Pediu aos brasileiros que não esquecessem das crianças
Quase um ano após sua morte, o Brasil avança em direção a um reconhecimento formal do legado de Pelé: a Câmara dos Deputados aprovou projeto que transforma 19 de novembro em Dia Nacional do Rei Pelé, data em que, em 1969, o jogador marcou seu milésimo gol diante de mais de 65 mil pessoas no Maracanã. O gesto legislativo não celebra apenas um feito esportivo, mas reconhece que há homens cujas trajetórias se tornam parte da identidade de um povo — e que merecem ser lembrados com a permanência que só a lei pode oferecer.
- A morte de Pelé em dezembro de 2022 deixou um vazio simbólico que o Brasil ainda busca preencher com gestos à altura de sua grandeza.
- O projeto de lei 5867/23, aprovado na Câmara, escolhe como data de homenagem o dia do milésimo gol — um marco que parou o país em 1969 e nunca foi esquecido.
- O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado Federal antes de se tornar lei nacional, mantendo o reconhecimento em compasso de espera.
- Paraná e Curitiba já haviam saído na frente, instituindo a mesma data por legislações estadual e municipal, sinalizando um caminho que agora ganha escala federal.
- Mais do que um calendário, a proposta consolida a narrativa de um homem que pediu, no momento de seu maior gol, que o Brasil não esquecesse suas crianças mais vulneráveis.
No final de 2023, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que inscreve 19 de novembro no calendário nacional como Dia do Rei Pelé. A data carrega peso histórico: foi nesse dia, em 1969, que o jogador converteu um pênalti contra o Vasco no Maracanã — diante de mais de 65 mil pessoas — e alcançou o milésimo gol de sua carreira. O projeto segue agora para apreciação no Senado Federal, chegando quase um ano após a morte de Pelé, em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos.
O caminho até aquele gol foi tenso. Em 14 de novembro, Pelé havia marcado o 999º gol em João Pessoa; dois dias depois, visitou o Bahia sem conseguir o gol histórico. A espera terminou no Maracanã, com um pênalti que entrou para sempre na memória do futebol brasileiro. Naquele instante cercado de holofotes, Pelé fez um apelo incomum: pediu que os brasileiros não esquecessem as crianças e os mais necessitados — compromisso que ele honraria anos depois com a criação do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, em Curitiba.
Ao longo da carreira, foram 1.282 gols e três títulos de Copa do Mundo — 1958, 1962 e 1970 —, feito que nenhum outro jogador repetiu. Esses números fundamentam a justificativa do projeto aprovado. O reconhecimento federal não é inédito no espírito: Paraná e Curitiba já haviam instituído a mesma data por legislações próprias. Agora, 19 de novembro caminha para se tornar um momento nacional de reflexão sobre um homem que transcendeu o esporte e se fundiu à identidade do Brasil.
A Câmara dos Deputados aprovou, no final de 2023, um projeto de lei que inscreve 19 de novembro no calendário nacional como Dia do Rei Pelé. A data não foi escolhida ao acaso: marca o momento em que o jogador alcançou um feito que o acompanharia para sempre — o milésimo gol de sua carreira, marcado em 1969.
O projeto chega quase um ano após a morte de Pelé, ocorrida em 29 de dezembro de 2022, quando o jogador tinha 82 anos e lutava contra um câncer no cólon. Agora, o texto segue para apreciação no Senado Federal. A aprovação na Câmara representa um reconhecimento institucional do legado do homem que transformou o futebol brasileiro em símbolo de identidade nacional.
O caminho até aquele gol histórico começou dias antes. Em 14 de novembro de 1969, quando o Santos enfrentava o Botafogo-PB em um amistoso no Estádio José Américo de Almeida, em João Pessoa, Pelé marcou seu 999º gol na vitória por 3 a 0. Faltava um. Dois dias depois, o time paulista visitou o Bahia, mas o gol não veio. Foi necessário esperar até 19 de novembro. No Maracanã, diante de 65.157 pessoas, Pelé converteu um pênalti contra o goleiro Andrada, do Vasco, levando o Santos à vitória por 2 a 1. O milésimo gol havia chegado.
Naquele momento, cercado pela multidão e pelos holofotes, Pelé fez um apelo que definiria parte de seu legado fora dos campos: pediu aos brasileiros que não esquecessem das crianças e das pessoas mais necessitadas. Não era apenas uma frase de circunstância. Anos depois, ele transformaria esse compromisso em ação, estabelecendo uma parceria com o Pequeno Príncipe, o maior hospital pediátrico do país, localizado em Curitiba. Dessa colaboração nasceu o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, dedicado ao estudo de doenças complexas da infância e à pesquisa em saúde de crianças e adolescentes.
Ao longo de sua carreira, Pelé acumulou 1.282 gols — um número que continua impressionando décadas depois. Mas os números não contam toda a história. Ele permanece como o único jogador na história a conquistar três Copas do Mundo, em 1958, 1962 e 1970. Essas realizações estão citadas na justificativa do projeto aprovado pela Câmara, servindo como fundamento para a homenagem legislativa.
O reconhecimento em nível federal não é o primeiro. O Estado do Paraná e a cidade de Curitiba já haviam instituído, por meio de legislações estadual e municipal, o dia 19 de novembro como Dia do Rei Pelé. Agora, a data ganha dimensão nacional, transformando-se em momento de reflexão sobre o legado de um homem que transcendeu o esporte e se tornou parte da narrativa brasileira.
Citações Notáveis
Pediu que os brasileiros não se esquecessem das crianças e das pessoas mais necessitadas— Pelé, na comemoração do milésimo gol em 1969
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que escolher justamente o dia do milésimo gol para criar uma data nacional de homenagem?
Porque aquele momento capturou algo que vai além do futebol. Não era apenas um número — era um símbolo de excelência alcançada, de um homem que redefiniu o que era possível em um campo de jogo.
E o apelo que Pelé fez naquele dia, sobre as crianças necessitadas — isso foi realmente importante para ele?
Parece ter sido genuíno. Ele transformou aquelas palavras em ação anos depois, criando um instituto de pesquisa em um hospital pediátrico. Não é o tipo de coisa que alguém faz por publicidade.
A aprovação acontece quase um ano após sua morte. Há algo simbólico nisso?
Talvez. É como se o Brasil precisasse de tempo para processar a perda antes de oficializar a memória. A morte em dezembro de 2022 foi recente o suficiente para que a aprovação em 2023 ainda carregasse peso emocional.
Outros estados já tinham feito isso antes. Por que o governo federal demorou?
Processos legislativos são lentos. Mas também há algo sobre deixar que iniciativas locais caminhem primeiro, validando a ideia antes de elevá-la ao nível nacional.
O que muda agora que é lei federal?
Muda a escala. Deixa de ser uma celebração regional e se torna parte da identidade nacional. É reconhecimento oficial de que Pelé não pertence apenas ao Paraná ou a São Paulo — pertence ao Brasil inteiro.