Ter que parar de trabalhar por conta da saúde, para quem é autônomo, é muito complicado
Registrados 6.237 casos de virose em janeiro e fevereiro de 2025, contra 5.501 nos dois últimos meses de 2024, com Centro de Saúde Modelo apresentando alta de quase 50%. Transmissão ocorre de pessoa para pessoa ou por água e alimentos contaminados, com maior risco em balneários e praias com saneamento inadequado; mobilidade urbana favorece propagação após retorno de viajantes.
- 6.237 casos de virose em janeiro e fevereiro de 2025, contra 5.501 nos dois últimos meses de 2024
- Centro de Saúde Modelo registrou aumento de 49,46% em atendimentos por virose
- Transmissão ocorre de pessoa para pessoa ou por água e alimentos contaminados
- Crianças e idosos correm maior risco de complicações graves
Mais de 6 mil pessoas procuraram unidades de saúde por virose em Porto Alegre entre janeiro e fevereiro, representando aumento de 13% comparado aos últimos meses de 2024, atribuído a consumo de água e alimentos contaminados durante férias.
Mais de seis mil porto-alegrenses procuraram atendimento médico por virose nos primeiros dois meses de 2025. O salto é significativo: enquanto os últimos sessenta dias de 2024 registraram 5.501 casos nas unidades de saúde da capital, janeiro e fevereiro deste ano chegaram a 6.237 — um crescimento de 13,37% que reflete um padrão previsível mas perturbador ligado aos hábitos de férias.
O Centro de Saúde Modelo, uma das principais portas de entrada para atendimento na cidade, viu seus números dispararem ainda mais: 278 pacientes com virose em apenas dois meses, representando um aumento de quase 50% em relação ao período anterior. A médica Loren Seibel, da Secretaria Municipal da Saúde, explica o fenômeno com clareza. Durante o verão, as pessoas viajam para praias e balneários, onde enfrentam aglomerações e contato com águas contaminadas. Quando retornam a Porto Alegre, trazem consigo não apenas lembranças, mas também infecções que se propagam rapidamente pela cidade.
A transmissão ocorre de duas formas principais: de pessoa para pessoa, ou através do consumo de água e alimentos contaminados. Em locais com saneamento inadequado — característica comum em alguns balneários do litoral — o risco de infecção aumenta dramaticamente. O infectologista Diego Falci, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, reforça que a mobilidade urbana amplifica o problema. Quando viajantes retornam de áreas onde estiveram expostos a vírus causadores de doenças gastrointestinais e respiratórias, continuam transmitindo esses agentes para suas comunidades.
O impacto humano é concreto e imediato. Kelen Costa, autônoma, voltou de férias doente. Os sintomas foram intensos: dor de estômago severa seguida de diarreia que a impediu de retornar ao trabalho. Para quem vive de trabalho por demanda, essa interrupção representa perda econômica direta. Mas a situação se agravou quando toda a sua família foi infectada. Seu filho de sete anos desenvolveu os piores sintomas, gerando uma ansiedade que a levou a temer uma internação hospitalar. "Deu medo. O jeito que ele ficou… Fiquei muito receosa de que ele fosse parar no hospital", relata.
Os médicos orientam a população a adotar medidas preventivas rigorosas. Lavar bem as mãos é essencial, assim como evitar banhos em águas impróprias. Os alimentos devem ser lavados antes do consumo, e a higiene pessoal e ambiental — especialmente nos locais onde se come e circula — é fundamental. Quando a infecção já ocorreu, a recomendação é buscar atendimento médico o quanto antes, com atenção especial para crianças e idosos, que correm maior risco de complicações graves. O cenário que se desenha é o de uma cidade em alerta, onde o retorno das férias trouxe mais do que descanso.
Citações Notáveis
As pessoas vão para a praia no fim de semana, têm maiores aglomerações, contato com águas contaminadas, e voltam para a Capital, onde acabam consultando e fazendo seus tratamentos— Dra. Loren Seibel, Secretaria Municipal da Saúde
Quando elas retornam para as suas cidades, podem continuar a transmissão desses vírus— Dr. Diego Falci, infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a virose sobe justamente agora, no começo do ano?
As férias concentram as pessoas em praias e balneários onde o saneamento é fraco. Elas se expõem a água contaminada, voltam para casa e o vírus se espalha pela cidade inteira.
Mas é só água contaminada?
Não. É também pessoa para pessoa. Uma criança infectada na praia volta, vai à escola, toca em outras crianças. O vírus viaja junto com as malas.
O Centro de Saúde Modelo teve 50% de aumento. Por que justamente lá?
É uma unidade de referência, bem localizada. As pessoas procuram ali quando voltam doentes. Mas o aumento reflete o que está acontecendo em toda a cidade.
E para quem trabalha por conta própria, como a Kelen?
É devastador. Ela não pode trabalhar enquanto está doente, e não tem salário garantido. Uma semana de virose é uma semana sem renda.
As crianças sofrem mais?
Sim. Têm sintomas mais intensos e correm risco maior de complicações. Os pais ficam assustados, com razão.
O que funciona para evitar?
Higiene básica: lavar as mãos, lavar os alimentos, não entrar em água que você não confia. Parece simples, mas é o que funciona.