Canadá propõe renovação de 16 anos do acordo comercial com EUA e México

Um Canadá forte ajudará a tornar a América grande novamente
Carney argumenta que fortalecer a economia canadense beneficia também os EUA, em discurso que recebeu elogio raro do embaixador americano.

Em meio a uma reconfiguração silenciosa das alianças comerciais norte-americanas, o Canadá avança com uma proposta de extensão de 16 anos do USMCA, buscando recuperar o espaço perdido após ter sido excluído das negociações bilaterais entre Washington e Cidade do México. Com 70% de suas exportações destinadas ao mercado americano, Ottawa negocia não apenas um tratado, mas sua própria relevância na arquitetura econômica do continente. O prazo de 1º de julho transforma o que poderia ser uma revisão técnica em um momento de definição para três economias profundamente interligadas.

  • O Canadá foi deixado de fora das negociações bilaterais EUA-México na semana anterior, expondo sua vulnerabilidade e forçando uma resposta diplomática urgente.
  • Com quase 70% das exportações atreladas ao mercado americano, Ottawa não pode se dar ao luxo de permanecer à margem — a dependência econômica transforma cada rodada de negociação em uma questão de sobrevivência comercial.
  • O México sinalizou apoio à inclusão canadense, reequilibrando a dinâmica trilateral e impedindo que o Canadá ficasse isolado em uma negociação que moldará o comércio regional por décadas.
  • Empresas canadenses criticam a lentidão de Ottawa em iniciar formalmente o processo de revisão, contrastando com a postura mais proativa do México junto a Washington.
  • O prazo de 1º de julho pressiona todas as partes: sem acordo, o USMCA entra em ciclo de revisões anuais até 2036, um cenário de incerteza crônica que nenhum dos três países deseja enfrentar.

O Canadá propõe estender por 16 anos o acordo comercial trilateral que o une aos Estados Unidos e ao México, movendo-se rapidamente para recuperar terreno após ter sido excluído das negociações bilaterais entre Washington e Cidade do México realizadas na semana anterior. O ministro do comércio Dominic LeBlanc se reunirá em breve com o representante comercial americano Jamieson Greer, acompanhado pela negociadora-chefe Janice Charette — um encontro que concentra expectativas e pressões acumuladas.

A dependência econômica canadense em relação aos EUA é estrutural: quase 70% das exportações do país têm como destino o mercado americano. O primeiro-ministro Mark Carney tem tentado diversificar essa equação, mas a realidade continua amarrada ao continente. Além da extensão do USMCA, Ottawa quer negociar em paralelo as tarifas setoriais impostas por Washington sobre aço, alumínio e automóveis — medidas que causaram danos concretos à economia canadense.

O México, por sua vez, posicionou-se como aliado inesperado: o ministro Marcelo Ebrard reiterou em carta que seu país busca acordos trilaterais baseados em respeito mútuo, o que foi amplamente lido como um respaldo à inclusão canadense nas negociações. Ainda assim, o Canadá enfrenta críticas internas por sua lentidão em iniciar formalmente o processo de revisão, especialmente quando comparado à agilidade mexicana.

O histórico recente complica o cenário: Trump suspendeu todas as negociações com Ottawa no final do ano passado após a província de Ontario exibir uma propaganda com Ronald Reagan alertando sobre os perigos das tarifas — um gesto que irritou profundamente Washington. Greer já sinalizou que o Canadá pode ter de aceitar algumas tarifas para participar da revisão conjunta, além de abrir mais seu mercado de laticínios para empresas americanas.

O prazo é 1º de julho. Sem consenso, o USMCA passará a revisões anuais até 2036 — um horizonte de incerteza que nenhuma das três partes deseja. Para o Canadá, a próxima reunião com Greer é mais do que uma rodada técnica: é uma oportunidade de demonstrar que sua participação é indispensável para qualquer acordo trilateral que pretenda ser robusto.

O Canadá está propondo uma extensão de 16 anos do acordo comercial trilateral que une o país aos Estados Unidos e México, movimentando-se rapidamente para recuperar terreno perdido nas negociações. Dominic LeBlanc, ministro do comércio canadense, se reunirá em breve com Jamieson Greer, representante comercial americano, acompanhado pela principal negociadora comercial canadense Janice Charette. A reunião ocorre dias após o Canadá ter sido deixado de fora das negociações bilaterais entre EUA e México realizadas na semana anterior — um sinal de que as dinâmicas comerciais da região estão se reposicionando.

A economia canadense permanece profundamente entrelaçada com a americana. Quase 70% das exportações do país têm como destino o mercado dos EUA, uma dependência que o primeiro-ministro Mark Carney tem tentado reduzir através de diversificação comercial e novas alianças globais. Ainda assim, a realidade econômica continua amarrada ao norte-americano. A proposta canadense enquadra a revisão do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA) como uma oportunidade para avaliar o tratado, identificar pontos de fortalecimento e adaptar-se às mudanças nas condições econômicas. Mas há uma camada adicional de urgência: o Canadá quer negociar em paralelo questões de tarifas setoriais, particularmente as impostas pelos EUA sobre aço, alumínio e automóveis — medidas que prejudicaram significativamente a economia canadense.

O México, por sua vez, sinalizou apoio à participação canadense. O ministro da Economia mexicano, Marcelo Ebrard, reiterou em carta ao representante americano e ao ministro canadense que seu país busca acordos que beneficiem as três nações com respeito mútuo e consenso. A posição mexicana foi amplamente interpretada como um respaldo à inclusão do Canadá nas negociações trilaterais, criando uma dinâmica mais equilibrada do que a que se desenhou quando Washington e Cidade do México começaram suas conversas bilaterais.

O Canadá, porém, enfrenta críticas por ter demorado a iniciar formalmente o processo de revisão do USMCA. Empresas do país apontam a lentidão canadense em contraste com a postura mais proativa do México no diálogo com o governo americano. O acordo precisa ser oficialmente concluído até 1º de julho, um prazo que concentra a atenção em todas as partes. A história recente não ajuda: Trump suspendeu todas as negociações com o Canadá no final do ano passado após a província de Ontario exibir uma propaganda com o ex-presidente Ronald Reagan alertando sobre os perigos das tarifas nas guerras comerciais — um movimento que irritou profundamente Washington.

Carney reconheceu a complexidade da situação em declaração a jornalistas, mencionando que há uma série de questões técnicas que os EUA têm tanto com o México quanto com o Canadá, razão pela qual existe uma negociação em duas frentes. Durante discurso em Nova York na semana passada, o primeiro-ministro canadense argumentou que uma economia canadense mais forte também contribuiria para o crescimento americano, uma mensagem que recebeu elogio raro do embaixador americano no Canadá.

Os EUA e México já completaram sua primeira rodada de negociações bilaterais sobre a revisão do USMCA, discutindo regras de origem para a indústria automotiva, comércio de aço e alumínio, e questões de segurança econômica. Greer já sinalizou que o Canadá pode ter de aceitar algumas tarifas caso deseje participar da revisão conjunta com os EUA. Ele também indicou que a versão revisada do tratado deve incluir regras de origem mais rigorosas para automóveis e proporcionar maior acesso ao mercado canadense para empresas americanas, especialmente no setor de laticínios.

O que está em jogo é claro: se os três países não chegarem a acordo sobre a extensão, o USMCA passará a ser submetido a revisões anuais até 2036, um cenário de incerteza que nenhuma das partes deseja. Para o Canadá, a próxima reunião com Greer é crítica — uma chance de demonstrar que pode ser um parceiro negociador sério e que sua participação é essencial para um acordo trilateral robusto.

O processo de revisão nos oferece uma oportunidade para avaliar o acordo e verificar se existem maneiras de fortalecê-lo
— Proposta canadense ao representante comercial americano
Um Canadá forte ajudará a tornar a América grande novamente
— Primeiro-ministro Mark Carney, em discurso em Nova York
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o Canadá ficou de fora das negociações iniciais entre EUA e México?

Model

Não está totalmente claro nos registros públicos, mas há sinais de que a relação se deteriorou após o incidente da propaganda de Reagan em Ontario. Trump suspendeu negociações com o Canadá, e isso criou uma abertura para que EUA e México começassem a conversar bilateralmente primeiro.

Inventor

E por que o México apoiou o Canadá agora?

Model

O México entende que um acordo trilateral é mais estável e benéfico para todos do que negociações fragmentadas. Ebrard estava sinalizando que quer as três nações na mesa, não apenas duas.

Inventor

Qual é a verdadeira pressão sobre o Canadá aqui?

Model

O prazo de 1º de julho é real, mas a pressão maior é a dependência: 70% das exportações canadenses vão para os EUA. Sem um acordo renovado, o país fica preso a revisões anuais até 2036. Isso é instabilidade econômica.

Inventor

Greer já deixou claro o que quer?

Model

Sim. Tarifas para o Canadá se quiser participar, regras de origem mais rigorosas para automóveis, e maior acesso ao mercado canadense para laticínios americanos. Não são pedidos pequenos.

Inventor

Carney consegue vender isso domesticamente?

Model

Ele está tentando enquadrar como uma vitória — uma economia canadense mais forte ajuda a América. Mas empresas canadenses já estão reclamando da lentidão. Se ele aceitar tarifas, terá de explicar por que o México não teve de fazer o mesmo.

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