Calor extremo e focos de incêndio aumentam em MS com temperaturas acima de 40°C

Incêndios florestais ameaçam ecossistemas do Pantanal e podem impactar comunidades locais e trabalhadores rurais na região.
A intensidade atual é notável, mesmo em época historicamente comum para incêndios
Bombeiros reconhecem que focos de janeiro de 2026 apresentam força maior que períodos anteriores.

No coração úmido do Brasil, o Pantanal enfrenta mais uma semana de fogo iminente: temperaturas acima de 40°C e umidade em colapso transformam a vegetação regenerada após 2024 em combustível à espera de uma faísca. Os 69 focos detectados em janeiro — o dobro do mesmo período do ano anterior — revelam que a memória do desastre ainda não é garantia de proteção, mas que a resposta humana, desta vez, chegou antes das chamas.

  • O calor extremo e a seca severa criam condições explosivas no Pantanal, onde a vegetação recuperada dos incêndios de 2024 funciona agora como um vasto depósito de combustível.
  • Os focos já são realidade: o Corpo de Bombeiros combate incêndios ativos no Parque Estadual do Rio Negro, no Nabileque e próximo ao Rio Paraguai, em Corumbá.
  • O número de focos em janeiro de 2026 é o dobro do registrado no mesmo período de 2025, sinalizando que o pior da temporada ainda pode estar por vir.
  • O Estado aposta na infraestrutura construída após a catástrofe de 2024 — bases avançadas, equipes mobilizadas e reuniões de alinhamento operacional — para repetir o desempenho histórico de 2025.
  • A Força Nacional de Segurança Pública atua em paralelo, investigando incêndios de origem humana com policiais, bombeiros e peritos forenses já em campo no estado.

Mato Grosso do Sul atravessa uma semana de calor extremo, com temperaturas previstas acima de 40°C e umidade do ar em níveis perigosos. O cenário é agravado por um paradoxo amargo: a vegetação que se recuperou dos incêndios catastróficos de 2024 agora oferece combustível abundante para novos focos. Desde o início de janeiro, satélites identificaram 69 focos ativos no Pantanal — praticamente o dobro dos 34 registrados no mesmo período do ano anterior.

O Corpo de Bombeiros Militar já combate incêndios no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, no Nabileque e na região norte de Corumbá, próximo ao Rio Paraguai. O major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental, reconhece que a intensidade atual é notável, mesmo que incêndios sejam historicamente comuns nesta época do ano.

O que diferencia este momento de 2024 — quando mais de 2,3 milhões de hectares foram queimados — é a infraestrutura erguida depois da pior temporada da história do estado. Em 2025, apenas 1.844 focos foram registrados em todo o ano e a área queimada caiu para 202.678 hectares, tornando 2025 o melhor ano da série histórica iniciada em 1998. As bases avançadas implantadas em diferentes regiões do Pantanal permitiram respostas rápidas e eficientes.

Teixeira garante que as mesmas ações continuam em 2026, com instituições alinhando planos operativos para o período de maior criticidade da seca. Em paralelo, o Ministério da Justiça determinou que a Força Nacional de Segurança Pública atue no estado, com policiais militares, civis, bombeiros e peritos criminais investigando incêndios provocados por ação humana — trabalho iniciado ainda em 2024 e que segue em curso. Nos próximos dias, enquanto o calor avança, o estado testará se um ano de preparação é suficiente para conter o que a natureza — e, em alguns casos, a mão humana — pode desencadear.

Mato Grosso do Sul enfrenta uma semana de calor extremo, com temperaturas previstas acima de 40°C e umidade do ar em níveis perigosamente baixos. A combinação é particularmente preocupante porque a vegetação densa que se recuperou dos incêndios catastróficos de 2024 agora fornece combustível abundante para novos focos. Desde o primeiro dia de janeiro até agora, satélites detectaram 69 focos ativos no Pantanal — praticamente o dobro dos 34 registrados no mesmo período do ano anterior.

O aumento é visível e imediato. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado já está combatendo incêndios no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, ao norte da Serra de Bodoquena, além de dois outros focos no Nabileque e na região norte de Corumbá, próximo ao Rio Paraguai. O major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental, reconhece que embora incêndios sejam historicamente comuns nesta época do ano, a intensidade atual é notável. A unidade de Corumbá já mobilizou equipes para responder aos focos que atingem a região pantaneira.

O que torna este momento menos catastrófico do que poderia ser é a infraestrutura montada após 2024, quando o Estado viveu sua pior temporada de incêndios da história. Naquele ano, mais de 2,3 milhões de hectares foram queimados. O governo estadual respondeu implantando bases avançadas em diferentes regiões do Pantanal, permitindo resposta rápida e eficiente aos focos. Os resultados foram notáveis em 2025: apenas 1.844 focos foram registrados em todo o Estado até 31 de dezembro, número menor que os 2.111 do início da série histórica que começou em 1998. A área queimada caiu para 202.678 hectares — uma redução drástica que fez de 2025 o melhor ano da série.

Teixeira afirma que as ações adotadas em 2025 continuam este ano, com instituições realizando reuniões para alinhar planos operativos. O objetivo é estar preparado no momento de maior criticidade da seca e alcançar resultados semelhantes aos do ano anterior. Não é apenas uma questão de equipamento e pessoal: o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou que a Força Nacional de Segurança Pública atue em ações de combate a incêndios florestais, envolvendo atividades de polícia judiciária e perícia forense. Agentes já estão em Mato Grosso do Sul, trabalhando com a Polícia Federal e órgãos estaduais para investigar e combater as causas de incêndios provocados por ação humana. O efetivo exato não foi divulgado por regramento de missões, mas envolve policiais militares, civis, bombeiros militares e peritos criminais.

Este trabalho de investigação começou em 2024, durante o período grave de incêndios, e continua com foco em bombeiros, policiais judiciários e peritos forenses. A estratégia é dupla: responder rapidamente aos focos que surgem enquanto investiga quem os causa. Nos próximos dias, conforme as temperaturas sobem e a umidade cai ainda mais, o Estado estará testando se a preparação de um ano é suficiente para conter o que a natureza e, em alguns casos, a ação humana podem provocar.

Historicamente há incêndios nesta época, mas este ano os focos se apresentam com maior intensidade. Já estamos nos preparando estruturalmente para ter capacidade de resposta.
— Major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar de MS
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que 2025 foi tão melhor que 2024, se as condições climáticas são semelhantes?

Model

As bases avançadas fizeram a diferença. Quando você consegue chegar a um foco em horas em vez de dias, você salva hectares inteiros. Em 2024, o fogo se espalhava enquanto esperávamos resposta.

Inventor

Mas agora em janeiro já temos o dobro de focos que no ano passado. Isso significa que a preparação não está funcionando?

Model

Não exatamente. Significa que as condições estão mais severas este ano. Mais vegetação recuperada, menos chuva, calor mais intenso. O que funcionou em 2025 pode não ser suficiente se a seca for pior.

Inventor

E quanto aos incêndios causados por pessoas? Como a Força Nacional vai ajudar?

Model

Investigando. Se conseguem identificar quem está ateando fogo, conseguem processar. Mas é difícil — a maioria dos focos em área tão grande é impossível de rastrear.

Inventor

Então é uma questão de sorte? De o fogo não pegar?

Model

Não é sorte. É preparação, resposta rápida, e esperança de que a chuva chegue antes que tudo queime. Ninguém controla o clima, mas você controla como reage a ele.

Inventor

E se falhar? Se os focos explodirem como em 2024?

Model

Então voltamos para 2,3 milhões de hectares queimados. Comunidades afetadas, ecossistema destruído, anos de recuperação. Por isso estão tão focados em não deixar isso acontecer novamente.

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