Celina diz que acordo com a União "retira o BRB de dificuldade"

A crise do Banco Master afetou correntistas e instituições públicas do DF, incluindo titulares de depósitos judiciais que somam dezenas de bilhões de reais.
Retira o BRB de um momento de dificuldade porque cumprimos o dever de casa
Celina Leão reconhece o esforço anterior do banco e a importância do acordo federal para evitar colapso.

No coração de Brasília, uma crise financeira silenciosa ameaçava engolir o banco que sustenta a economia do Distrito Federal. Na terça-feira, dentro do Supremo Tribunal Federal, o GDF e o governo federal encontraram um caminho comum — um acordo de até R$ 6,6 bilhões que afasta o colapso imediato do BRB e lembra que, em momentos de ruptura institucional, a arquitetura do Estado ainda pode ser mobilizada para proteger os mais vulneráveis. O escândalo do Banco Master, que desencadeou a crise, segue sob investigação criminal, deixando em aberto a questão mais profunda: quem responde pelos danos causados a uma população inteira.

  • O BRB estava à beira do colapso após ser arrastado pelo escândalo do Banco Master, colocando em risco bilhões em depósitos de cidadãos comuns e de instituições públicas do DF.
  • O limite fiscal imposto pelo plano de ajuste do DF travava qualquer saída — o governo local só poderia contratar crédito de até R$ 900 milhões, insuficiente para cobrir o rombo.
  • O GDF levou o impasse ao STF, argumentando que a sua baixa nota de capacidade de pagamento tornava inviável qualquer operação com garantia federal.
  • O acordo fechado na terça usa o FGC como credor, o Sindicato de Bancos como fiador e cotas de fundos de participação como contragarantia — sem aval direto da União.
  • A União cedeu ao flexibilizar os critérios fiscais, e o BRB já havia vendido R$ 4 bilhões em ativos como sinal de comprometimento antes do socorro.
  • A crise de liquidez encontrou resposta, mas as investigações criminais contra os responsáveis pelo Banco Master continuam, e a conta moral ainda está aberta.

Na terça-feira, dentro do Supremo Tribunal Federal, o Distrito Federal e o governo federal selaram um acordo que afasta o risco imediato de colapso do Banco de Brasília. A governadora Celina Leão deixou a reunião aliviada, descrevendo o pacto como o momento em que o BRB foi retirado de uma situação de grave dificuldade.

A operação estruturada prevê crédito de até R$ 6,6 bilhões tomado pelo GDF junto ao Fundo Garantidor de Crédito. O Sindicato de Bancos entra como fiador, e o governo local oferece contragarantias com cotas do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios — sem necessidade de aval direto da União. O que a União fez foi flexibilizar os critérios do plano fiscal do DF, que até então limitavam a contratação de crédito a apenas R$ 900 milhões, tornando qualquer solução de escala impossível.

O BRB não chegou ao acordo de mãos vazias. O banco já havia vendido R$ 4 bilhões em ativos como parte do esforço próprio de recuperação — um gesto que Celina reconheceu com gratidão, sinalizando que a instituição cumpriu seu dever antes de pedir socorro. O que estava em jogo era concreto: depósitos de correntistas, recursos de instituições públicas e dezenas de bilhões em depósitos judiciais de pessoas aguardando decisões nos tribunais.

O caminho até o acordo passou pelo STF porque o GDF havia protocolado uma ação pedindo que sua nota de capacidade de pagamento — classificada como baixa — deixasse de ser exigida em operações voltadas especificamente à recuperação do BRB. A Advocacia-Geral da União propôs uma audiência, que aconteceu nesta terça. Um segundo encontro está marcado para a próxima segunda-feira.

A crise de liquidez encontrou resposta, mas Celina foi clara: as investigações criminais sobre o Banco Master seguem em curso, e ela confia que os responsáveis pelos danos causados à população do DF serão responsabilizados. O acordo de hoje resolve o urgente — a busca por justiça ainda está em andamento.

Na terça-feira, dentro do Supremo Tribunal Federal, o Distrito Federal e o governo federal selaram um acordo que afasta o risco iminente de colapso do Banco de Brasília. A instituição, que funciona como pilar da economia local, enfrentava uma crise profunda desencadeada pelo escândalo envolvendo o Banco Master. Celina Leão, governadora do DF, deixou a reunião afirmando que o pacto "retirou o BRB de um momento de dificuldade".

O acordo prevê uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões que o GDF tomará junto ao Fundo Garantidor de Crédito. A estrutura é complexa: o Sindicato de Bancos funcionará como fiador, enquanto o governo local oferecerá contragarantias usando cotas do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios. Nenhum aval da União foi necessário para essa engrenagem funcionar. A União, por sua vez, se comprometeu a flexibilizar os critérios do plano fiscal do DF que até então limitavam o crédito que a capital poderia contratar a R$ 900 milhões.

O BRB não chegou a esse ponto por acaso. O banco já havia feito sua parte no esforço de recuperação, vendendo R$ 4 bilhões em ativos. Celina descreveu o momento como de "gratidão", reconhecendo que a instituição cumpriu seu dever de casa antes que a União estendesse a mão. O que estava em jogo era real: o banco mantém bilhões em depósitos de correntistas comuns e quantias enormes de instituições públicas, além de dezenas de bilhões em depósitos judiciais que pertencem a pessoas aguardando decisões dos tribunais.

O caminho até esse acordo não foi direto. O GDF havia protocolado uma ação no STF pedindo que a nota de capacidade de pagamento atribuída ao governo local deixasse de ser exigida em operações de crédito voltadas especificamente à recuperação do BRB. A classificação baixa dessa nota, argumentava o governo, tornava impossível prosseguir com qualquer operação que tivesse garantia da União. A Advocacia-Geral da União propôs que uma primeira audiência fosse realizada, e assim aconteceu nesta terça. Um segundo encontro está marcado para segunda-feira.

Celina também tocou no aspecto criminal da crise. As investigações sobre o Banco Master prosseguem em curso criminal, e ela expressou confiança de que as pessoas responsáveis pelos danos causados à população do DF e ao próprio BRB serão punidas. O acordo de hoje resolve a questão imediata de liquidez, mas a busca por responsabilidades continua em andamento.

Esse é um momento de gratidão. A gente retira o BRB de um momento de dificuldade porque a parte de liquidez nós cumprimos o dever de casa.
— Celina Leão, governadora do DF
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o BRB estava à beira do colapso especificamente?

Model

O Banco Master entrou em crise, e isso afetou o BRB porque havia exposição entre as duas instituições. Quando o Master desabou, o BRB ficou com um buraco enorme de liquidez.

Inventor

E por que a União não simplesmente injetou dinheiro direto?

Model

Porque o DF tinha uma nota de capacidade de pagamento muito baixa. Isso criava um paradoxo: o banco precisava de crédito, mas a classificação do governo local impedia que a União garantisse a operação. Precisavam contornar isso.

Inventor

Então o FGC é quem realmente está cobrindo o risco?

Model

Sim, com o Sindicato de Bancos como fiador. O GDF oferece contragarantias com seus fundos de participação. É uma estrutura que distribui o risco sem que a União tenha que colocar seu nome na linha de frente.

Inventor

E os correntistas? Eles estão protegidos?

Model

O FGC já cobre depósitos até certo limite. Mas o que preocupava era a quantidade de dinheiro público e depósitos judiciais no banco. Se quebrasse, afetaria toda a máquina pública do DF.

Inventor

O acordo resolve tudo?

Model

Resolve a liquidez imediata. Mas as investigações criminais continuam. Alguém tem que responder pelo que aconteceu.

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