A gente vem aqui para ser otário. E para ser otário não compensa viajar 2.200 quilômetros.
No Maracanã, um amistoso de preparação tornou-se palco de uma disputa mais antiga e mais profunda: a desconfiança entre clubes visitantes e as estruturas locais do futebol brasileiro. Rogério Ceni, treinador do Bahia, havia pedido imparcialidade antes do jogo contra o Fluminense e recebeu, em resposta, uma equipe de arbitragem inteiramente carioca. O que se seguiu — um gol anulado com justificativas contraditórias, um pênalti ignorado, outro concedido — alimentou a convicção de que viajar 2.200 quilômetros para ser prejudicado é uma forma de ingenuidade que o futebol sério não pode se dar ao luxo de repetir.
- Ceni havia feito um pedido explícito por um árbitro neutro, mas recebeu uma equipe de arbitragem composta inteiramente por profissionais vinculados ao futebol carioca.
- No primeiro tempo, um gol legítimo do Bahia foi anulado com justificativas que mudaram de um jogador para outro, destruindo a credibilidade da decisão aos olhos do treinador.
- Um pênalti claro sobre Ademir foi ignorado no primeiro tempo, enquanto uma falta semelhante foi prontamente assinalada contra o Bahia no segundo — a inconsistência foi o verdadeiro estopim da crise.
- Hulk converteu o pênalti, o Fluminense venceu, e Ceni deixou o estádio com a sensação de que o resultado havia sido orientado, não conquistado.
- Com quatro dias até o retorno ao Brasileirão contra a Chapecoense, o Bahia precisa transformar a indignação em foco antes que a raiva consuma o que o amistoso deveria ter construído.
Rogério Ceni deixou o Maracanã convencido de que a arbitragem havia sabotado seu time. O amistoso contra o Fluminense era um teste legítimo de pré-temporada, mas o treinador havia feito um pedido antes da partida: que não escalassem um árbitro do Rio de Janeiro. A resposta foi Jodis Nascimento de Souza e toda a sua equipe — todos cariocas, todos vinculados ao futebol local.
No primeiro tempo, Erick marcou em lance de escanteio. O árbitro anulou, primeiro apontando falta de Willian José, depois mudando para Nico Acevedo. Ceni não conteve a frustração: "Aí ele diz que foi falta de Willian, mas o Willian nem toca no jogador. Aí depois ele diz que foi falta de Nico. Perde a credibilidade." Havia ainda um pênalti claro sobre Ademir que simplesmente não foi marcado.
No segundo tempo, com o elenco já modificado, uma falta sobre Samuel Xavier gerou pênalti sem hesitação. Hulk converteu, o Fluminense saiu na frente. A inconsistência foi o que mais irritou Ceni — não os lances isolados, mas o padrão revelado por eles.
O treinador tentou salvar algo do resultado: "Como teste, foi muito bom," disse, reconhecendo que o Bahia poderia ter vencido por 2 a 0 com melhor aproveitamento. Mas a raiva subjacente era inegável. "A gente vem aqui para ser otário. E para ser otário não compensa viajar 2.200 quilômetros," disparou. Sua conclusão foi amarga: saíram satisfeitos o Fluminense, Hulk e os torcedores locais. O Bahia ficou para trás.
Agora Ceni tem quatro dias para processar a frustração e preparar o time para o retorno ao Brasileirão, na sexta-feira, contra a Chapecoense, na Arena Fonte Nova — o reencontro do Tricolor baiano com as competições após a pausa da Copa do Mundo.
Rogério Ceni saiu do Maracanã com a sensação de ter sido enganado. O treinador do Bahia havia vindo ao Rio de Janeiro para um amistoso contra o Fluminense — um teste legítimo antes do retorno às competições oficiais — e deixou o estádio convencido de que a arbitragem havia sabotado seu time.
O jogo aconteceu em clima de preparação. O Bahia havia jogado bem na intertemporada, enfrentando também o Montevideo City Torque, e Ceni via esses confrontos como ferramentas valiosas para afinar o trabalho nas semanas de treinamento. Mas quando chegou a hora de enfrentar o Fluminense, algo mudou. Ceni havia feito um pedido simples antes da partida: que não escalassem um árbitro do Rio de Janeiro. A resposta foi Jodis Nascimento de Souza, acompanhado pelos assistentes Thiago Filemon Soares e Naiara Tavares, e o quarto árbitro Thiago Ludugério — todos cariocas, todos vinculados ao futebol local.
No primeiro tempo, quando o Bahia ainda utilizava sua equipe considerada titular, Erick marcou um gol em lance de escanteio. O árbitro anulou a jogada. Ceni viu a decisão como arbitrária: Nascimento primeiro apontou falta de Willian José, depois mudou para falta de Nico Acevedo. O treinador não conseguiu conter a frustração. "Aí ele diz que foi falta de Willian, mas o Willian nem toca no jogador. Aí depois ele diz que foi falta de Nico. Perde a credibilidade," reclamou. Havia também um pênalti claro no Ademir que não foi marcado — uma chance clara que o Bahia desperdiçou por falta de decisão do árbitro.
No segundo tempo, com o time completamente modificado, Luiz Gustavo cometeu falta em Samuel Xavier. Desta vez, o pênalti foi marcado com convicção. Hulk converteu, e o Fluminense saiu na frente. A inconsistência irritou Ceni profundamente. Não era apenas sobre os lances em si, mas sobre o padrão: como um árbitro podia ser tão hesitante em uma situação e tão seguro em outra, especialmente quando ambas pareciam claras?
Ceni tentou enquadrar o resultado como útil apesar de tudo. "Como teste, foi muito bom," disse, reconhecendo que o primeiro tempo havia oferecido oportunidades reais de aprendizado e que o Bahia poderia ter vencido por 2 a 0 se tivesse aproveitado suas chances. Mas a raiva subjacente era inegável. "A gente vem aqui para ser otário. E para ser otário não compensa viajar 2.200 quilômetros," disparou. Ele questionava a própria lógica de viajar tão longe para ser prejudicado por um árbitro que, na sua avaliação, havia sido contratado para garantir um resultado específico.
O treinador finalizou com uma observação amarga sobre quem saiu satisfeito do estádio: o Fluminense, que venceu; Hulk, que marcou; e todos os torcedores locais. O Bahia, prejudicado pela arbitragem, ficou para trás. Agora Ceni tinha quatro dias para processar a frustração e preparar o time para o retorno oficial ao Campeonato Brasileiro, na sexta-feira, contra a Chapecoense, na Arena Fonte Nova. Era um jogo atrasado da quarta rodada, marcando o reencontro do Tricolor baiano com as competições após a pausa da Copa do Mundo.
Citas Notables
Aí ele diz que foi falta de Willian, mas o Willian nem toca no jogador. Aí depois ele diz que foi falta de Nico. Perde a credibilidade.— Rogério Ceni, treinador do Bahia
A única coisa que eu pedi foi para colocar um juiz de fora, de qualquer lugar do país, para ficar um jogo sério.— Rogério Ceni
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Ceni pediu especificamente um árbitro de fora do Rio de Janeiro?
Porque ele sabia que um árbitro carioca teria vínculos com o Fluminense — amizades, conhecidos no meio, pressão local. Um juiz neutro, de outro estado, não teria nada a ganhar ou perder com o resultado.
Mas o gol anulado foi realmente irregular?
Ceni diz que não. O árbitro mudou de ideia sobre qual jogador havia cometido falta, o que sugere que ele próprio não tinha certeza. Isso é o que mais incomoda — não a decisão em si, mas a falta de convicção.
E quanto ao pênalti que não foi marcado no Ademir?
Ceni o chamou de "claríssimo". No segundo tempo, um pênalti igualmente claro foi marcado sem hesitação. A diferença de critério é o que alimenta a suspeita de que algo estava errado.
Ceni realmente acredita que o árbitro foi contratado para fazer o Fluminense vencer?
Ele não diz isso explicitamente, mas a implicação está lá. Quando um árbitro é hesitante em uma situação e seguro em outra, e ambas favorecem o time da casa, fica difícil não pensar assim.
Como isso afeta o Bahia agora?
É um teste perdido. O Bahia precisava de um amistoso sério antes de voltar ao Brasileirão, e em vez disso saiu com raiva e dúvidas sobre a competência da arbitragem. Mas pelo menos Ceni tem quatro dias para refazer o foco.