Tu bota para disputar com esse jogo um tubarão albino cego?
Quando uma emissora não detém os direitos de um jogo decisivo da Copa do Mundo, a programação revela, involuntariamente, os limites do seu poder. A Globo escolheu um filme de tubarões fracassado para ocupar o horário do confronto entre Marrocos e Holanda, transmitido com exclusividade pela CazéTV no YouTube — e o apresentador Casimiro Miguel transformou essa escolha em crônica cômica da nova geografia da televisão brasileira. O episódio é pequeno, mas aponta para algo maior: a fragmentação dos direitos esportivos está redesenhando quem conta as histórias que o país assiste junto.
- A Globo, sem os direitos do jogo Marrocos x Holanda, escalou para a Tela Quente um filme de 2019 com 44% de aprovação no Rotten Tomatoes — e a escolha não passou despercebida.
- Casimiro Miguel, transmitindo ao vivo pela CazéTV, debochou da programação rival ao vivo, provocando: 'Tu bota para disputar com esse jogo um tubarão albino cego, mano?'
- O filme protagonizado pelas filhas de Jamie Foxx e Sylvester Stallone arrecadou menos do que seu antecessor apesar de orçamento maior, tornando a escolha ainda mais difícil de justificar.
- A situação expõe a posição defensiva da emissora em uma Copa cujos direitos estão fragmentados entre diferentes plataformas, deixando a Globo sem resposta para noites como essa.
- A emissora retoma as transmissões na terça com Noruega x Costa do Marfim — jogo que definirá o adversário do Brasil nas oitavas —, tentando recuperar protagonismo na cobertura do torneio.
Na noite de segunda-feira, enquanto a CazéTV se preparava para transmitir com exclusividade o confronto entre Marrocos e Holanda pela Copa do Mundo, a Globo escalou para a Tela Quente um filme de 2019 sobre mergulhadores fugindo de tubarões em ruínas maias submarinas. O longa começaria às 22h25 — exatamente o horário do jogo no YouTube.
Casimiro Miguel não deixou passar. Durante o quadro Copazona, ele e seus colegas pesquisaram o filme escolhido pela emissora e a reação foi imediata. 'Largou mão, né, Globo? Hoje tu quer 12 milhões na CazéTV', provocou o apresentador. Os comentaristas foram sugerindo alternativas — O Último Samurai, Karatê Kid, Vingadores — enquanto Miguel amplificava o absurdo: colocar um tubarão albino cego para competir com Holanda e Marrocos.
O filme em questão, protagonizado pelas filhas de Jamie Foxx e Sylvester Stallone, havia sido um fracasso duplo: arrecadou apenas 47 milhões de dólares contra os 62 milhões do primeiro filme da franquia, mesmo com orçamento maior, e conquistou apenas 44% de aprovação no Rotten Tomatoes. O elenco contava ainda com uma participação do brasileiro Davi Santos.
A escolha revelava uma realidade incômoda: a Globo simplesmente não tinha os direitos daquele jogo. A CazéTV era a única detentora da transmissão, deixando a emissora em posição defensiva durante o horário do confronto. A solução encontrada não convenceu ninguém.
O episódio se insere em um contexto mais amplo de fragmentação da cobertura da Copa. A Globo retomaria as transmissões na terça com Noruega x Costa do Marfim — jogo com peso especial, pois o vencedor enfrentará o Brasil nas oitavas de final. Enquanto isso, a emissora segue navegando por uma Copa que não é inteiramente sua.
Na noite de segunda-feira, enquanto a CazéTV preparava a transmissão exclusiva do confronto entre Marrocos e Holanda pela Copa do Mundo, a Globo fazia uma escolha que não passaria despercebida. A emissora escalou para a Tela Quente um filme de 2019 chamado Medo Profundo: O Segundo Ataque — uma produção sobre mergulhadores presos em ruínas maias submarinas, fugindo de tubarões brancos em cavernas claustrofóbicas. O longa começaria às 22h25, exatamente quando o jogo ocuparia as telas do YouTube.
Casimiro Miguel, transmitindo ao vivo pela CazéTV, não resistiu. Durante o quadro Copazona, ele e seus colegas buscaram informações sobre o filme que a Globo havia selecionado para disputar audiência. A reação foi imediata. "Largou mão, né, Globo? Hoje tu largou a audiência. Hoje tu quer 12 milhões na CazéTV", provocou o apresentador, em tom de brincadeira que refletia a incongruência da programação. Os comentaristas começaram a sugerir alternativas: O Último Samurai, filmes da franquia Karatê Kid, até mesmo um Vingadores. "Tu tem Holanda e Marrocos, tu bota para disputar com esse jogo um tubarão albino cego, mano?", completou Miguel, amplificando o absurdo da situação.
O filme em questão não era exatamente um blockbuster. Protagonizado por Corinne Foxx e Sistine Rose Stallone — filhas, respectivamente, de Jamie Foxx e Sylvester Stallone — além de Brianne Tju e Sophie Nélisse, a produção havia fracassado tanto nas bilheterias quanto na crítica especializada. Apesar de receber mais do dobro do investimento que seu antecessor de 2017, arrecadou apenas 47 milhões de dólares, contra 62 milhões do primeiro filme. No Rotten Tomatoes, alcançou apenas 44% de aprovação dos críticos. O elenco contava ainda com uma participação do brasileiro Davi Santos como mergulhador.
A escolha da Globo refletia uma realidade incômoda: a emissora não possuía os direitos exclusivos para transmitir aquele jogo específico. A CazéTV, plataforma do YouTube, era a única detentora da transmissão de Marrocos contra Holanda. Isso deixava a Globo em posição defensiva, precisando oferecer algo que pudesse reter audiência durante o horário do confronto. A solução encontrada — um filme de ação submarino com tubarões — não impressionou nem os profissionais da televisão nem os espectadores mais atentos.
A situação se inseria em um contexto maior de fragmentação da cobertura da Copa do Mundo. A Globo retomaria as transmissões no dia seguinte, terça-feira, com dois jogos: Noruega contra Costa do Marfim às 14h, e México contra Equador a partir das 22h. O primeiro desses confrontos carregava peso especial — o vencedor enfrentaria a Seleção Brasileira nas oitavas de final no domingo seguinte. Enquanto isso, a emissora continuava navegando pelos direitos fragmentados de uma Copa que não era inteiramente sua.
Notable Quotes
Largou mão, né, Globo? Hoje tu largou a audiência. Hoje tu quer 12 milhões na CazéTV— Casimiro Miguel, apresentador da CazéTV
Tu tem Holanda e Marrocos, tu bota para disputar com esse jogo um tubarão albino cego, mano?— Casimiro Miguel
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Globo escolheria um filme de tubarões para competir com um jogo da Copa do Mundo?
Porque não tinha escolha. Não possuía os direitos daquele jogo específico. Quando você perde o direito de transmitir, precisa oferecer algo — qualquer coisa — para manter as pessoas ligadas.
Mas por que esse filme em particular? Parece uma escolha estranha.
Talvez fosse o que estava disponível no catálogo para aquele horário. Ou talvez achassem que ação e suspense pudessem competir com futebol. Claramente não funcionou.
O filme tinha atores famosos, não é?
Tinha, sim. Filhos de Jamie Foxx e Sylvester Stallone. Mas isso não salvou o filme quando ele foi lançado — fracassou de bilheteria e crítica. A Globo estava apostando em algo que já havia provado ser fraco.
E a reação de Casimiro foi apenas brincadeira?
Era brincadeira, mas com uma verdade por trás. Ele estava apontando o óbvio: a Globo estava desistindo daquele horário. Estava cedendo a audiência para a CazéTV sem lutar de verdade.
Isso muda algo para a cobertura da Copa?
Mostra como a Copa está fragmentada agora. A Globo não tem tudo. Tem alguns jogos, perde outros. E quando perde, fica em posição fraca — exibindo tubarões enquanto o futebol acontece em outro lugar.