Câmara pressiona por anistia a Bolsonaro, mas Alcolumbre sinaliza rejeição no Senado

O Senado não vai deixar passar assim, afirma esperança dos governistas
Lindbergh Farias relata que Alcolumbre sinalizou rejeição à anistia ampla que a Câmara articula.

Em Brasília, enquanto o Supremo Tribunal Federal avança no julgamento de Jair Bolsonaro pelo inquérito do golpe, o Congresso Nacional trava uma batalha paralela sobre o destino político do ex-presidente. A Câmara articula uma anistia ampla com apoio do Centrão, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinaliza resistência — tornando-se, para os governistas, o último dique contra uma proposta que mistura Justiça, calendário eleitoral e reconfiguração de forças políticas.

  • A oposição acelera a votação de uma anistia 'ampla, geral e irrestrita' na Câmara, com o julgamento de Bolsonaro no STF servindo de combustível para a pressão.
  • Deputados da oposição chegaram a ocupar o plenário por 34 horas em agosto, exigindo compromissos do presidente Hugo Motta — sinal de que a tensão já ultrapassou os limites do debate formal.
  • O presidente do Senado, Alcolumbre, avisou aliados que o texto precisaria mudar substancialmente para ser votado em sua casa, oferecendo aos governistas uma esperança de bloqueio.
  • A base de Lula já conta votos na Câmara, tentando avaliar se ainda é possível barrar a proposta antes que ela chegue ao plenário com força suficiente para ser aprovada.
  • Na próxima terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes lê seu voto no julgamento do golpe — um momento que pode reconfigurar toda a equação política em torno da anistia.

Enquanto o STF encerrava nesta quarta-feira as sustentações orais no julgamento de Bolsonaro e outros sete acusados no inquérito do golpe, uma disputa paralela ganhava força nos corredores do Congresso. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, saiu do tribunal com um recado: a oposição avança com uma anistia para livrar Bolsonaro das acusações, mas encontrará resistência no Senado. Segundo ele, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, teria sinalizado a aliados que qualquer proposta precisaria ser substancialmente alterada para passar por sua casa.

A pressão pela anistia cresce há meses, sustentada por uma coligação do Centrão — União Brasil, PP, Republicanos e parte do PSD — que trabalha ao lado do ex-presidente Arthur Lira e do governador Tarcísio de Freitas para forçar a votação. A exigência é por uma anistia sem restrições que pudessem deixar Bolsonaro vulnerável. O presidente da Câmara, Hugo Motta, tornou-se o alvo direto dessas cobranças, que se intensificaram conforme o julgamento no STF avançava.

A trajetória da proposta revela como o Legislativo tenta contornar a Justiça. Quando ainda presidia a Câmara, Lira desviou a votação para uma comissão especial, congelando o processo. Ao deixar o cargo, transferiu a 'polêmica' para Motta sem compromisso público. Em agosto, a tensão explodiu: deputados da oposição ocuparam o plenário por 34 horas, exigindo garantias. Nenhum compromisso foi assumido abertamente, mas um acordo foi costurado nos bastidores com líderes do Centrão e do PL.

O timing não é acidental. Com o ano eleitoral se aproximando, o Centrão se desembaraça do governo Lula e reposiciona suas fichas. A anistia virou moeda de troca e teste de força entre blocos em reorganização. Os governistas já admitem que ao menos a votação da urgência ocorrerá no plenário, e a base de Lula conta votos para saber se ainda é possível barrar a proposta. Na próxima terça, quando Moraes votar, o resultado pode mudar tudo.

Em Brasília, enquanto o Supremo Tribunal Federal encerrava nesta quarta-feira a fase de sustentações orais no julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete acusados no inquérito do golpe, uma batalha paralela ganhava intensidade nos corredores do Congresso. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, saiu do tribunal federal com uma mensagem clara: a oposição está costurando uma anistia para livrar Bolsonaro das acusações, mas encontrará uma barreira inesperada no Senado.

"O texto que discutem na Câmara é para livrar a cara do Bolsonaro", disse Farias nesta quarta. "O que a gente tem é que o Davi Alcolumbre disse que, no Senado, não vai ser assim." O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, teria sinalizado a aliados que qualquer proposta de anistia precisaria ser substancialmente alterada para passar por sua casa. Para os governistas, essa resistência no Senado é a última esperança de barrar uma proposta que já avança com força na Câmara.

A pressão pela anistia vem crescendo há meses, alimentada por uma coligação improvável: União Brasil, PP, Republicanos e parte do PSD — partidos que formam o núcleo do Centrão — trabalham lado a lado com o ex-presidente Arthur Lira e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas para forçar a votação. Esses partidos exigem uma anistia "ampla, geral e irrestrita", sem restrições que pudessem deixar Bolsonaro vulnerável. O presidente da Câmara, Hugo Motta, tem sido o alvo direto dessa pressão, com cobranças que se intensificaram conforme o julgamento no STF avançava.

A história dessa anistia é também a história de como o poder legislativo tenta contornar a Justiça. Quando Arthur Lira era presidente da Câmara, ele impediu a votação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça e a desviou para uma comissão especial — uma manobra que congelou o processo. Ao deixar a presidência, Lira entregou a "polêmica" para seu sucessor, Hugo Motta, sem que este se comprometesse publicamente com a votação. Mas a pressão não parou. Em agosto, deputados da oposição ocuparam fisicamente o plenário por 34 horas, impedindo sessões, exigindo que Hugo se comprometesse com a anistia e com outra proposta, a PEC do Fim do Foro. Nenhum compromisso foi assumido, mas um acordo foi costurado nos bastidores por Lira com líderes do Centrão e do PL.

Agora, com o julgamento de Bolsonaro em seu momento crítico — na próxima terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes lerá seu voto, indicando condenação ou absolvição — a oposição intensifica as cobranças. Os governistas já admitem que pelo menos a votação da urgência da proposta acontecerá no plenário. Deputados da base de Lula começaram a contar votos para entender se há condições de barrar a proposta quando ela chegar ao plenário.

O timing não é coincidência. O Centrão está se desembaraçando do governo Lula justamente quando o ano eleitoral se aproxima, antecipando as posições que esses partidos ocuparão na próxima disputa presidencial. A anistia se tornou moeda de troca política, um teste de força entre blocos que se reorganizam. Os partidos já articulam possíveis nomes para relator da proposta no plenário — preferencialmente alguém de União Brasil ou PP, os dois partidos federados que lideram a ofensiva.

O que acontece agora depende de duas casas legislativas com dinâmicas distintas. Na Câmara, os números parecem favorecer a aprovação. No Senado, Alcolumbre representa uma incógnita que pode mudar tudo. Na próxima terça, quando Moraes votar, saberemos se a Justiça condena ou absolve Bolsonaro — e isso pode reconfigurar toda a equação política em torno da anistia.

O texto que discutem na Câmara é para livrar a cara do Bolsonaro. O que a gente tem é que o Davi Alcolumbre disse que, no Senado, não vai ser assim.
— Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Alcolumbre, sendo presidente do Senado, teria poder de barrar uma anistia aprovada na Câmara? Não é uma questão de maioria?

Model

Tecnicamente sim, mas na prática o presidente da casa controla a pauta. Se Alcolumbre não colocar em votação, a proposta fica congelada. E ele sinalizou que o texto precisaria mudar — o que significa que ele quer negociar, não simplesmente deixar passar.

Inventor

Então a Câmara está votando algo que sabe que pode não passar no Senado?

Model

Exatamente. É um jogo de pressão. A oposição quer mostrar força, quer deixar claro que tem votos. Mas sabe que Alcolumbre é um obstáculo. Para os governistas, isso é uma vantagem — eles podem dizer que tentaram barrar, mas o Senado salvou.

Inventor

E por que o Centrão está tão empenhado nisso agora, se antes não era prioridade?

Model

Porque estão saindo do governo. Quando você sai de uma coligação, precisa se realinhar. Apoiar Bolsonaro — ou pelo menos sua anistia — é uma forma de se aproximar da direita antes das próximas eleições. É cálculo eleitoral puro.

Inventor

Lindbergh Farias estava assistindo ao julgamento. Isso significa que o PT está monitorando tudo?

Model

Sim. O PT sabe que cada movimento no STF alimenta a pressão pela anistia. Quanto mais grave parecer a acusação contra Bolsonaro, mais a oposição grita por anistia. Farias estava lá para ver de perto e depois comunicar ao partido o que vinha.

Inventor

E se Moraes condenar Bolsonaro na terça? Isso muda alguma coisa?

Model

Muda tudo. Uma condenação torna a anistia ainda mais urgente para a oposição — porque seria uma forma de anular a sentença. Mas também pode mobilizar a base de Lula contra a proposta. É o momento mais tenso possível.

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