Polícia recupera 13 celulares roubados em SP através de monitoramento no Rio Grande do Sul

Vítimas de furto e roubo sofreram prejuízos financeiros, incluindo compras não autorizadas com cartões vinculados aos celulares roubados.
Quando a polícia me ligou, achei que era trote
A reação de uma vítima ao ser informada que seu celular roubado havia sido recuperado após um ano.

Sistema SP Mobile identifica celulares furtados reativados em novas linhas telefônicas em outros estados, permitindo rastreamento e recuperação. Desde sua criação, o programa recuperou mais de 28 mil celulares, com 9,4 mil restituídos aos donos; parceria entre estados intensifica combate ao crime.

  • 13 celulares roubados em São Paulo foram recuperados no Rio Grande do Sul
  • Sistema SP Mobile identificou aparelhos reativados em novas linhas telefônicas
  • Mais de 28 mil celulares recuperados desde a criação do programa; 9,4 mil restituídos
  • São Paulo registra média de 960 roubos e furtos de celulares por dia
  • Criminosos publicam roubos em redes sociais com até 100 mil visualizações

Treze celulares roubados em São Paulo foram recuperados no Rio Grande do Sul através de sistema de monitoramento da Polícia Civil. A ação conjunta entre polícias estaduais devolveu os aparelhos aos proprietários nesta sexta-feira.

Treze celulares desaparecidos das ruas de São Paulo voltaram para as mãos de seus donos na sexta-feira passada, recuperados a centenas de quilômetros de distância, no Rio Grande do Sul. A operação conjunta entre as polícias civis dos dois estados ilustra como a tecnologia e a cooperação entre jurisdições conseguem, às vezes, desfazer o que a criminalidade faz todos os dias.

Os aparelhos haviam sido roubados ou furtados em diferentes pontos da capital e da região metropolitana paulista. O que tornava seu rastro possível era um detalhe que os criminosos talvez não esperassem: após subtraírem os celulares, os suspeitos os reativavam em novas linhas telefônicas, desta vez no Rio Grande do Sul. Foi justamente nesse ponto que o sistema de monitoramento da Polícia Civil de São Paulo, conhecido como SP Mobile, conseguiu identificá-los. Com as informações compartilhadas entre os estados, equipes gaúchas localizaram os aparelhos e possibilitaram a devolução.

Para Fábio Antunes, de 42 anos, a notícia chegou como um choque. Seu celular havia sido roubado há cerca de um ano enquanto ele aguardava em um semáforo próximo ao Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital. Ele havia registrado boletim de ocorrência na época, mas não alimentava esperanças de rever o aparelho. Quando a polícia ligou informando que havia recuperado o celular, sua primeira reação foi desconfiar que se tratava de uma brincadeira. O aparelho ainda estava sendo pago quando foi levado.

Isabela de Souza, analista de 26 anos, também recebeu seu celular de volta. Ela havia sido vítima de furto durante um rodeio em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. O aparelho estava no bolso fechado da blusa do namorado quando desapareceu sem que o casal percebesse. Além da perda do celular, os suspeitos ainda utilizaram o cartão vinculado ao aparelho para fazer compras no valor de aproximadamente mil reais. Como Fábio, Isabela havia praticamente desistido de recuperar o aparelho.

O programa SP Mobile, coordenado pelo delegado Rodolfo Latiff Sebba, funciona monitorando celulares com registro de furto ou roubo que voltam a ser utilizados em novas linhas telefônicas. O cruzamento dessas informações permitiu identificar aparelhos subtraídos em São Paulo sendo usados no Rio Grande do Sul. Segundo o delegado, existe uma percepção clara de que muitos celulares furtados ou roubados em São Paulo ultrapassam as fronteiras do estado. O objetivo é entender como esses aparelhos chegam a outros estados e combater a cadeia criminosa envolvida nesse deslocamento.

Desde sua criação, o programa já recuperou mais de 28 mil celulares, dos quais 9,4 mil foram restituídos aos proprietários. A parceria entre São Paulo e Rio Grande do Sul começou no fim do ano passado, conforme informou a secretária-adjunta da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, delegada Adriana Regina da Costa. A Polícia Civil orienta que vítimas de furto, roubo ou perda informem o número do IMEI — código único de identificação do aparelho — ao registrar o boletim de ocorrência, pois esse dado é essencial para o rastreamento e a comprovação da propriedade.

Mas enquanto a polícia consegue recuperar alguns aparelhos, a escala do problema permanece assustadora. São Paulo registrou, até março de 2026, uma média de 109.836 roubos e furtos, o que equivale a cerca de 40 crimes por hora ou 960 por dia, segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública. Parte desses crimes, principalmente os ligados a celulares, são exibidos nas redes sociais pelos próprios suspeitos, que transformaram as plataformas digitais em uma vitrine de crimes, onde os objetos roubados se tornam troféus a serem ostentados.

Um levantamento realizado pela Itatiaia em parceria com a CNN Brasil identificou diversos perfis que publicam conteúdos ligados à ostentação do crime. Entre as postagens, há vídeos que mostram suspeitos cometendo roubos e furtos de celulares e correntes, com registros que chegam a cem mil visualizações. As imagens indicam um padrão claro: enquanto um dos envolvidos grava, outro, geralmente de bicicleta, realiza o ataque. Em algumas publicações, aparecem também os chamados quebra-vidros, que esmurram janelas de carros para roubar objetos. Com frases como "Terror da madrugada é nós, seus modinhas" e "Moscou, nós levou", os suspeitos utilizam a internet para zombar das vítimas.

A Secretaria de Segurança Pública informou que, até o momento, não localizou boletins de ocorrência relacionados diretamente aos perfis citados, mas reforçou que denúncias devem ser encaminhadas às autoridades. A Meta, responsável por Facebook e Instagram, declarou que não permite o uso de seus serviços para promover atividades criminosas e afirmou que remove esse tipo de conteúdo sempre que identifica violações. O que fica claro é que a recuperação de treze celulares, embora importante para as vítimas, representa apenas uma pequena fração de um problema que cresce nas ruas e nas redes sociais simultaneamente.

Existe a percepção de que muitos celulares furtados ou roubados em São Paulo ultrapassam as fronteiras do estado. Estamos identificando essa movimentação para entender como esses aparelhos chegam a outros estados e combater essa cadeia criminosa.
— Delegado Rodolfo Latiff Sebba, coordenador do programa SP Mobile
Nem imaginava mais que esse celular existia. Não acreditava que pudesse recuperar.
— Isabela de Souza, vítima de furto
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como um celular roubado em São Paulo acaba sendo reativado no Rio Grande do Sul? Parece um salto geográfico grande.

Model

Não é tão complicado quanto parece. Criminosos roubam o aparelho, desativam a linha original e o reativam com uma nova linha em outro estado. Eles contam com a distância para se sentirem seguros. Mas o sistema SP Mobile consegue rastrear esse movimento porque identifica quando um celular com registro de roubo volta a ser utilizado.

Inventor

E por que os criminosos fazem isso? Por que não vendem o aparelho como está?

Model

Vender um celular roubado é mais arriscado. Se a vítima bloqueia a linha, o aparelho fica inútil para quem compra. Reativando em uma nova linha, eles conseguem usar o aparelho normalmente, fazer compras com cartões vinculados, acessar contas. É mais lucrativo e oferece mais oportunidades de crime.

Inventor

Mas então por que eles postam os roubos nas redes sociais? Isso não os expõe?

Model

Expõe, sim. Mas para muitos desses criminosos, a ostentação é parte do crime. É uma forma de ganhar status, de se afirmar. As visualizações, os comentários, a reputação online — tudo isso importa. É uma lógica diferente da criminalidade tradicional.

Inventor

A polícia consegue usar essas postagens para investigar?

Model

Teoricamente sim, mas a Secretaria de Segurança Pública disse que ainda não localizou boletins de ocorrência diretamente relacionados aos perfis que publicam esses conteúdos. Há um descompasso entre o que está visível nas redes e o que a polícia consegue processar legalmente.

Inventor

Então a recuperação desses treze celulares é uma vitória pequena em um problema muito maior?

Model

Exatamente. É uma vitória real para as vítimas que receberam seus aparelhos de volta. Mas quando você vê que São Paulo tem 960 roubos e furtos por dia, esses treze celulares são apenas um ponto em um gráfico muito maior.

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