Arquivos de Epstein revelam 3 milhões de páginas com menções a Trump, Musk e ex-príncipe

Sobreviventes de abuso sexual relatam que suas informações pessoais continuam sendo expostas enquanto alegados agressores permanecem protegidos.
Seus nomes estão expostos enquanto os agressores permanecem protegidos
Sobreviventes de abuso sexual criticam a divulgação parcial dos arquivos de Epstein.

Na última semana de janeiro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu ao mundo três milhões de páginas sobre Jeffrey Epstein — um arquivo que, em sua vastidão, revela menos certezas do que perguntas. Nomes de presidentes, príncipes e bilionários surgem entre os documentos, mas a verdade plena permanece fragmentada, protegida por redações e omissões. Para as sobreviventes que aguardavam justiça, a divulgação confirma uma antiga suspeita: que os poderosos continuam sendo guardados pelo mesmo silêncio que sempre os protegeu.

  • Três milhões de páginas, dois mil vídeos e cento e oitenta mil imagens foram liberados de uma só vez, criando uma avalanche de informações que o público e a imprensa ainda tentam decifrar.
  • Nomes como Trump, príncipe Andrew, Bill Gates, Elon Musk e Howard Lutnick aparecem nos arquivos, gerando pressão imediata sobre figuras que ocupam os mais altos escalões do poder global.
  • O príncipe Andrew ofereceu jantar privado no Palácio de Buckingham a Epstein meses após sua condenação por prostituição de menor — uma correspondência que reacende escândalos que a família real britânica esperava encerrados.
  • O procurador-geral adjunto admitiu que esta seria a última grande divulgação, mas reconheceu que ela não satisfaria a demanda pública — e horas depois, dezoito sobreviventes confirmaram exatamente isso em declaração conjunta.
  • Enquanto alegados agressores permanecem com identidades protegidas, as vítimas denunciam que seus próprios nomes e dados pessoais continuam expostos nos documentos liberados.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou, na última semana de janeiro, três milhões de páginas de documentos sobre Jeffrey Epstein — o maior lote já divulgado sobre o financista condenado, morto na prisão em 2019. A medida veio após pressão do Congresso e da assinatura do presidente Donald Trump, que inicialmente se opunha à divulgação.

Os arquivos mencionam Trump em pelo menos quatro mil e quinhentos documentos, incluindo um resumo do FBI com mais de doze denúncias de cidadãos. O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que nenhuma prova corroborativa foi encontrada, e a Casa Branca sugeriu que alguns registros podem conter alegações falsas. O ex-príncipe Andrew aparece em correspondências de 2010 nas quais Epstein, recém-saído da prisão domiciliar, foi convidado para um jantar privado no Palácio de Buckingham. Meses antes, Epstein havia sido condenado por prostituição de menor. Os documentos também mostram que ele tentou apresentar ao príncipe uma jovem russa de vinte e seis anos — Andrew respondeu que ficaria encantado em conhecê-la, embora não haja registro de que o encontro tenha ocorrido.

Outras figuras surgem nos arquivos: Bill Gates foi mencionado em e-mails com insinuações sobre sua vida pessoal, classificadas por seu representante como absolutamente falsas. Howard Lutnick, atual secretário de Comércio de Trump, planejou visitar a ilha de Epstein em 2012, apesar de afirmar ter rompido relações com ele por volta de 2005. Elon Musk aparece em mensagens nas quais ele e Epstein comparavam agendas para se reunir entre 2012 e 2014.

Um elemento menos esperado envolve um brasileiro: Reinaldo Avila da Silva, marido do político britânico Peter Mandelson, recebeu transferências financeiras de Epstein. Após pedidos de ajuda para custear um curso de osteopatia, Epstein ordenou pagamentos mensais que, somados, ultrapassaram setenta mil reais em valores atuais.

Apesar da escala da divulgação, dezoito sobreviventes de abuso publicaram uma declaração conjunta horas depois, afirmando que os documentos são insuficientes. Elas denunciaram que seus nomes continuam expostos enquanto os homens que as abusaram permanecem protegidos, e prometeram seguir lutando até que todos os responsáveis sejam responsabilizados. O Departamento de Justiça ainda deve ao Congresso uma explicação sobre as informações retidas — incluindo dados de vítimas e materiais de abuso infantil.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu seus arquivos sobre Jeffrey Epstein na última semana de janeiro, liberando três milhões de páginas de documentos, dois mil vídeos e cerca de cento e oitenta mil imagens. É o maior lote de material relacionado ao caso do financista condenado, que morreu na prisão em 2019. A divulgação ocorreu após pressão do Congresso e, eventualmente, da assinatura do presidente Donald Trump, que inicialmente se opunha à medida.

Os documentos revelam conexões entre Epstein e figuras públicas de grande visibilidade. Pelo menos quatro mil e quinhentos documentos mencionam Trump, incluindo um resumo compilado pelo FBI no ano passado contendo mais de doze denúncias de cidadãos envolvendo o presidente e o financista. O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que nenhuma prova corroborativa foi encontrada nos e-mails. Trump nega qualquer irregularidade, e a Casa Branca divulgou uma declaração do Departamento de Justiça sugerindo que alguns documentos podem conter alegações falsas ou apresentadas de forma fraudulenta.

O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, figura prominentemente na correspondência. Em setembro de 2010, logo após ser libertado da prisão domiciliar, Epstein entrou em contato com Andrew durante uma estada em Londres. Epstein sugeriu que precisavam de tempo a sós, e o então príncipe respondeu oferecendo jantar no Palácio de Buckingham com muita privacidade. Meses antes, Epstein havia sido condenado por prostituição de menor. Os arquivos também mostram que Epstein tentou apresentar Andrew a uma jovem russa de vinte e seis anos em agosto de 2010, enviando um e-mail ao príncipe — a quem chamava de "O Duque" — mencionando uma amiga com quem ele talvez gostasse de jantar. Andrew respondeu que ficaria encantado em encontrá-la. Não há indicação nos documentos de que qualquer um desses encontros tenha ocorrido.

Outras figuras públicas também aparecem nos arquivos. Bill Gates foi mencionado em e-mails de 2013 nos quais Epstein redigiu bilhetes sugerindo que o bilionário mantinha relações sexuais extraconjugais. Um representante de Gates classificou as acusações como absolutamente absurdas e completamente falsas. Howard Lutnick, atual secretário de Comércio do governo Trump, planejou uma visita à ilha de Epstein em 2012, apesar de ter afirmado anteriormente que havia rompido relações com o financista por volta de 2005. Lutnick disse ao New York Times que não podia comentar sobre a visita porque não havia visto os documentos mais recentes. Elon Musk também aparece nos arquivos, com diversas mensagens mostrando que ele e Epstein comparavam suas agendas para encontrar tempo de se reunirem na Flórida ou no Caribe entre 2012 e 2014.

Um aspecto menos conhecido do caso envolve um brasileiro. Reinaldo Avila da Silva, marido do lorde britânico Peter Mandelson, recebeu transferências financeiras de Epstein. Em setembro de 2009, Reinaldo enviou um e-mail ao financista pedindo ajuda financeira para cobrir custos de um curso de osteopatia, incluindo taxas, modelos anatômicos e um laptop. Epstein respondeu horas depois dizendo que transferiria o valor do empréstimo. Em abril de 2010, Reinaldo enviou novamente seus dados bancários, e Epstein instruiu seu contador a enviar treze mil dólares. Posteriormente, Epstein ordenou que seu contador, Rich Kahn, enviasse dois mil dólares por mês para Reinaldo, depois reduzindo o valor para quatro mil dólares. No total, Epstein transferiu mais de setenta mil reais em valores atuais para o brasileiro.

O procurador-geral adjunto Blanche sinalizou que este seria o último grande lote de divulgação dos arquivos de Epstein. Ele admitiu, porém, que os documentos provavelmente não satisfariam a demanda pública por informações completas. De fato, horas após a liberação, um grupo de dezoito sobreviventes de abuso sexual por Epstein divulgou uma declaração conjunta afirmando que a divulgação foi insuficiente. As vítimas argumentaram que seus nomes e informações pessoais continuam sendo expostos enquanto os homens que as abusaram permanecem escondidos e protegidos. Elas prometeram continuar lutando até que a verdade fosse totalmente revelada e todos os agressores fossem responsabilizados. O Departamento de Justiça ainda precisa apresentar um relatório ao Congresso explicando por que ocultou determinadas informações, incluindo dados pessoais de vítimas, informações médicas e materiais retratando abuso sexual infantil.

Não protegemos o presidente Trump. Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém.
— Todd Blanche, procurador-geral adjunto dos EUA
Mais uma vez, os nomes e informações pessoais das sobreviventes estão sendo expostos, enquanto os homens que abusaram de nós permanecem escondidos e protegidos.
— Grupo de dezoito sobreviventes de abuso sexual
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o governo esperou tanto tempo para liberar esses arquivos?

Model

O Congresso determinou a divulgação em novembro, mas Trump inicialmente se opunha. Ele assinou a lei sob pressão de aliados, buscando encerrar as acusações e especulações em torno do caso.

Inventor

Os documentos realmente provam que Trump estava envolvido com Epstein?

Model

Não. Havia quatro mil e quinhentos documentos mencionando Trump, mas o FBI não encontrou provas corroborativas nos e-mails. Muitos eram apenas artigos de notícias ou referências secundárias.

Inventor

E quanto ao príncipe Andrew? Os arquivos mostram que ele visitou Epstein?

Model

Os documentos mostram convites e ofertas de encontros em 2010, mas não indicam se qualquer um deles realmente aconteceu. Andrew ofereceu jantar no Palácio de Buckingham e mostrou interesse em conhecer uma jovem russa que Epstein queria apresentar.

Inventor

Qual é a situação do brasileiro mencionado nos arquivos?

Model

Reinaldo Avila da Silva, marido de um lorde britânico, recebeu mais de setenta mil reais de Epstein em transferências bancárias para pagar um curso de osteopatia. Os e-mails mostram uma transação financeira simples, sem indicação de envolvimento em atividades criminosas.

Inventor

As vítimas estão satisfeitas com o que foi divulgado?

Model

Não. Dezoito sobreviventes afirmaram que a divulgação foi insuficiente. Eles dizem que seus nomes e informações pessoais estão sendo expostos enquanto os agressores permanecem protegidos. Prometeram continuar lutando pela verdade completa.

Inventor

Haverá mais documentos liberados?

Model

O procurador-geral adjunto sinalizou que este seria o último grande lote. Mas ele admitiu que provavelmente não será suficiente para satisfazer a demanda pública. O departamento ainda precisa explicar ao Congresso por que ocultou certas informações.

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