Júri do caso Gritzbach é cancelado após confusão e abandono de advogados

Vinícius Gritzbach, delator do PCC de 38 anos, foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto de Guarulhos em 8 de novembro de 2024.
A defesa reagiu imediatamente, argumentando que o assunto não tinha qualquer relação com o caso
Momento em que o conflito entre promotor e advogados escalou durante o interrogatório de segunda-feira.

No coração de um caso que expõe as fronteiras entre a lei e o crime organizado, o julgamento dos três policiais militares acusados de executar o delator Vinícius Gritzbach entrou em colapso antes mesmo de chegar ao seu clímax. Na segunda-feira, em São Paulo, uma disputa sobre o que poderia ser dito em plenário revelou tensões mais profundas: a dificuldade de julgar, com imparcialidade e rigor, crimes que tocam simultaneamente o Estado e o submundo. O júri foi dissolvido, e a busca por justiça pela morte de um homem que escolheu falar foi adiada para uma data ainda incerta.

  • O julgamento desmoronou quando o promotor levantou um tema que a defesa considerou impertinente, transformando um interrogatório de rotina em confronto aberto.
  • Advogados abandonaram o plenário em protesto, forçando o juiz a dissolver o conselho de sentença e cancelar todo o processo iniciado naquele dia.
  • A defesa já havia protocolado contestação técnica sobre provas genéticas coletadas em um VW Gol abandonado perto do aeroporto, apontando falhas nos protocolos forenses.
  • O caso tem raízes em novembro de 2024, quando Gritzbach — que havia delatado esquemas do PCC envolvendo lavagem de dinheiro e extorsão por policiais — foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto de Guarulhos.
  • Com 21 testemunhas aguardando e evidências contestadas ainda por analisar, o novo julgamento promete ser ainda mais turbulento do que o que não chegou a acontecer.

O julgamento dos três policiais militares acusados de matar o delator do PCC Vinícius Gritzbach não durou o suficiente para chegar ao mérito. Na segunda-feira, uma sessão que começou com o interrogatório de um capitão da PM rapidamente se transformou em confronto: o promotor Rodrigo Merli Antunes levantou questões sobre uma suposta ameaça contra um dos advogados da defesa, e os defensores reagiram com indignação, argumentando que o tema era alheio ao caso. A escalada foi rápida — os advogados deixaram o plenário, e o juiz Rodrigo Telline de Aguirre Camargo não teve outra saída senão dissolver o conselho de sentença. O Tribunal de Justiça confirmou o ocorrido em nota oficial.

O caso tem peso histórico. Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, 38 anos, foi assassinado a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024. Ele havia firmado acordo de delação premiada com o Ministério Público, entregando informações sobre lavagem de dinheiro, movimentações financeiras do PCC e nomes de policiais suspeitos de extorquir criminosos. A polícia aponta vingança e disputas envolvendo criptomoedas como motivação para o crime.

Antes do colapso da sessão, a defesa dos réus Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues já havia protocolado um parecer técnico questionando a validade das provas genéticas coletadas no VW Gol encontrado abandonado próximo ao aeroporto. Segundo os advogados, a perícia no veículo não seguiu os protocolos da Câmara Técnica de Vestígios Biológicos — argumento que certamente voltará ao centro do debate quando o julgamento for retomado.

Quando isso acontecer, 21 testemunhas aguardam para depor, distribuídas entre acusação e as defesas dos três réus — Denis, Ruan e Fernando. As tensões desta segunda-feira deixaram claro que o caminho até um veredicto será longo e disputado.

O julgamento dos três policiais militares acusados de executar Vinícius Gritzbach, delator do PCC, desabou na segunda-feira (22) em meio a uma disputa acalorada entre promotores e advogados de defesa. A sessão começou com o promotor Rodrigo Merli Antunes interrogando um capitão da PM sobre uma operação de busca e apreensão, quando a conversa tomou um rumo inesperado: o promotor levantou questões sobre uma denúncia de suposto atentado contra um dos advogados da defesa. A defesa reagiu imediatamente, argumentando que o assunto não tinha qualquer relação com o caso Gritzbach e não deveria estar sendo discutido naquele momento.

O desentendimento escalou rapidamente. Advogados abandonaram o plenário em protesto, forçando o juiz Rodrigo Telline de Aguirre Camargo a decretar a suspensão do júri. O Tribunal de Justiça confirmou o ocorrido em nota oficial: houve abandono da sala por parte da defesa após o conflito com o promotor, resultando na dissolução do conselho de sentença. O julgamento será remarcado para uma data a ser definida.

O caso envolve a morte de Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, baleado com fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024. Gritzbach havia fechado um acordo de delação premiada com o Ministério Público, fornecendo informações detalhadas sobre esquemas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras e imóveis de integrantes do PCC. Ele também havia identificado policiais militares e civis suspeitos de extorquir criminosos. A polícia acredita que o crime foi motivado por vingança e disputas financeiras envolvendo criptomoedas.

Antes do julgamento ser cancelado, a defesa dos réus Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues havia protocolado um parecer técnico contestando a confiabilidade das provas genéticas coletadas durante a investigação. O documento aponta falhas procedimentais no laudo pericial realizado no veículo VW Gol que teria sido usado pelos executores no dia do crime. O carro foi encontrado abandonado próximo ao aeroporto e periciado no local, mas segundo a defesa, o processo não seguiu os protocolos adequados estabelecidos pela Câmara Técnica de Vestígios Biológicos.

O julgamento, quando for retomado, contará com a participação de 21 testemunhas: nove da acusação, uma comum ao Ministério Público e a um dos réus chamado Juan, duas de defesa de Juan e Denis, duas de defesa de Denis, e cinco de defesa do terceiro réu, Fernando. O conselho de sentença será composto por quatro homens e três mulheres. A acusação será representada pelos promotores Rodrigo Merli Antunes e Vania Caceres Stefanoni, enquanto a defesa conta com seis advogados: Renato Soares, Mauro Ribas, Nayara Gabriela Ramos Thibes, Taynara Sturaro, Cláudio Dalledone Júnior e Renan Pacheco Canto.

O episódio desta segunda-feira ilustra as tensões que cercam o caso desde o início. A defesa já havia sinalizado que contestaria a integridade das provas genéticas, e o conflito sobre o que poderia ou não ser discutido em plenário evidencia as profundas divergências entre as partes. Quando o julgamento recomeçar, essas questões sobre a validade das evidências e os procedimentos forenses provavelmente voltarão ao centro do debate.

Houve abandono do plenário parte da defesa dos réus após desentendimento com o promotor, e, por isso, dissolução do conselho de sentença. O júri será redesignado para data oportuna.
— Tribunal de Justiça, em nota oficial
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que exatamente a defesa abandonou a sala? Parecia uma reação desproporcional a uma pergunta sobre um atentado.

Model

Não era só a pergunta. Era o que ela representava — a defesa viu como uma tentativa de contaminar o julgamento com informações irrelevantes, de criar uma narrativa que desviasse do caso real.

Inventor

E o juiz simplesmente aceitou o abandono como motivo para cancelar tudo?

Model

Quando os advogados saem, o julgamento não pode continuar. Não há defesa. O juiz não tinha escolha.

Inventor

Mas isso não prejudica a acusação? Eles estavam no meio de um interrogatório.

Model

Prejudica todos. Mas a defesa apostou que o custo de continuar — com questões que considerava fora do escopo — era maior que o custo de parar.

Inventor

E quanto às provas genéticas que eles contestam? Isso vai mudar quando o julgamento recomeçar?

Model

Provavelmente não. Mas agora o tribunal terá que lidar com o parecer técnico deles sobre as falhas procedimentais. Isso fica no registro.

Inventor

Então essa confusão pode ter dado à defesa uma vantagem tática?

Model

Ou apenas adiou o inevitável. Depende se o juiz aceita os argumentos deles sobre as provas.

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