O Brasil estava atrasado na colheita, e o mercado inteiro sentia o peso disso
Quando a chuva insiste em cair sobre os cafezais do Brasil, o mundo inteiro sente o peso de cada gota nas bolsas de valores. Em junho de 2026, o atraso da colheita brasileira — com o arábica completado em apenas 33%, bem abaixo do ritmo histórico — empurrou os preços ao maior patamar em quase cinco meses, enquanto fundos de investimento apostavam na escassez e o mercado aguardava, ansioso, o que o inverno ainda reserva. É o eterno diálogo entre o clima e o comércio, entre a terra molhada e os contratos assinados a milhares de quilômetros de distância.
- Chuvas persistentes nas regiões cafeeiras de Minas Gerais, São Paulo e Paraná reduziram o ritmo da colheita a apenas 33% do arábica até 24 de junho, criando um déficit de 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
- A umidade excessiva não apenas atrasou a colheita — ameaçou a qualidade dos grãos e restringiu a oferta imediata, acendendo o alerta em toda a cadeia produtiva.
- Fundos de investimento reagiram com agressividade, ampliando posições compradas e impulsionando o contrato de setembro do arábica a 296,45 cents por libra-peso em Nova York, com valorização de 14,6% só em junho.
- O mercado agora mira o inverno brasileiro com cautela: o risco de geadas nas áreas produtoras do Sudeste e a oferta intermediária limitada da Colômbia mantêm a volatilidade em patamar elevado.
As chuvas não davam trégua sobre os cafezais brasileiros, e nas bolsas internacionais os preços respondiam com força. Na última sessão de junho de 2026, o café arábica atingiu seu maior nível em quase cinco meses na Bolsa de Nova York, enquanto o robusta também avançava em Londres. O movimento reunia três forças simultâneas: o atraso da colheita, as preocupações com a qualidade dos grãos e o retorno agressivo dos fundos de investimento ao mercado.
Os números contavam a história com precisão. Até o dia 24 de junho, apenas 44% da safra total havia sido colhida — abaixo dos 51% do ano anterior e da média histórica de 47%. Para o arábica, o quadro era ainda mais crítico: 33% concluído, contra 42% em 2025. O excesso de umidade nas regiões produtoras de Minas Gerais, São Paulo e Paraná não apenas freava as operações de campo, mas elevava o risco de perda de qualidade e restringia a disponibilidade imediata da oferta.
Ao final do pregão, o contrato de setembro do arábica fechou a 296,45 cents por libra-peso, alta de 1.865 pontos. Em Londres, o robusta de setembro encerrou a 3.658 dólares por tonelada. No acumulado de junho, o arábica valorizou 14,6% — desempenho expressivo, ainda que o contrato acumulasse queda de 7,2% no primeiro semestre de 2026.
Com o Brasil entrando no inverno, o mercado passou a monitorar também o risco de geadas nas áreas produtoras do Sudeste. A oferta intermediária limitada da Colômbia e a redução dos estoques certificados em Nova York reforçavam a percepção de escassez no curto prazo. Enquanto as nuvens não se dissiparem sobre os cafezais — e enquanto o frio ameaçar —, a volatilidade deve permanecer como companheira constante das cotações.
As chuvas não paravam de cair sobre as principais regiões cafeeiras do Brasil, e nas bolsas internacionais, os preços disparavam. Na terça-feira que encerrou junho, o café arábica atingiu seu maior patamar em quase cinco meses, enquanto o robusta também registrava ganhos expressivos em Londres. O movimento refletia uma combinação precisa de fatores: o atraso da colheita brasileira, as preocupações com a qualidade dos grãos e a volta agressiva dos fundos de investimento ao mercado.
Desde a abertura da sessão, os contratos já operavam em alta. Os fundos voltavam às compras enquanto analistas monitoravam as condições climáticas nas principais regiões produtoras. Ao longo do dia, o movimento ganhou força conforme se confirmava que as chuvas continuavam limitando o avanço da colheita, atrasando também a secagem e o beneficiamento dos grãos. Na Bolsa de Nova York, o contrato de setembro de 2026 do arábica encerrou cotado a 296,45 cents de dólar por libra-peso, uma alta de 1.865 pontos. O vencimento de dezembro fechou a 282,10 cents por libra-peso, avançando 1.870 pontos. Em Londres, o robusta de setembro terminou negociado a 3.658 dólares por tonelada, com ganho de 94 pontos.
O principal fator sustentando essa valorização era simples e concreto: o Brasil estava atrasado na colheita. Até o dia 24 de junho, apenas 44% da safra havia sido colhida — abaixo dos 51% registrados no mesmo período do ano anterior e inferior à média dos últimos cinco anos, de 47%. Para o arábica especificamente, o atraso era ainda mais pronunciado: apenas 33% da colheita estava completa, contra 42% no mesmo período de 2025 e uma média histórica de 37%. As chuvas recorrentes nas regiões produtoras de Minas Gerais, São Paulo e Paraná reduziram drasticamente o ritmo das operações de campo. O excesso de umidade não apenas limitava a colheita — elevava também as preocupações com a qualidade dos cafés e restringia a disponibilidade imediata da oferta.
Os fundos de investimento, sensíveis às incertezas climáticas, ampliaram suas posições compradas. Com o Brasil entrando no período de inverno, o mercado também passava a monitorar o risco de geadas nas áreas produtoras do Sudeste, um fator que aumentava a volatilidade das cotações. A disponibilidade limitada da safra intermediária da Colômbia e a redução dos estoques certificados de arábica na bolsa de Nova York reforçavam a percepção de oferta restrita no curto prazo, dando suporte adicional aos preços internacionais.
O desempenho de junho foi expressivo. O contrato de setembro do arábica acumulou uma valorização de 14,6% apenas naquele mês, encerrando o segundo trimestre com alta de 6,6%. Apesar dessa recuperação recente, o contrato ainda registrava queda de 7,2% no acumulado do primeiro semestre de 2026. O mercado seguia atento: enquanto as chuvas continuassem atrasando a colheita brasileira e o inverno trouxesse o risco de geadas, a volatilidade das cotações permaneceria elevada, e os preços do café seguiriam respondendo a cada notícia sobre o clima nas principais regiões produtoras.
Notable Quotes
O excesso de umidade vem prejudicando principalmente as regiões produtoras de arábica em Minas Gerais, São Paulo e Paraná— Gil Barabach, analista da Safras & Mercado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que exatamente as chuvas no Brasil conseguem mexer tanto com os preços do café em Nova York e Londres?
Porque o Brasil é responsável por cerca de um terço da produção mundial de café. Quando a colheita atrasa lá, o mercado inteiro fica nervoso com a oferta. Se a safra demora a chegar, os preços sobem.
Mas as chuvas não são normais em junho no Brasil?
São, mas o timing importa. Quando chove demais durante a colheita, os grãos não secam direito, a qualidade cai, e tudo fica mais lento. Esse ano, em 24 de junho, apenas 33% do arábica tinha sido colhido. No ano anterior, no mesmo dia, eram 42%.
E os fundos de investimento? Por que eles começam a comprar quando veem chuva?
Porque veem escassez à frente. Se a oferta vai ser menor, o preço tende a subir. Eles apostam nessa alta. É especulação, mas é racional — se há risco real de falta, faz sentido comprar antes que fique mais caro.
Qual é o risco maior agora, a chuva ou o frio?
Os dois, na verdade. As chuvas continuam atrasando a colheita. Mas com o inverno chegando, há risco de geadas no Sudeste, que podem danificar as plantas. Geada é mais grave — pode afetar a safra do próximo ano.
Então o mercado está preso entre dois medos?
Exatamente. Enquanto não souber como vai ser o inverno e quando a colheita vai terminar, o preço fica volátil. Qualquer notícia sobre clima mexe com as cotações.