Um calcanhar perfeito que fica na memória do futebol africano
Numa tarde de segunda-feira em Camarões, uma pequena nação insular recusou dobrar-se perante uma das grandes potências do futebol africano. Cabo Verde, na sua terceira presença numa fase final continental, arrancou um empate a um golo frente aos anfitriões camaroneses — sete vezes campeões da CAN — e mantém viva a esperança de avançar na competição. O resultado não garante nada, mas confirma que o tamanho de uma seleção raramente corresponde à dimensão do seu coração.
- Camarões abriu o marcador aos 39 minutos com um golo de Aboubakar — o quinto do avançado na prova — e parecia encaminhar a vitória com a autoridade de quem já estava apurado.
- Cabo Verde entrou na segunda parte com urgência renovada, sabendo que uma derrota tornaria o apuramento quase impossível.
- Aos 53 minutos, Garry Rodrigues desviou de calcanhar num gesto de técnica rara, igualando o marcador e acendendo a esperança dos 'tubarões azuis'.
- Vozinha falhou o posicionamento aos 65 minutos e entregou a bola a Aboubakar, que desperdiçou a oportunidade mais flagrante de Camarões para fechar o jogo.
- Cabo Verde termina o Grupo A em terceiro lugar e depende agora de resultados alheios para ser um dos quatro melhores terceiros classificados dos seis grupos.
Cabo Verde saiu de Camarões com um empate a um golo que mantém os insulares vivos na CAN 2021, mas presos a um fio. Terminaram o Grupo A em terceiro lugar, atrás dos anfitriões já apurados, e precisam agora de ser um dos quatro melhores terceiros classificados entre os seis grupos da prova — uma posição frágil, mas não impossível. O valor do resultado ganha outra dimensão quando se recorda que Camarões é uma das grandes forças do continente, enquanto Cabo Verde, 14.ª seleção africana, disputa apenas a sua terceira fase final num torneio deste calibre.
O jogo começou com Camarões a ditar o ritmo, e aos 39 minutos Vincent Aboubakar — antigo jogador do Porto — rematou cruzado dentro da área para o seu quinto golo na competição. Cabo Verde resistiu sem grandes sustos até ao intervalo, mas sem conseguir empatar. Na segunda parte, os insulares regressaram com outra determinação. Aos 53 minutos, Garry Rodrigues recebeu um cruzamento atrasado e desviou com o calcanhar — um gesto técnico que evocou o célebre golo de Rabah Madjer na final de Viena de 1987 — para igualar o marcador.
Camarões ainda teve uma oportunidade clara para recuperar a vantagem: aos 65 minutos, o guarda-redes Vozinha saiu mal posicionado e deixou a bola nos pés de Aboubakar, que atirou por cima quando bastava empurrar. O empate resistiu, e os 'tubarões azuis' aguardam agora pelos resultados dos outros grupos para saber se o seu torneio continua.
Cabo Verde saiu do estádio de Camarões com um empate que deixa tudo em aberto. O resultado de 1-1, alcançado nesta segunda-feira na Taça das Nações Africanas, mantém os insulares vivos na competição, mas presos a um fio — dependem agora de favores alheios para seguir em frente.
Os 'tubarões azuis' terminaram o Grupo A em terceiro lugar, atrás dos anfitriões camaroneses, que já estavam matematicamente apurados e fecharam a fase de grupos em primeiro. Para Cabo Verde continuar, precisa ser um dos quatro melhores terceiros colocados entre os seis grupos da prova. É uma posição frágil, mas não impossível. O que torna o empate particularmente valioso é quem estava do outro lado do campo: Camarões é a sétima melhor seleção do continente africano, vencedora da CAN cinco vezes — apenas o Egito, agora treinado por Carlos Queiroz, tem mais títulos, com sete. Cabo Verde, por sua vez, é apenas a 14.ª força africana e está apenas na sua terceira participação numa fase final de um torneio deste calibre.
O jogo começou com Camarões a ditar o ritmo, como quem tem tudo garantido e quer apenas confirmar a superioridade. Mas Cabo Verde sacudiu a pressão inicial e conseguiu equilibrar o encontro, ainda que sem criar grandes sustos. A toada era morna até aos 39 minutos, quando Vincent Aboubakar, o antigo jogador do Porto, apanhou uma bola solta dentro da área e rematou cruzado. A bola atravessou a defesa e entrou — era o quinto golo do avançado na competição, contribuindo para o total de sete que Camarões já tinha marcado até esse momento.
Cabo Verde reagiu, mas não conseguiu concretizar as poucas oportunidades que criou antes do intervalo. Tudo indicava que o resultado seria desfavorável. Porém, na segunda metade, os insulares entraram com outra atitude. Sabiam que perder complicaria seriamente as contas, e essa urgência traduziu-se em maior determinação. Camarões, já apurado, optou por gerir o jogo. Aos 53 minutos, Garry Rodrigues recebeu um cruzamento atrasado e desviou com o calcanhar — um gesto de técnica rara que lembrou Rabah Madjer na final de Viena de 1987, quando o FC Porto conquistou o seu primeiro título europeu. O golo era belo o suficiente para ser recordado, e igualava o marcador.
Após o empate, Camarões teve uma oportunidade clara para recuperar a vantagem. Aos 65 minutos, o guarda-redes Vozinha, que tem sido um pilar importante para a seleção que fala português, saiu mal posicionado e entregou a bola a Aboubakar. O avançado, porém, desperdiçou — atirou por cima quando tinha apenas de empurrar. Foi a chance mais flagrante dos camaroneses para fechar o jogo com vitória.
Cabo Verde terminou o encontro em algum sofrimento, mas manteve o empate. Agora, os 'tubarões azuis' esperam pelos resultados dos outros grupos. Ser um dos quatro melhores terceiros é a única via que lhes resta para chegar aos oitavos de final.
Citações Notáveis
O golo de Garry Rodrigues lembrou Rabah Madjer na final de Viena de 1987, quando o FC Porto conquistou o seu primeiro título europeu— Descrição do lance
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como é que uma seleção como Cabo Verde consegue competir contra uma potência como Camarões?
Não é fácil, mas Cabo Verde tem crescido muito. São apenas a 14.ª seleção africana, verdade, mas entraram neste jogo com uma estratégia clara — defendem bem, equilibram o jogo, e esperam pelas oportunidades. Camarões, já apurado, não tinha nada a provar.
Esse golo de Garry Rodrigues parece ter sido especial.
Foi um momento de pura técnica. Um calcanhar perfeito num cruzamento atrasado — o tipo de golo que fica na memória. Lembrou Rabah Madjer em 1987. Para uma seleção como Cabo Verde, um golo assim vale muito mais do que apenas um ponto.
Mas o empate deixa tudo incerto, certo?
Completamente. Cabo Verde terminou terceiro no grupo, o que significa que agora depende de terceiros. Precisam ser um dos quatro melhores terceiros de seis grupos. É uma corda bamba.
E se não conseguirem?
Então a sua terceira participação numa fase final termina aqui. Mas pelo menos saem com a cabeça erguida — deram boa réplica a uma equipa que ganhou a CAN cinco vezes.
Vozinha, o guarda-redes, parece ter sido crucial.
Tem sido um esteio da seleção. Mas naquele lance aos 65 minutos saiu mal, entregou a bola a Aboubakar praticamente em cima da linha. Aboubakar atirou por cima — foi a oportunidade de ouro para Camarões fechar o jogo.