Quatro empates em quatro jogos deixa de ser coincidência
Em Kigali, na terça-feira, Cabo Verde e Ruanda dividiram pontos num empate sem golos que resume, com fidelidade quase poética, a trajetória dos 'tubarões azuis' nesta qualificação: quatro jogos, quatro empates, nenhuma vitória, nenhuma derrota. A seleção cabo-verdiana jogou mais de uma hora em superioridade numérica e criou ocasiões suficientes para vencer, mas o futebol, como a vida, nem sempre recompensa o esforço com o resultado merecido. O grupo F permanece em aberto para o segundo lugar, com Cabo Verde e Moçambique empatados em pontos e os encontros decisivos marcados para março de 2021.
- Cabo Verde dominou durante mais de uma hora com um jogador a mais, mas o guarda-redes ruandês travou todas as tentativas cabo-verdianas de romper o empate.
- A sequência de quatro empates consecutivos cria uma pressão crescente: a equipa está viva, mas sem o impulso de uma vitória sequer.
- Moçambique espelha exatamente a situação de Cabo Verde — quatro pontos, segundo lugar — tornando cada jornada restante num duelo direto pela única vaga disponível.
- Camarões, já qualificados como anfitriões, lideram com dez pontos e uma margem confortável que torna o segundo lugar o verdadeiro prémio em disputa.
- Os encontros de março — Cabo Verde contra Camarões e Moçambique contra Ruanda, seguidos da inversão parcial — prometem resolver de forma definitiva quem acompanha os anfitriões na fase final.
Cabo Verde regressou de Kigali na terça-feira com mais um empate no bolso — o quarto consecutivo nesta qualificação para a CAN2021. O resultado de 0-0 frente ao Ruanda é tanto mais frustrante quanto os 'tubarões azuis' jogaram em superioridade numérica durante mais de uma hora, após a expulsão do médio ruandês Ally Niyonzima aos 28 minutos. As ocasiões existiram, mas o guarda-redes da equipa anfitriã recusou-se a ceder.
Com quatro pontos conquistados exclusivamente através de empates, Cabo Verde partilha o segundo lugar do Grupo F com Moçambique, que se encontra na mesma situação. O Ruanda, com apenas dois pontos e praticamente eliminado, não beneficiou da expulsão para alimentar esperanças de apuramento. No topo, os Camarões consolidaram a liderança ao vencer Moçambique por 2-0, somando dez pontos e confirmando uma margem confortável — embora já estejam qualificados de forma automática como país anfitrião.
A decisão sobre quem ocupa o segundo lugar ficará para março de 2021. Em 22 desse mês, Cabo Verde recebe os Camarões enquanto Moçambique visita Kigali; uma semana depois, os papéis invertem-se parcialmente, com Moçambique a receber Cabo Verde. Estes dois encontros determinarão o destino da vaga em disputa.
Vale notar que a própria competição atravessou uma transformação: originalmente agendada para 2021, a 33.ª edição da Taça das Nações Africanas foi adiada para 2022 devido aos conflitos de calendário provocados pela pandemia de covid-19 — que empurrou a Copa América e o Euro 2020 para esse mesmo ano. A designação CAN2021 foi mantida para evitar confusão, criando o paradoxo de um torneio que se disputará em 2022 mas que a história recordará pelo nome do ano em que deveria ter acontecido.
Cabo Verde saiu do estádio de Kigali sem vitória na terça-feira, empatando 0-0 com o Ruanda numa partida que deveria ter terminado diferente. Os 'tubarões azuis' criaram várias ocasiões de golo e desfrutaram de uma vantagem numérica durante mais de uma hora — o médio ruandês Ally Niyonzima foi expulso aos 28 minutos — mas o guarda-redes da equipa anfitriã recusou-se a ceder.
O resultado deixa Cabo Verde preso numa sequência frustrante. Com este empate, a seleção cabo-verdiana soma agora quatro pontos no Grupo F de apuramento para a Taça das Nações Africanas de 2021, todos eles conquistados através de empates. Nenhuma vitória. Nenhuma derrota. Apenas um padrão de igualdade que, embora mantenha a equipa viva na corrida, oferece pouco impulso para as jornadas que se aproximam. Moçambique encontra-se exactamente na mesma posição — quatro pontos, segundo lugar — tornando a próxima ronda decisiva para ambas as nações.
Os Camarões, entretanto, continuam a dominar o grupo de forma confortável. A equipa anfitriã da fase final venceu Moçambique por 2-0 na segunda-feira, elevando o seu total para dez pontos. Essa margem de seis pontos sobre o segundo lugar é substancial, especialmente considerando que os Camarões já estão automaticamente qualificados como país anfitrião. O segundo lugar do grupo — e a vaga de qualificação que o acompanha — será decidido entre as três equipas que ainda competem.
O Ruanda, por seu lado, permanece com apenas dois pontos, praticamente eliminado das possibilidades de apuramento. A expulsão do seu médio não foi suficiente para quebrar a sua defesa, mas também não ofereceu à equipa qualquer esperança de progressão na prova.
O calendário das próximas jornadas promete drama. Em 22 de março de 2021, Cabo Verde receberá os Camarões em casa, enquanto Moçambique viajará até Kigali para enfrentar o Ruanda. Uma semana depois, os papéis invertem-se parcialmente: Moçambique recebe Cabo Verde, e os Camarões defrontam o Ruanda. Estes encontros determinarão quem acompanhará os Camarões na fase final.
A própria competição sofreu uma transformação nos últimos meses. A 33.ª edição da Taça das Nações Africanas foi originalmente agendada para 2021, mas foi adiada para 2022 devido aos conflitos de calendário causados pela pandemia de covid-19. A Copa América e o Euro 2020 foram ambos deslocados para 2021, forçando a confederação africana a recuar a sua prova um ano. Manteve, porém, a designação CAN2021 para evitar confusão adicional. O resultado é um torneio que será disputado em 2022 mas que continua a ser conhecido pelo nome do ano em que deveria ter ocorrido.
Notable Quotes
Os 'tubarões azuis' criaram várias oportunidades e apesar de ter jogado em superioridade numérica, não conseguiram bater o guarda-redes ruandês— Contexto da partida
The Hearth Conversation Another angle on the story
Cabo Verde criou várias oportunidades e ainda jogou com mais um homem durante a maior parte do jogo. Como é que não conseguiram vencer?
É uma daquelas partidas que ficam na memória dos jogadores. Tiveram tudo — o homem extra, as chances, o controlo — mas o Ruanda defendeu-se com disciplina e o guarda-redes fez o seu trabalho. Às vezes o futebol é assim.
Quatro empates em quatro jogos. Isso é um padrão ou apenas má sorte?
Quando vê quatro empates consecutivos, deixa de ser coincidência. Sugere uma equipa que cria oportunidades mas que luta para as converter, ou que enfrenta defesas bem organizadas. Cabo Verde está a fazer o suficiente para não perder, mas não o suficiente para ganhar.
Moçambique está no mesmo ponto. Isso torna a próxima jornada uma final?
Praticamente. Os dois estão empatados em segundo lugar, separados apenas por diferença de golos ou confronto directo. Quando Cabo Verde receber Moçambique em Março, esse jogo pode decidir tudo.
E os Camarões? Parecem intocáveis.
Estão dez pontos à frente e já qualificados por serem anfitriões. Tecnicamente, poderiam perder os dois próximos jogos e ainda assim estariam na fase final. Isso liberta-os de pressão.
A competição foi adiada um ano inteiro. Como é que isso afecta equipas como Cabo Verde?
Adiamentos longos são sempre difíceis. Mantêm a incerteza, interrompem o ritmo de preparação, e deixam os jogadores numa espécie de limbo. Mas todos enfrentam o mesmo desafio.