Viemos correndo, mas infelizmente fechou
Em Recife, no sábado do Enem 2025, uma jovem de 17 anos viu seu projeto de futuro adiado por uma margem de segundos — o tempo que o trânsito lhe roubou entre San Martin e os portões da Unicap. O episódio de Eduarda Rodrigues não é apenas uma história de atraso: é o retrato de como a rigidez das regras e a imprevisibilidade das cidades grandes podem se encontrar no pior momento possível para quem menos pode arcar com as consequências.
- Eduarda saiu de moto com o pai uma hora antes da prova, mas o congestionamento ao redor da Unicap transformou o trajeto numa corrida que ela não conseguiu vencer.
- Os portões fecharam às 13h em ponto — e ela chegou segundos depois, sem direito a recurso ou exceção.
- O pai, marceneiro, resumiu o impacto com poucas palavras: 'Viemos correndo, mas infelizmente fechou.'
- O caso não foi isolado: outra candidata entrou no prédio mas perdeu a prova por ter esquecido o documento de identificação com um parente.
- Com 272 mil inscritos em Pernambuco, o episódio expõe a tensão estrutural entre a logística de provas em massa e a realidade do trânsito nas grandes cidades.
- Para Eduarda, a próxima chance de realizar o Enem — e de acessar o ensino superior — só virá em 2026.
Os portões da Universidade Católica de Pernambuco fecharam às 13h em ponto naquele sábado do Enem 2025. Do lado de fora, Eduarda Rodrigues, 17 anos, chegava segundos tarde demais. O trânsito intenso nas ruas da Boa Vista havia transformado o que deveria ser uma viagem tranquila numa corrida perdida contra o relógio.
Eduarda e seu pai, o marceneiro Marcos Rodrigues, saíram de moto do bairro de San Martin ao meio-dia — uma hora antes do fechamento dos portões. O congestionamento próximo à universidade, porém, consumiu essa margem inteira. Quando chegaram, as portas já estavam fechadas. A jovem preferiu não falar sobre o ocorrido; coube ao pai resumir o que aconteceu: 'Viemos correndo, mas infelizmente fechou.'
O caso de Eduarda não foi o único daquela manhã. Outra candidata conseguiu entrar no prédio, mas descobriu que havia deixado seu documento com um parente e também ficou de fora da prova. Os últimos a cruzar os portões foram recebidos com palavras de encorajamento de quem aguardava na entrada.
Pernambuco tinha 272 mil inscritos no Enem deste ano — entre eles, mais de 71 mil concluintes da rede pública, 33 mil que se declararam pretos e 4 mil indígenas. Cada número carrega uma trajetória. Para Eduarda, aqueles segundos de atraso significam um ano inteiro de espera antes de uma nova chance. A próxima será em 2026.
Os portões fecharam pontualmente às 13h. Naquele sábado de prova do Enem 2025, as ruas ao redor da Universidade Católica de Pernambuco, na Boa Vista, estavam tomadas por carros. O trânsito intenso que marcou os últimos minutos antes do encerramento das inscrições selou o destino de uma candidata: Eduarda Rodrigues, 17 anos, chegou alguns segundos depois que as portas se fecharam e não conseguiu entrar.
Eduarda saiu de San Martin de moto com seu pai, o marceneiro Marcos Rodrigues, às 12h. Tinham uma hora para chegar até o local de prova. O congestionamento nas vias próximas à universidade, porém, transformou aquele trajeto numa corrida contra o relógio que não conseguiram vencer. Quando chegaram, já era tarde demais. A estudante preferiu não comentar o ocorrido, mas seu pai explicou a sequência dos fatos: saíram no horário, mas o trânsito os impediu de chegar a tempo. "Viemos correndo, mas infelizmente fechou", resumiu Marcos.
O caso de Eduarda não foi isolado naquela manhã. Outra candidata conseguiu entrar no prédio, mas descobriu que havia deixado seu documento de identificação com um parente e não pôde fazer a prova. Os últimos estudantes que conseguiram transpor as portas receberam mensagens de encorajamento de pessoas que estavam na entrada, que também os ajudaram a localizar suas salas de prova.
O cenário de congestionamento refletia a escala do evento. Pernambuco registrou 272 mil inscritos no Enem deste ano. Entre eles, mais de 71 mil eram concluintes do ensino médio pela rede pública, 33 mil se declararam pretos e 4 mil eram indígenas. Cada um desses números representa uma trajetória, um projeto de futuro. Para Eduarda, aqueles segundos de atraso significam a perda da oportunidade de realizar o exame que abre as portas para o ensino superior.
O episódio expõe uma tensão recorrente em grandes centros urbanos: a dificuldade de coordenar a logística de provas em massa com a realidade do trânsito. Candidatos saem de suas casas com tempo de sobra, planejam rotas, mas esbarram em congestionamentos imprevistos. Os portões, porém, não esperam. Eles fecham no horário marcado, indiferentes às circunstâncias que cercam quem chega atrasado. Para Eduarda, a próxima oportunidade de fazer o Enem será em 2026.
Citações Notáveis
Viemos correndo, mas infelizmente fechou— Marcos Rodrigues, pai de Eduarda
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como é possível que uma candidata perca a chance de fazer o Enem por alguns segundos? Não há margem de segurança?
Os portões fecham pontualmente no horário estabelecido. Não há exceções. É uma regra que vale para todos, e Eduarda chegou depois que eles já estavam fechados.
Mas ela saiu com tempo de sobra, não é? Saiu às 12h para uma prova que começava às 13h.
Saiu com uma hora de antecedência, o que normalmente seria suficiente. O problema foi o trânsito intenso nas ruas ao redor da universidade. Ninguém consegue prever com precisão quanto tempo levará para atravessar a cidade em um sábado de prova em massa.
Quantas pessoas estavam tentando chegar ao mesmo local naquele horário?
Pernambuco tinha 272 mil inscritos no Enem. Nem todos fazem prova no mesmo local, mas a concentração em torno da Unicap foi grande o suficiente para congestionar as ruas da Boa Vista.
E o que acontece agora com Eduarda? Ela perde o ano inteiro?
Ela perde a oportunidade de fazer o Enem em 2025. Terá que esperar até 2026 para tentar novamente. É um atraso significativo em qualquer projeto de entrada no ensino superior.
O pai dela falou algo que revelasse como se sentia?
Ele disse apenas: "Viemos correndo, mas infelizmente fechou". Poucas palavras, mas que resumem a frustração de ter feito tudo certo e ainda assim não conseguir.