Contrato de R$ 38 mi liga fundo investigado ao filho de Ibaneis antes de negócios do BRB

Prejuízo estimado de R$ 8 bilhões ao banco estatal afeta recursos públicos destinados ao Distrito Federal e seus servidores.
Créditos vendidos ao BRB eram podres ou inexistentes, com prejuízo de R$ 8 bilhões
Investigações da Polícia Federal revelaram a dimensão real do dano causado pelas operações entre o banco estatal e o Banco Master.

No intervalo entre um contrato milionário e decisões de um banco estatal, emerge uma geometria de interesses que a democracia é obrigada a examinar. Em maio de 2024, um fundo ligado à Reag Investimentos transferiu R$ 38 milhões ao escritório de advocacia do filho do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha — dias antes de o BRB iniciar operações com o Banco Master. A sequência de eventos, mais do que qualquer ato isolado, levanta a questão perene sobre onde termina a coincidência e onde começa o arranjo.

  • Um pagamento de R$ 38 milhões ao escritório do filho do governador antecede em dias o início das negociações do banco estatal BRB com o Banco Master, criando uma linha do tempo que a oposição e investigadores se recusam a ignorar.
  • A Polícia Federal aponta prejuízo de ao menos R$ 8 bilhões ao BRB decorrente de créditos podres ou inexistentes vendidos pelo Banco Master — dinheiro público do Distrito Federal evaporado em operações que agora estão sob lupa.
  • A teia se adensa: após o contrato, tanto a Reag quanto Daniel Vorcaro tornaram-se acionistas do BRB, e o fundo Reag ainda apoiou a eleição de conselheiros indicados pelo próprio Ibaneis para o Conselho Fiscal do banco — dois deles renunciaram após as reportagens.
  • PSOL, Rede e PSB reagiram com pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do DF e de afastamento do governador junto ao STF, transformando o caso de suspeita financeira em crise política de primeira ordem.
  • As investigações avançam enquanto o governador sustenta que se desligou do escritório em 2018 — mas a pergunta que permanece sem resposta é se o distanciamento formal é suficiente quando os negócios do filho gravitam tão próximo das decisões do pai.

Em maio de 2024, um fundo de investimento vinculado à Reag Investimentos transferiu R$ 38 milhões para o escritório de advocacia do qual é sócio Caio Carvalho Barros, filho do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha. Poucos dias depois, o Banco de Brasília — instituição estatal sob controle do governo local — iniciou negociações financeiras com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A cronologia foi revelada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e desde então não parou de se desdobrar.

O contrato teve origem em uma ação judicial movida pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal contra a União. A sentença estimou condenação de R$ 381,3 milhões, mas os direitos sobre os honorários advocatícios foram vendidos por R$ 38,1 milhões — cerca de 10% do valor. O fundo comprador, o Reag Legal Claims FIDC Não-Padronizados, é dirigido por Marcos Ferreira Costa, que também comanda o Fundo Borneo, posteriormente tornado acionista do BRB. Ibaneis declarou estar desligado do escritório desde 2018; seu filho Caio ingressou na advocacia em 2022.

A partir daí, as conexões se multiplicaram. Vorcaro e a Reag tornaram-se acionistas do BRB. O banco estatal passou a adquirir carteiras de crédito do Banco Master, e em março de 2025 apresentou oferta para comprar parte da instituição de Vorcaro — com apoio público de Ibaneis. Naquele mesmo mês, o fundo Reag apoiou a indicação de dois advogados do governador para o Conselho Fiscal do BRB; ambos renunciaram após as reportagens virem a público.

As investigações da Polícia Federal concluíram que os créditos vendidos ao BRB pelo Banco Master eram podres ou inexistentes, com prejuízo estimado em ao menos R$ 8 bilhões aos cofres do Distrito Federal. A defesa dos vendedores sustenta que a operação foi regular. A oposição, porém, não aguardou o desfecho das apurações: o PSOL e a Rede pediram impeachment na Câmara Legislativa, e o PSB levou ao ministro André Mendonça, do STF, pedido de afastamento do governador. O caso segue aberto — e cada nova conexão revelada amplia o perímetro do que precisa ser explicado.

Em maio de 2024, um fundo de investimento ligado à Reag Investimentos transferiu R$ 38 milhões para o escritório de advocacia do qual é sócio Caio Carvalho Barros, filho do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha. A transação ocorreu poucos dias antes de o Banco de Brasília, instituição estatal controlada pelo governo local, iniciar negociações financeiras com o Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro. A sequência de eventos, revelada pela colunista Malu Gaspar do jornal O Globo, desencadeou pedidos de investigação e abriu caminho para denúncias de conflito de interesses no topo da administração distrital.

O acordo foi formalizado em etapas. O contrato-base data de 29 de maio de 2024. Os escritórios de advocacia assinaram o documento três dias depois, em 3 de junho, e o fundo ligado à Reag aderiu oficialmente em 5 de junho. Naquele mesmo mês, o BRB começou suas operações com o Banco Master. O governador Ibaneis declarou estar desligado do escritório desde o final de 2018, quando foi eleito. Seu filho Caio tornou-se advogado em 2022 e passou a atuar como sócio da banca.

O que o fundo comprou, especificamente, foram direitos sobre honorários advocatícios derivados de uma ação judicial. O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União havia movido processo contra a União discutindo o pagamento de benefícios vinculados a funções comissionadas. A sentença estimou uma condenação total de R$ 381,3 milhões, mas o crédito foi vendido por R$ 38,1 milhões — aproximadamente 10% do valor original. O fundo responsável pela compra é o Reag Legal Claims Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não-Padronizados, dirigido por Marcos Ferreira Costa, que também comanda o Fundo Borneo, que posteriormente se tornou acionista do BRB.

A teia de conexões se expandiu rapidamente. Após o contrato de R$ 38 milhões, tanto Daniel Vorcaro quanto a Reag tornaram-se acionistas do Banco de Brasília. A instituição estatal passou então a adquirir carteiras de crédito do Banco Master. Em março de 2025, o BRB apresentou oferta para comprar parte do banco de Vorcaro, decisão que recebeu apoio público de Ibaneis. Naquele mesmo mês, o fundo Reag apoiou a eleição de dois advogados indicados pelo governador para o Conselho Fiscal do banco estatal. Após reportagens sobre o caso, ambos os conselheiros renunciaram aos cargos.

Investigações da Polícia Federal revelaram que os créditos vendidos ao BRB pelo Banco Master eram considerados podres ou inexistentes, gerando prejuízo estimado em pelo menos R$ 8 bilhões à instituição estatal. O advogado Engels Augusto Muniz, representante dos vendedores, afirmou que a transação foi regular e que procuraram vários fundos antes de encontrar um disposto a pagar um valor que consideravam razoável.

A divulgação do contrato de R$ 38 milhões provocou reação imediata da oposição. O deputado distrital Fábio Felix, do PSOL, solicitou investigação sobre possíveis outros contratos entre o governador e a Reag, bem como sobre a compatibilidade dos valores com o mercado. O PSOL e a Rede anunciaram pedido de impeachment na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O PSB apresentou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pedido de afastamento do governador. A sequência de transações — do pagamento ao escritório do filho, passando pela entrada de sócios ligados à Reag no BRB, até a compra de créditos problemáticos — permanece sob escrutínio enquanto as investigações avançam.

Em determinado momento, ele entendeu que deveria vender esses créditos. Procuramos vários fundos e um dos que aceitou pagar um valor razoável foi um fundo ligado à Reag
— Engels Augusto Muniz, advogado representante dos vendedores
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que esse contrato de R$ 38 milhões importa se foi apenas uma transação entre fundos e um escritório de advocacia?

Model

Porque ocorreu dias antes do banco estatal começar a fazer negócios com o Banco Master, e porque os mesmos atores — a Reag, o fundo — aparecem depois como acionistas do BRB. Não é isolado; é parte de uma sequência.

Inventor

Mas o governador disse que está desligado do escritório desde 2018. Isso não o afasta da suspeita?

Model

Formalmente, talvez. Mas seu filho é sócio do escritório que recebeu R$ 38 milhões, e depois vemos a Reag influenciando decisões no banco que ele controla. A questão é se houve benefício indireto.

Inventor

E quanto aos R$ 8 bilhões em prejuízo? Isso veio do contrato de R$ 38 milhões?

Model

Não diretamente. O prejuízo veio dos créditos podres que o BRB comprou do Banco Master depois. Mas a sequência sugere que a Reag e Vorcaro ganharam influência no banco justamente para vender esses créditos ruins.

Inventor

Os dois conselheiros renunciaram. Isso encerra o caso?

Model

Encerra uma parte visível. Mas a Polícia Federal já identificou o prejuízo, e agora a oposição quer saber se houve outros contratos, se os valores fazem sentido, se houve combinação prévia. A renúncia é admissão, não resolução.

Inventor

O que Ibaneis ganha com tudo isso?

Model

Essa é a pergunta que as investigações tentam responder. Se não ganhou diretamente, pode ter ganho através do filho, ou através de apoio político da Reag, ou simplesmente permitiu que acontecesse porque tinha interesse em manter o Banco Master operacional. O padrão importa mais que a intenção declarada.

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