Celulares apreendidos na cela de pai e primo de Vorcaro em presídio de MG

Henrique e Felipe Vorcaro encontram-se em prisão preventiva como parte de investigação sobre fraudes bancárias e atividades criminosas.
Se conseguiram manter contato lá fora, a rede continua funcionando
A descoberta dos celulares sugere que a investigação sobre a estrutura criminosa de Vorcaro está longe de terminar.

Em uma penitenciária de Contagem, Minas Gerais, a descoberta de dois celulares escondidos próximos às celas de Henrique e Felipe Vorcaro levanta uma questão que transcende o caso individual: até onde os muros de uma prisão são capazes de conter não apenas corpos, mas redes de influência e comunicação? A apreensão, realizada na noite de segunda-feira por agentes da Polícia Penal, alimenta uma investigação federal sobre fraudes bancárias que já alcançou o Supremo Tribunal Federal. O silêncio forçado que a prisão deveria impor pode, afinal, ter sido burlado por aparelhos do tamanho de uma palma de mão.

  • Dois celulares foram encontrados escondidos na ala 3 da penitenciária Nelson Hungria, perigosamente próximos às celas de pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
  • A operação foi deflagrada pela inteligência penitenciária de Brasília, que suspeitava de comunicação não autorizada entre os presos e o mundo exterior.
  • Além dos celulares, agentes apreenderam chips, carregadores, um smartwatch e porções de fumo — mas apenas os aparelhos foram encaminhados à Polícia Federal.
  • O STF já referendou a prisão preventiva de ambos, e a PF agora aguarda autorização judicial para acessar o conteúdo dos telefones.
  • O caso se insere em uma investigação maior sobre fraudes do Banco Master e grupos criminosos com perfil hacker supostamente coordenados por Daniel Vorcaro.

Na noite de 22 de junho, agentes da Polícia Penal de Minas Gerais realizaram uma operação de varredura na ala 3 da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. O alvo era detectar comunicação não autorizada nas proximidades das celas de Henrique e Felipe Vorcaro — pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ambos em prisão preventiva. Nas celas dos dois homens, nada foi encontrado. Mas ali perto, escondidos, estavam dois celulares.

A operação partiu do Comando de Operações Especiais Penitenciárias, orientado pela inteligência penitenciária de Brasília. Junto aos aparelhos, foram apreendidos chips, carregadores, um smartwatch e porções de fumo. Apenas os celulares foram considerados relevantes para a investigação federal e encaminhados imediatamente à Polícia Federal.

Henrique foi preso em 14 de maio, na sexta fase da operação Compliance Zero. Felipe havia sido detido uma semana antes, na quinta fase. Segundo a PF, Henrique integraria grupos criminosos chamados 'A Turma' e 'Os Meninos', estruturas com perfil hacker supostamente ligadas a Daniel Vorcaro. Na semana anterior à apreensão, o STF referendou por maioria a manutenção das prisões preventivas dos dois.

Agora, a Polícia Federal precisa de autorização judicial para acessar o conteúdo dos telefones. O que se busca saber é direto: os aparelhos foram usados para manter contato com pessoas fora da prisão, e o que circulou por eles.

Na noite de segunda-feira, 22 de junho, agentes da Polícia Penal de Minas Gerais entraram na ala 3 da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, com ordens de busca. O que procuravam eram sinais de comunicação não autorizada — e o que encontraram foram dois celulares escondidos em uma cela próxima àquela onde estão presos Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A operação havia sido deflagrada pelo Comando de Operações Especiais Penitenciárias seguindo orientações da inteligência penitenciária de Brasília. Os alvos declarados eram "os Vorcaro", mas quando os agentes chegaram às celas onde os dois homens estão detidos preventivamente, nada foi encontrado. Os aparelhos, porém, estavam ali perto — tão próximos que a Secretaria de Segurança e Justiça de Minas Gerais decidiu encaminhá-los imediatamente à Polícia Federal.

Junto aos celulares, os agentes apreenderam chips de telefone, carregadores completos, um smartwatch e porções de fumo. Mas apenas os dois aparelhos foram considerados relevantes o bastante para a investigação federal. A Polícia Federal, que conduz as apurações sobre as fraudes do Banco Master, agora precisa obter autorização judicial para acessar o conteúdo desses telefones. O objetivo é claro: determinar se Henrique e Felipe Vorcaro os utilizaram para manter contato com pessoas do lado de fora da prisão, recebendo ou repassando informações.

Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio durante a sexta fase da operação Compliance Zero. Seu primo Felipe havia sido capturado uma semana antes, no dia 7 de maio, na quinta fase da mesma investigação. Segundo a Polícia Federal, Henrique seria membro de dois grupos criminosos conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos", estruturas que integravam uma rede paralela de vigilância e intimidação supostamente coordenada por Daniel Vorcaro. Esses grupos, conforme apontam os investigadores, reuniam pessoas com "perfil hacker".

Na semana anterior à descoberta dos celulares, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal referendou, por maioria, as decisões do ministro André Mendonça que mantiveram ambos em prisão preventiva. A decisão da corte consolidou as medidas cautelares que já estavam em vigor. Agora, com os aparelhos em mãos, a Polícia Federal segue seu próximo passo: solicitar à Justiça o acesso aos dados armazenados neles, na esperança de que revelem como a comunicação entre o interior da penitenciária e o mundo exterior estava sendo mantida.

A Polícia Federal afirma que Henrique Vorcaro seria integrante de grupos criminosos conhecidos como 'A Turma' e 'Os Meninos', que integravam uma estrutura paralela de vigilância e intimidação supostamente comandada por Daniel Vorcaro
— Polícia Federal
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que esses celulares importam tanto se Henrique e Felipe já estão presos?

Model

Porque a prisão não encerra a investigação. Se eles conseguiram manter contato com pessoas lá fora, isso muda tudo — significa que a rede criminosa continua funcionando, que há pessoas coordenando ações de fora da cadeia.

Inventor

E como dois celulares acabam em uma cela se há revista?

Model

Essa é a pergunta que a Polícia Federal quer responder. Alguém passou esses aparelhos para dentro. Pode ter sido um visitante, um funcionário, alguém com acesso. O fato de estarem tão perto da cela deles sugere que não era acidental.

Inventor

Qual é o risco real se conseguirem acessar esses telefones?

Model

Tudo. Mensagens, contatos, registros de chamadas. Se Daniel Vorcaro ou seus associados estavam usando esses aparelhos para dar ordens, coordenar atividades, intimidar testemunhas — tudo fica documentado.

Inventor

Isso muda a situação legal deles?

Model

Potencialmente, sim. Se encontrarem evidências de que continuaram participando de atividades criminosas de dentro da prisão, isso fortalece o caso contra eles e pode resultar em novas acusações.

Inventor

E se os aparelhos estiverem vazios, sem nada?

Model

Mesmo assim, o fato de estarem lá é incriminador. Alguém os colocou ali. A Polícia Federal vai investigar quem, quando e por quê.

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