Brasil cria 1,5 milhão de vagas formais em sete meses, mas ritmo desacelera

Taxa de desemprego atinge 10,6 milhões de brasileiros, embora tenha caído para 9,8% no trimestre encerrado em maio.
O ritmo de criação de empregos está perdendo força
Julho registrou 220 mil postos formais, abaixo de junho e do mesmo mês de 2021, sinalizando desaceleração.

O Brasil avança na reconstrução de seu mercado de trabalho, mas o passo vai ficando mais curto: com 1,5 milhão de empregos formais criados nos sete primeiros meses de 2022, o país ainda caminha, porém com menos vigor do que no ano anterior. Em julho, o saldo de 220 mil postos ficou aquém do registrado em junho e do mesmo mês de 2021, revelando que a recuperação pós-pandemia não é linear nem garantida. Enquanto o governo projeta encerrar o ano com até 2,4 milhões de novas vagas e aposta no Auxílio Brasil para sustentar o consumo, mais de 10 milhões de brasileiros ainda aguardam sua vez de entrar nessa conta.

  • O ritmo de geração de empregos formais caiu em julho — 220 mil postos, contra mais de 305 mil no mesmo mês de 2021 — acendendo um alerta sobre a sustentabilidade da recuperação.
  • A comparação com 2021 expõe a perda de fôlego: nos sete primeiros meses daquele ano, foram criadas 1,78 milhão de vagas, número superior ao atual 1,5 milhão.
  • O governo tenta segurar o otimismo com uma meta de 2,3 a 2,4 milhões de empregos no ano, mas a meta já é menor do que os 2,7 milhões alcançados em 2021.
  • O Auxílio Brasil de R$ 600, aprovado às vésperas das eleições, entra em campo como estímulo ao comércio e à construção civil, setores que dependem do consumo das famílias mais pobres.
  • Com 10,6 milhões de desempregados ainda fora do mercado, a desaceleração de julho levanta dúvidas sobre a capacidade de o Brasil absorver toda essa população nos meses restantes do ano.

O Brasil criou 1,5 milhão de empregos formais nos primeiros sete meses de 2022, mas o ritmo está arrefecendo. Em julho, foram gerados cerca de 220 mil postos — abaixo do mês anterior e bem distante dos mais de 305 mil registrados no mesmo período de 2021. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados apontam uma trajetória de desaceleração que preocupa analistas e gestores públicos.

Comparado a 2021, o cenário é menos vigoroso: naquele ano, os sete primeiros meses haviam produzido 1,78 milhão de vagas. Ainda assim, o governo mantém expectativa moderada de encerrar 2022 com saldo entre 2,3 e 2,4 milhões de novos empregos — resultado positivo, mas abaixo dos 2,7 milhões conquistados no ano anterior.

O setor de serviços segue como principal motor das contratações, enquanto a indústria ganhou relevância desde junho, sinalizando uma diversificação lenta, porém real, na geração de postos. Para os próximos meses, o governo projeta saldos mensais de cerca de 200 mil empregos, com dezembro apresentando resultado negativo em razão do encerramento de contratos temporários de fim de ano — sazonalidade já esperada.

Como estímulo adicional, o Auxílio Brasil ampliado para R$ 600 começou a ser pago em agosto, com a expectativa de injetar demanda no comércio e na construção civil. Mesmo com os avanços, 10,6 milhões de brasileiros ainda estão desempregados. A taxa caiu para 9,8% no trimestre encerrado em maio, mas a desaceleração de julho sugere que essa melhora pode estar perdendo velocidade — e que o caminho até o pleno emprego segue longo e incerto.

O Brasil criou 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada nos primeiros sete meses de 2022, mas o ritmo dessa expansão está perdendo força. Em julho, o país gerou aproximadamente 220 mil empregos formais — um número que ficou abaixo tanto do mês anterior quanto do mesmo período do ano passado, quando foram abertos mais de 305 mil postos. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, mantido pelo Ministério do Trabalho e Previdência, revelam uma trajetória de desaceleração que preocupa analistas e gestores públicos.

Comparado ao desempenho de 2021, o cenário atual mostra um mercado menos dinâmico. Nos sete primeiros meses daquele ano, o país havia criado 1,78 milhão de vagas — um volume superior ao registrado no mesmo período de 2022. Apesar dessa queda relativa, o governo mantém otimismo moderado. A expectativa é encerrar o ano com um saldo entre 2,3 e 2,4 milhões de novos empregos formais, abaixo dos 2,7 milhões alcançados em 2021, mas ainda representando um resultado positivo.

O setor de serviços continua sendo o principal motor das contratações, recuperando-se gradualmente dos impactos da pandemia de Covid-19. Desde junho, porém, a indústria também começou a ganhar relevância nas admissões, sinalizando que a atividade econômica, embora lentamente, segue em trajetória de recuperação. Técnicos do governo interpretam esse movimento como um sinal de diversificação na geração de empregos, reduzindo a dependência de um único setor.

Para os próximos meses, o governo projeta que agosto, setembro, outubro e novembro mantenham um saldo positivo de aproximadamente 200 mil postos cada. Dezembro, porém, deverá apresentar um resultado negativo entre 200 e 250 mil empregos, reflexo das contratações temporárias de fim de ano que são posteriormente encerradas. Essa sazonalidade é esperada e já estava precificada nas projeções oficiais.

O governo aposta em medidas de estímulo para acelerar as contratações nos próximos meses. O Auxílio Brasil, ampliado para R$ 600 por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional aprovada às vésperas das eleições, começou a ser pago em agosto. A expectativa é que esse benefício, que tem piso de R$ 400, injete demanda no comércio e na construção civil, setores sensíveis ao consumo das famílias de baixa renda.

Apesar dos números positivos de criação de vagas, o desemprego ainda afeta milhões de brasileiros. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego caiu para 9,8% no trimestre encerrado em maio, uma melhora em relação aos períodos anteriores. Mesmo assim, 10,6 milhões de pessoas ainda estão sem trabalho no país. A desaceleração observada em julho sugere que essa redução do desemprego pode estar perdendo velocidade, tornando incerta a capacidade de o mercado absorver toda a população desocupada nos próximos meses.

Desde junho, a indústria também vem se destacando nas contratações, num sinal de que a atividade econômica se recupera, embora lentamente
— Técnicos do governo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que julho foi tão diferente de junho? O que mudou em apenas um mês?

Model

Não há uma explicação única. Pode ser sazonalidade, incerteza econômica, ou simplesmente o esgotamento de uma demanda reprimida. O fato é que 220 mil é ainda positivo, mas sinaliza que o ritmo não é sustentável.

Inventor

E a indústria começando a contratar agora — isso é realmente um sinal de recuperação?

Model

É um sinal, sim, mas tímido. Depois de meses em que os serviços puxavam sozinhos, ver a indústria participar é bom. Mas lento. A economia não está acelerada.

Inventor

O Auxílio Brasil de R$ 600 — o governo realmente acredita que isso vai gerar 200 mil empregos por mês?

Model

O governo aposta nisso. Mais dinheiro nas mãos de quem consome significa mais demanda no comércio e na construção. Mas é uma aposta, não uma garantia. Depende de quanto desse dinheiro vai para consumo e quanto vai para poupança.

Inventor

E dezembro? Por que o governo espera números negativos?

Model

Dezembro é sempre assim. Empresas contratam temporários para as festas, para o varejo, para a construção. Em janeiro, demitem. É um padrão que se repete todo ano. O governo já sabe disso.

Inventor

10,6 milhões de desempregados ainda é muito, não é?

Model

Muito mesmo. A taxa caiu para 9,8%, o que é bom, mas significa que ainda há um contingente enorme de gente procurando trabalho. Se o ritmo de criação de vagas desacelerar mais, esse número volta a crescer.

Inventor

Então o governo está preocupado?

Model

Está cauteloso. Criou 1,5 milhão em sete meses, o que é positivo. Mas sabe que 2022 não vai repetir 2021. Por isso aposta em estímulos. Quer garantir que chegue a 2,3 ou 2,4 milhões no fim do ano.

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