Carros chineses já representam 8% das corridas por aplicativo no Brasil

A participação da fabricante praticamente dobrou em menos de um ano
A BYD cresceu de 3,53% para 7,12% das corridas por aplicativo entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Em menos de um ano, as montadoras chinesas passaram de coadjuvantes a protagonistas nas ruas do Brasil conectado por aplicativos — não por acaso, mas por oferecerem uma lógica econômica difícil de ignorar. A BYD, que em 2025 ocupava a nona posição entre as marcas mais usadas por motoristas de aplicativo, chegou a fevereiro de 2026 na sexta, superando Toyota, Ford e Honda. O que está em curso não é apenas uma disputa de mercado: é uma reconfiguração silenciosa de quem define o ritmo e o custo da mobilidade urbana brasileira.

  • Em apenas doze meses, a fatia das montadoras chinesas nas corridas por aplicativo no Brasil mais que dobrou — de 3,8% para quase 8% —, sinalizando uma virada competitiva sem precedentes no setor.
  • A BYD saltou da nona para a sexta posição no ranking de marcas mais usadas por motoristas de aplicativo, ultrapassando fabricantes com décadas de presença consolidada no país.
  • A vantagem não é simbólica: elétricos e híbridos chineses custam entre R$ 60 e R$ 70 para carregar e percorrem cerca de 400 km, tornando o custo operacional significativamente menor do que o de veículos a combustão.
  • Motoristas como Tatiana Linck, que adquiriu um Geely EX5 para conciliar transporte pessoal e renda extra, encarnam a lógica que impulsiona esse crescimento — e já descartam voltar aos carros a gasolina.
  • Com novas montadoras chinesas abrindo concessionárias, lançando modelos e investindo em produção local, a disputa pela mobilidade urbana brasileira deve se acirrar nos próximos anos.

Em fevereiro de 2026, quase 8% de todas as corridas por aplicativo realizadas no Brasil foram feitas em carros de fabricantes chinesas — um número apurado pela empresa de análise de dados Machine a partir de 54 mil veículos e 7,4 milhões de viagens. O que impressiona não é só o percentual, mas a velocidade com que ele chegou até ali.

A BYD lidera esse avanço. Com 7,12% das viagens analisadas, a montadora se tornou a 6ª marca mais usada por motoristas de aplicativo no país, à frente de Toyota, Ford, Nissan e Honda. Menos de um ano antes, entre janeiro e setembro de 2025, as chinesas respondiam por apenas 3,8% das corridas, e a BYD ocupava a 9ª posição. Em menos de doze meses, a fabricante praticamente dobrou sua participação e subiu três posições no ranking.

A explicação está na estratégia compartilhada por BYD, GWM, CAOA Chery e Geely: o foco em elétricos e híbridos. Para motoristas de aplicativo, a conta é simples — menos gasto com combustível e manutenção significa mais margem de lucro por corrida.

Tatiana Linck, profissional de TI de 50 anos, viveu essa lógica na prática. Após se mudar para uma região mais afastada de Brasília, precisou de um carro e escolheu um Geely EX5. Para equilibrar as prestações, passou a trabalhar como motorista de aplicativo nas horas vagas — cerca de cinco horas por dia, com média de R$ 150 diários. O custo de carregar o elétrico fica entre R$ 60 e R$ 70, com autonomia de quase 400 km a cada dois dias. Ela atua na modalidade Uber Mulher e descreve a experiência como gratificante. Mesmo depois de quitar o carro, pretende continuar. E quando chegar a hora de trocar de veículo, diz que só cogita outro elétrico.

O que acontece nas ruas brasileiras é o reflexo de uma transformação mais profunda: as montadoras chinesas não estão apenas ganhando corridas — estão redefinindo o que se espera de um carro de trabalho no Brasil.

Em fevereiro de 2026, carros de fabricantes chinesas já respondiam por quase 8% de todas as corridas por aplicativo realizadas no Brasil. O dado vem de um levantamento da Machine, empresa especializada em inteligência artificial e análise de dados para o setor de mobilidade urbana, que examinou aproximadamente 54 mil veículos e 7,4 milhões de corridas ao longo do mês. O crescimento é notável não apenas pelo número em si, mas pela velocidade com que aconteceu.

A BYD lidera essa expansão chinesa. A montadora concentrou 7,12% de todas as viagens analisadas e se posicionou como a 6ª marca mais utilizada por motoristas de aplicativo no país — à frente de nomes consolidados como Ford, Toyota, Nissan e Honda. Menos de um ano antes, em um levantamento que cobriu janeiro a setembro de 2025 com base em 80 milhões de corridas, as montadoras chinesas representavam apenas 3,8% do total. Naquele período, a BYD ocupava a 9ª posição com 3,53% das corridas, ainda atrás da Toyota e da Renault. Em menos de doze meses, a participação da fabricante praticamente dobrou e a empresa subiu três posições no ranking.

Esse avanço não ocorre isoladamente. Empresas como BYD, GWM, CAOA Chery e Geely ampliaram significativamente sua presença no mercado brasileiro nos últimos anos, lançando novos modelos, abrindo concessionárias e investindo em produção local. Todas elas compartilham uma estratégia comum: o foco em veículos elétricos e híbridos. Esse segmento ganhou tração entre motoristas de aplicativo porque oferece uma vantagem econômica clara — custos menores com combustível e manutenção.

Para Tatiana Linck, profissional de tecnologia da informação de 50 anos, essa equação econômica foi decisiva. Em dezembro de 2025, ela se mudou de um apartamento na Asa Sul, em Brasília, para uma casa em uma região mais afastada da cidade. A mudança exigiu um automóvel, e ela optou por um Geely EX5, um SUV elétrico lançado recentemente pela fabricante chinesa. Para que as prestações do veículo não comprometessem o orçamento familiar, Tatiana começou a trabalhar como motorista de aplicativo nas horas vagas. Atualmente, dirige cerca de cinco horas por dia e afirma receber em média R$ 150 diários com as corridas.

Os números operacionais do seu Geely ilustram por que o modelo atrai motoristas. O carro elétrico exige um gasto entre R$ 60 e R$ 70 para carregar completamente em eletropostos, valor que proporciona uma autonomia próxima de 400 quilômetros. O abastecimento é necessário, em média, a cada dois dias. Comparado com os custos de combustível de um veículo tradicional, a economia é substancial para quem trabalha com corridas por aplicativo.

Tatiana atua na modalidade Uber Mulher, voltada exclusivamente para passageiras do sexo feminino. Ela descreve a experiência como agradável e menciona conhecer muita gente interessante através do trabalho. Mesmo após quitar o automóvel, ela pretende continuar como motorista de aplicativo. Quando chegar o momento de trocar o carro, não planeja voltar aos veículos movidos à combustão — diz que só trocaria o Geely por outro elétrico.

O que está acontecendo nas ruas do Brasil reflete uma transformação mais ampla no mercado automotivo. As montadoras chinesas não apenas conquistaram espaço no segmento de mobilidade por aplicativo; elas estão redefinindo as expectativas sobre custo operacional e sustentabilidade. Com novos modelos em desenvolvimento e investimentos contínuos em infraestrutura local, a competição no mercado de mobilidade urbana brasileiro tende a se intensificar nos próximos anos.

Eu acho muito agradável. Conheço muita gente interessante
— Tatiana Linck, motorista de aplicativo e profissional de TI
Só trocaria o carro por outro elétrico
— Tatiana Linck, sobre sua intenção de continuar com veículos elétricos
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como uma marca chinesa conseguiu passar de 9ª para 6ª posição em menos de um ano?

Model

A BYD não apenas lançou um carro — lançou uma proposta econômica que faz sentido para quem trabalha com corridas. Elétrico, baixo custo de operação, e a empresa investiu em concessionárias e suporte local. Tudo junto.

Inventor

Mas por que agora? Carros chineses existem há tempo.

Model

Os elétricos e híbridos ficaram mais acessíveis e confiáveis. Antes eram novidade cara. Agora são alternativa prática. Para um motorista de aplicativo, R$ 60 a R$ 70 a cada dois dias em eletricidade versus R$ 200 ou mais em gasolina — é uma diferença real no bolso.

Inventor

Tatiana poderia ter comprado um Toyota híbrido, não?

Model

Poderia, mas o Geely custava menos. E ela precisava trabalhar para pagar as prestações. O carro chinês tornou isso viável. Não é romantismo — é matemática.

Inventor

Isso significa que os motoristas estão escolhendo marca ou escolhendo economia?

Model

Estão escolhendo economia. A marca é secundária. Se a BYD oferece o mesmo desempenho por menos dinheiro, a lealdade a Toyota ou Ford desaparece. Especialmente quando você trabalha por corrida.

Inventor

E os passageiros? Eles se importam com a marca do carro?

Model

Provavelmente não. Querem chegar ao destino com segurança e conforto. Se o Geely oferece isso, a origem do fabricante é irrelevante. O que importa é a experiência.

Inventor

Isso é o fim das marcas tradicionais no Brasil?

Model

Não é o fim, é reposicionamento. Toyota e Ford precisam competir em preço ou oferecer algo que a BYD não oferece. Mas a vantagem econômica dos chineses é real e difícil de contrariar.

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