Dos 61 mortos por gripe, 48 não haviam se vacinado
Campinas atravessa o outono de 2025 sob o peso de duas epidemias silenciosas: a gripe e a dengue, que juntas já ceifaram 88 vidas desde janeiro. Os mortos mais recentes — um homem de 87 anos e outro de 81 — carregavam comorbidades e representam o perfil mais vulnerável dessas doenças, que continuam a cobrar seu preço sobretudo entre os que não se vacinaram ou que vivem em ambientes propícios ao mosquito. A cidade responde com vacinas abertas a todos e ações de campo, mas a lição mais antiga permanece: a prevenção começa em casa.
- Campinas acumula 61 mortes por gripe e 27 por dengue em menos de um ano, um ritmo que dobra o total de óbitos por influenza registrado em todo o ano de 2024.
- Dois idosos com comorbidades morreram recentemente — um por síndrome respiratória aguda grave causada pelo influenza, outro por dengue — reforçando o alerta sobre a fragilidade de populações de risco.
- A desproporção é alarmante: 48 dos 61 mortos por gripe não estavam vacinados, enquanto a vacina permanece gratuita e disponível sem agendamento em 69 centros de saúde.
- A prefeitura mobiliza equipes para nebulização, busca ativa de sintomáticos e controle de criadouros após cada morte confirmada por dengue, tentando conter o avanço do Aedes aegypti.
- A população é convocada a agir no próprio quintal: eliminar água parada em pneus, calhas, pratos de plantas e caixas d'água abertas é, segundo a secretaria de Saúde, a defesa mais eficaz disponível.
Campinas enfrenta simultaneamente dois surtos de doenças infecciosas que já somam 88 mortes desde janeiro. A gripe matou 61 pessoas — quase o dobro dos 30 óbitos registrados em todo o ano anterior — e a dengue, outras 27. Os casos mais recentes envolvem um homem de 87 anos que morreu em outubro por síndrome respiratória aguda grave causada pelo influenza, sem ter se vacinado, e um paciente de 81 anos que faleceu por dengue em maio, após 11 dias de evolução da doença. Ambos tinham comorbidades.
Os dados acumulados expõem um padrão preocupante: 48 dos 61 mortos por gripe não haviam recebido o imunizante, e 60 dos 61 tinham doenças preexistentes. Entre os 13 vacinados que morreram, dois desenvolveram sintomas antes de completar os 15 dias necessários para a proteção plena. A vacina contra influenza — que cobre as variantes H1N1, H3N2 e o tipo B — está disponível sem agendamento em todos os 69 centros de saúde da cidade, para qualquer pessoa a partir de seis meses de idade.
No front da dengue, a secretaria de Saúde aciona medidas específicas a cada morte confirmada: controle de criadouros, busca ativa de casos e nebulização na região de residência do paciente. Mas a orientação central permanece a mais simples e a mais eficaz — eliminar qualquer acúmulo de água em casa, de pneus a pratos de plantas, e manter caixas d'água vedadas. A saúde pública de Campinas insiste que essa vigilância doméstica cotidiana é, ainda hoje, a principal barreira contra o avanço do mosquito.
Campinas segue enfrentando uma dupla ameaça de doenças infecciosas. Nos últimos meses, a cidade registrou novas mortes por gripe e dengue, ambas em pacientes idosos que carregavam outras condições de saúde. Um homem de 87 anos morreu de síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus influenza no dia 14 de outubro, sem ter recebido a vacina contra a doença. Semanas antes, em maio, um paciente de 81 anos faleceu por dengue, residente na área do Centro de Saúde Jardim Florence.
Os números acumulados desde janeiro revelam a escala do problema. A gripe já matou 61 pessoas em Campinas neste ano — um salto considerável em relação aos 30 óbitos registrados durante todo 2024. A cidade também contabiliza 436 casos confirmados de síndrome respiratória aguda grave por influenza. O padrão é claro: entre os 61 falecidos, 48 não haviam se vacinado. Dos 13 que receberam o imunizante, 11 estavam adequadamente protegidos; os outros dois desenvolveram sintomas antes do período de 15 dias necessário para que a vacina oferecesse proteção completa. Praticamente todos os óbitos — 60 dos 61 — ocorreram em pessoas com doenças preexistentes, confirmando que o risco é particularmente alto para quem já convive com outras condições de saúde.
A dengue, por sua vez, já provocou 27 mortes desde janeiro. O caso mais recente envolveu o paciente de 81 anos que começou a apresentar sintomas em 11 de maio e faleceu 11 dias depois. Segundo a secretaria de Saúde, a evolução para óbito depende de múltiplos fatores: a rapidez com que a pessoa procura atendimento, a qualidade do manejo clínico, e características individuais como comorbidades ou outras condições clínicas especiais.
Diante desse cenário, a prefeitura mantém duas frentes de ação. Para a gripe, a vacina segue disponível em todos os 69 centros de saúde da cidade, sem necessidade de agendamento e aberta a toda a população a partir de seis meses de idade. Basta levar um documento com foto e a caderneta de vacinação, se houver. Este ano, o imunizante protege contra os vírus influenza A (nas variantes H1N1 e H3N2) e B, e pode ser administrado simultaneamente com outras vacinas do calendário. Crianças recebendo a dose pela primeira vez precisam de duas aplicações com intervalo de 30 dias.
Para a dengue, a estratégia é mais complexa. Após cada morte confirmada, a secretaria desencadeia medidas na região onde o paciente residia: controle de criadouros do mosquito Aedes aegypti, busca ativa de pessoas com sintomas, e nebulização para reduzir a população de insetos. A orientação à população permanece a mesma há anos, mas continua sendo a mais eficaz: eliminar qualquer acúmulo de água que possa servir de habitat para o mosquito — em latas, pneus, pratos de plantas, lajes e calhas. Também é importante vedar caixas d'água e manter fechados vasos sanitários que não estejam em uso. A saúde pública de Campinas reforça que essa vigilância doméstica é a melhor defesa contra a doença.
Notable Quotes
A melhor forma de prevenção contra a dengue é eliminar qualquer acúmulo de água que possa servir de criadouro para o mosquito— Secretaria de Saúde de Campinas
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a gripe matou mais pessoas em 2025 do que em todo o ano passado?
Não sabemos ao certo, mas o padrão é preocupante. O que os números mostram é que 48 das 61 mortes foram de pessoas não vacinadas. Se a cobertura vacinal fosse maior, provavelmente teríamos menos óbitos.
E entre os que foram vacinados, ninguém morreu?
Onze dos 13 vacinados estavam adequadamente protegidos e morreram mesmo assim. Mas dois desenvolveram sintomas antes da vacina fazer efeito — ela leva 15 dias. Então tecnicamente a vacina não falhou; o timing foi contra eles.
Qual é o perfil das vítimas?
Quase todos tinham outras doenças. Dos 61 mortos por gripe, 60 tinham comorbidades. Idosos com diabetes, hipertensão, problemas respiratórios crônicos — essas pessoas estão em risco muito maior.
A dengue segue sendo um problema tão grave quanto a gripe?
Proporcionalmente, sim. Já são 27 mortes desde janeiro. O caso mais recente foi um homem de 81 anos que levou 11 dias entre os primeiros sintomas e o óbito. Também tinha outras doenças.
O que a prefeitura pode fazer além de oferecer vacina e eliminar criadouros?
Honestamente, pouco. A vacinação funciona. O controle de mosquitos funciona. O resto depende das pessoas — de levar a sério a prevenção em casa, de procurar atendimento rápido quando os sintomas aparecem, de não ignorar sinais de alerta.
Então a responsabilidade recai sobre o indivíduo?
Não é bem assim. A saúde pública oferece as ferramentas. Mas sim, cada pessoa precisa usar elas.