativos após os eventos de janeiro, provedores de nuvem como a Microsoft também enfrentaram pressão para tomar posições.

O CEO também tocou em um tema mais amplo que preocupa reguladores em todo o mundo: o poder excessivo das grandes empresas de tecnologia. A Microsoft enfrentou investigações antitruste e processos nos Estados Unidos, embora tenha escapado do escrutínio mais intenso que recaiu sobre Facebook, Google e Amazon. Nadella argumenta que é melhor para as empresas de tecnologia mais jovens enfrentarem competição robusta desde cedo, quando ainda são pequenas, do que esperar até que seu tamanho cause danos aos consumidores e aos concorrentes. "O mais importante é que você precisa ter um modelo de negócios que realmente esteja alinhado com o bem-estar do mundo", afirmou.

Nadella também defendeu a ideia de que as empresas de tecnologia americanas precisam reconhecer que não têm um direito divino de dominar o setor globalmente. Ele sugeriu que a competição com potências tecnológicas rivais, incluindo a China, é saudável, embora cada governo deva considerar preocupações legítimas de segurança nacional. "Todos nós na Costa Oeste dos Estados Unidos precisamos ter mais bases", disse ele, "porque às vezes acho que celebramos demais nossos próprios avanços."

Essas observações chegam em um momento em que a Microsoft enfrenta suas próprias acusações de práticas anticompetitivas. A Slack Technologies, que está sendo adquirida pela Salesforce, pediu aos reguladores da União Europeia que investigassem a Microsoft por distribuir injustamente seu software de colaboração Teams junto com seus programas de produtividade Office 365. Nadella rejeitou essas alegações, questionando se a Slack teria sequer existido sem acesso gratuito à plataforma Windows. Ele argumentou que a Microsoft oferece uma das plataformas mais abertas disponíveis, tanto no Windows quanto no Office 365, e que a Slack nunca precisou de permissão da Microsoft para operar.

Desde que Nadella assumiu o cargo de CEO há sete anos, as ações da Microsoft subiram mais de 500%, transformando a empresa em uma das mais valiosas do mundo. Mas enquanto a empresa prospera, o debate sobre como as gigantes da tecnologia devem ser reguladas continua se intensificando — e Nadella está deixando claro que acredita que a solução não virá das próprias empresas, mas das leis que os governos precisam estabelecer.

A ação unilateral de empresas individuais em democracias como a nossa não é estável a longo prazo. Precisamos ser capazes de ter uma estrutura de leis e normas.
— Satya Nadella, CEO da Microsoft
O mais importante é que você precisa ter um modelo de negócios que realmente esteja alinhado com o bem-estar do mundo.
— Satya Nadella
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Quando Nadella diz que ações unilaterais não são estáveis a longo prazo, ele está realmente pedindo regulação, ou está tentando se afastar de uma decisão difícil?

Model

Ele está fazendo ambas as coisas. Nadella está dizendo que as empresas de tecnologia não deveriam estar nessa posição em primeiro lugar — que é injusto pedir a um CEO que decida questões de liberdade de expressão. Mas também está reconhecendo que alguém precisa decidir, e se não forem as empresas, então têm que ser os governos.

Inventor

Mas a Microsoft também enfrenta acusações de anticompetição. Não é um pouco conveniente defender regulação quando você está sendo investigado?

Model

É verdade que há uma tensão ali. Mas Nadella está argumentando algo mais amplo: que a competição robusta é melhor para todos, inclusive para a Microsoft. Ele não está pedindo regulação que o proteja — está pedindo que as empresas enfrentem rivais reais desde cedo.

Inventor

Ele menciona a China. Por que isso importa nessa conversa sobre discurso online?

Model

Porque Nadella está conectando dois fios diferentes. Ele quer que os EUA tenham leis claras sobre conteúdo online, mas também quer que as empresas americanas compitam globalmente sem proteção artificial. Ele está dizendo que você não pode ter ambas as coisas — não pode pedir regulação doméstica rigorosa e depois esperar que o governo proteja suas empresas da concorrência internacional.

Inventor

E quanto à Slack? Ele realmente acredita que a Slack não teria existido sem o Windows?

Model

Ele está fazendo um ponto sobre acesso. A Slack construiu seu negócio em cima de plataformas que a Microsoft criou, mas sem pedir permissão ou pagar taxas. Nadella está dizendo que isso é exatamente o tipo de abertura que deveria existir — então por que a Slack agora reclama que a Microsoft não é aberta o suficiente?

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