Câmara aprova dia nacional de conscientização sobre doenças cardiovasculares em mulheres

Mais de 170 mil mulheres morreram por doenças cardiovasculares no Brasil em 2019, representando a principal causa de morte na população feminina.
Doenças cardiovasculares mataram mais mulheres que câncer em 2019
No Brasil, circulatórias foram a primeira causa de morte feminina, com mais de 170 mil óbitos registrados.

Em 17 de junho de 2021, a Câmara dos Deputados brasileira aprovou um projeto que transforma 14 de maio em marco anual de conscientização cardiovascular feminina — um gesto legislativo diante de uma realidade que mata mais de 170 mil mulheres por ano no país. As doenças do coração, primeira causa de morte entre mulheres no Brasil, avançam em silêncio, alimentadas por fatores evitáveis e pela falta de informação dirigida especificamente ao público feminino. O projeto, que ainda aguarda o Senado, propõe que um dia no calendário seja capaz de abrir conversas que o cotidiano frequentemente fecha.

  • Doenças cardiovasculares mataram mais de 170 mil mulheres brasileiras em 2019 — mais do que o câncer —, e a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada com informação e prevenção.
  • A invisibilidade do risco cardiovascular feminino é o nó central: mulheres frequentemente não reconhecem os próprios sinais de alerta nem compreendem que estão vulneráveis.
  • A Câmara aprovou o PL 1136/2019, instituindo 14 de maio como Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, com apoio de deputadas do PSDB de Rondônia e Mato Grosso do Sul.
  • A data servirá de âncora para campanhas coordenadas entre governo, Sociedade Brasileira de Cardiologia, universidades e sociedade civil, focadas em sintomas, fatores de risco e hábitos protetores.
  • O projeto segue agora para o Senado — se aprovado, o Brasil terá um instrumento formal para estruturar prevenção e diagnóstico precoce direcionados especificamente às mulheres.

Na tarde de 17 de junho de 2021, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1136/2019, que institui 14 de maio como o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher. O número por trás da iniciativa é pesado: em 2019, mais de 170 mil mulheres morreram no Brasil em decorrência de doenças do aparelho circulatório — a principal causa de morte feminina no país, superando até o câncer.

A autora do projeto, deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), argumenta que boa parte dessas mortes é evitável. Alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool são fatores de risco conhecidos, mas o que falta é conscientização direcionada às mulheres, que muitas vezes não reconhecem os próprios sinais de alerta.

A data escolhida funcionará como ponto de convergência para campanhas organizadas em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, universidades, escolas e organizações civis — palestras, eventos e treinamentos que coloquem o tema em evidência. A deputada relatora Rose Modesto (PSDB-MS) reforça que identificar precocemente hipertensão, colesterol elevado ou triglicerídeos altos pode mudar trajetórias de vida.

Carvalho reconhece que reduzir a mortalidade cardiovascular é tarefa complexa, que exige controle contínuo de fatores de risco e esforço coordenado entre médicos, gestores e famílias. Mas criar um ponto de referência no calendário é, segundo ela, um começo. O projeto segue agora para análise do Senado, onde, se aprovado, dará ao Brasil um instrumento formal para estruturar ações de prevenção e diagnóstico precoce focadas especificamente nas mulheres.

Na tarde de 17 de junho, a Câmara dos Deputados votou a favor do Projeto de Lei 1136/2019, que estabelece 14 de maio como o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher. A aprovação marca um passo na direção de ampliar a atenção pública sobre um problema de saúde que mata silenciosamente: em 2019, doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por mais de 170 mil mortes de mulheres no Brasil, tornando-se a principal causa de morte na população feminina — um número que supera até mesmo o de óbitos por câncer.

A deputada Mariana Carvalho, do PSDB de Rondônia, autora do projeto, argumenta que essa realidade exige ação. As doenças cardiovasculares não surgem do nada: alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool e tabagismo são fatores de risco bem conhecidos e, em grande medida, evitáveis. O que falta, segundo a justificativa do projeto, é conscientização específica dirigida às mulheres, que frequentemente não reconhecem os sinais de alerta ou não entendem seus próprios riscos.

A data escolhida — 14 de maio — servirá como âncora para campanhas e ações coordenadas entre o poder público, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, universidades, escolas e organizações da sociedade civil. O objetivo é organizar palestras, eventos e treinamentos que coloquem o tema em evidência, criando espaço para que mulheres aprendam sobre sintomas, fatores de risco e hábitos que protegem o coração.

Rose Modesto, deputada relatora do projeto pelo PSDB do Mato Grosso do Sul, enfatiza que a informação e a conscientização são ferramentas de saúde pública. Identificar precocemente sinais de hipertensão, colesterol elevado ou triglicerídeos altos — e agir sobre eles — pode mudar trajetórias. O mesmo vale para reconhecer quando o sedentarismo ou o tabagismo estão colocando a saúde em risco. Segundo Modesto, essas são as bases para melhorar as condições de saúde das mulheres brasileiras.

Carvalho reconhece que reduzir a mortalidade por doenças cardiovasculares é uma tarefa complexa. Não depende apenas de um dia de conscientização ou de campanhas isoladas. Exige controle contínuo de fatores de risco, manejo clínico otimizado dos pacientes e um esforço coordenado de múltiplos agentes — médicos, gestores, educadores, famílias. Mas criar um ponto de referência no calendário, um dia que volta a atenção para esse problema específico, é um começo.

Agora o projeto segue para o Senado, onde será analisado antes de potencialmente se tornar lei. Se aprovado, o Brasil terá um instrumento formal para estruturar ações de prevenção e diagnóstico precoce focadas especificamente nas mulheres — um reconhecimento de que as doenças cardiovasculares não afetam homens e mulheres da mesma forma, e que as mulheres precisam de informação e atenção direcionadas.

As doenças cardiovasculares podem ser prevenidas por ações de saúde pública que envolvem o controle de fatores de risco e manejo clínico otimizado dos pacientes
— Deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), autora do projeto
A identificação precoce de sintomas e tratamento precoce de condições como hipertensão, aumento de colesterol ou triglicerídeos são benefícios relevantes do projeto
— Deputada Rose Modesto (PSDB-MS), relatora
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que foi necessário criar um dia específico para isso? Não bastaria ampliar campanhas gerais sobre saúde cardiovascular?

Model

Porque as mulheres frequentemente não se veem nos alertas sobre doenças do coração. Historicamente, a cardiologia focou mais em homens. Um dia dedicado muda a conversa — torna visível um problema que mata mais mulheres do que qualquer outra causa.

Inventor

E 14 de maio — há algo especial nessa data?

Model

Não há uma razão histórica profunda mencionada. Parece ser uma escolha prática para criar um ponto de referência no calendário, um dia que volta a atenção anualmente para o tema.

Inventor

Os números de 2019 — 170 mil mortes — isso é muito?

Model

Para contexto: superou o número de mortes por câncer. É a primeira causa de morte entre mulheres. Então sim, é um número que deveria estar em toda conversa sobre saúde pública feminina.

Inventor

O projeto menciona fatores de risco como alimentação e sedentarismo. Mas essas coisas não são responsabilidade individual?

Model

Sim e não. Claro que escolhas individuais importam. Mas o projeto reconhece que prevenção real exige ação pública — campanhas, educação, acesso a informação. Não é apenas dizer às mulheres para se exercitarem; é criar as condições para que possam.

Inventor

O que muda quando isso vira lei?

Model

Muda a obrigação. Órgãos públicos, universidades, entidades médicas terão um marco legal para organizar ações coordenadas. Sem a lei, é voluntário. Com ela, é esperado.

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