Busca reversa de IA identifica canadense morto em Santos após desaparecimento de 3 anos

Canadense Karl Van Roon morreu aos 39 anos vivendo em situação de rua em Santos, foi enterrado como indigente e permaneceu não identificado por quase dois anos até localização pela família via busca reversa de imagens.
Agora, podemos começar a viver o luto de verdade
O pai de Karl Van Roon, após descobrir que o filho havia morrido quase dois anos antes.

Em algum momento entre o silêncio de Vancouver e as calçadas de Santos, Karl Van Roon desapareceu do mundo que o conhecia — e só foi reencontrado, por uma ferramenta de inteligência artificial, depois de já ter partido. A história de um homem que viveu anônimo nas ruas do Brasil e morreu sem nome oficial revela tanto a fragilidade dos laços humanos quanto a persistência daqueles que recusam abandonar a busca. Três anos de incerteza terminaram não com um abraço, mas com a confirmação de uma perda que a família ainda não sabia que já havia sofrido.

  • Karl Van Roon desapareceu do Canadá em 2022 sem deixar rastros, mergulhando sua família em anos de buscas que não levavam a lugar nenhum.
  • Uma reportagem sobre um morador de rua em Santos — publicada um único dia antes de sua morte — tornou-se, sem que ninguém soubesse, o último registro visual de Karl em vida.
  • Um amigo da família usou busca reversa de imagens e cruzou a foto da matéria com fotos antigas de Karl, quebrando quase dois anos de silêncio com uma descoberta devastadora.
  • Karl havia morrido de embolia pulmonar aos 39 anos e fora enterrado como indigente no Cemitério da Areia Branca, sem nome, sem família presente.
  • A identidade foi confirmada por impressões digitais enviadas à polícia de Vancouver, encerrando oficialmente uma busca que durou quatro anos.
  • Para os pais, a dor da confirmação trouxe também um alívio amargo: agora, ao menos, sabem onde ele está — e podem, finalmente, começar a lamentar.

Em junho de 2024, um jornal de Santos publicou uma reportagem sobre um homem misterioso que vivia nas ruas da cidade — alguém que se comunicava por linguagem de sinais, entendia inglês e italiano, e cuja identidade ninguém conhecia. Um dia depois da publicação, ele morreu.

Seu nome era Karl Van Roon, 39 anos, canadense de Vancouver. Ele havia deixado o Canadá em 2022 sem dar notícias à família. Seus pais, Heidi e Terry Van Roon, passaram três anos tentando encontrá-lo por todos os meios possíveis, sem sucesso.

A virada veio em 2025, quando um amigo da família teve uma ideia simples: usar busca reversa de imagens com uma foto antiga de Karl. Entre os resultados apareceu a reportagem de A Tribuna, publicada em 8 de junho de 2024. O homem na foto era diferente do Karl que o amigo conhecia, mas algo o fez repetir a busca com a imagem da matéria — e desta vez os resultados o levaram de volta às fotos públicas de Karl. Era ele.

Quando os pais procuraram a Polícia Civil de Santos, a resposta foi devastadora: Karl havia sido encontrado morto na calçada da Rua Braz Cubas no dia seguinte à publicação da reportagem, vítima de embolia pulmonar. Sem identificação, foi registrado como pessoa não identificada e enterrado gratuitamente no Cemitério da Areia Branca em 18 de junho de 2024.

A confirmação veio pelas impressões digitais, enviadas à polícia de Vancouver e cruzadas com os registros de Karl. Quase dois anos haviam se passado entre sua morte e o reconhecimento oficial.

"Agora, podemos começar a viver o luto de verdade. Agora, sabemos que não está aqui", disse Terry Van Roon. Três anos de incerteza terminavam não com um reencontro, mas com a certeza de uma perda que já havia acontecido muito antes de ser conhecida. O governo canadense informou prestar assistência consular à família.

Em junho de 2024, um jornal de Santos publicou uma reportagem sobre um homem que vivia nas ruas da cidade. A matéria havia sido solicitada por um morador que tentava ajudar aquele desconhecido — um homem que se comunicava apenas por linguagem de sinais, mas entendia inglês e italiano. Ninguém sabia quem ele era. Um dia depois da publicação, ele morreu.

Seu nome era Karl Van Roon. Ele tinha 39 anos e era canadense. Saiu de Vancouver em 2022 e nunca mais entrou em contato com a família. Seus pais, Heidi e Terry Van Roon, passaram três anos tentando descobrir onde o filho estava — ligações, buscas, caminhos que levavam a lugar nenhum. A esperança esgotava-se.

Em 2025, um amigo da família ouviu falar do caso e teve uma ideia simples: usar busca reversa de imagens. Ele inseriu uma foto de Karl e começou a procurar. Entre os resultados estava exatamente aquela reportagem de A Tribuna, publicada em 8 de junho de 2024. O homem na foto não era o Karl sorridente que o amigo conhecia das imagens antigas. Mas havia algo ali. O amigo copiou a imagem da matéria e fez a busca reversa novamente. Desta vez, os resultados o levaram de volta às fotos públicas de Karl. Era ele.

Quando os pais souberam, procuraram a Polícia Civil de Santos. A resposta foi devastadora: Karl havia sido encontrado morto na calçada da Rua Braz Cubas no dia 9 de junho de 2024 — um dia após a publicação da reportagem. A causa foi embolia pulmonar. Como ninguém o identificou, foi registrado como pessoa não identificada e enterrado gratuitamente no Cemitério da Areia Branca em 18 de junho.

A identificação veio através de fotografias do corpo no Instituto Médico Legal. O delegado Thiago Nemi Bonametti confirmou que as impressões digitais de Karl foram enviadas à polícia de Vancouver e bateram. Quase dois anos se passaram entre sua morte e o reconhecimento.

Para os pais, a dor era real, mas havia também alívio. "Agora, podemos começar a viver o luto de verdade. Agora, sabemos que não está aqui", disse Terry Van Roon à TV Tribuna. Três anos de incerteza terminavam não com um reencontro, mas com a confirmação de uma perda que já havia acontecido muito antes de saberem.

O Ministério das Relações Exteriores do Canadá informou que as autoridades canadenses prestam assistência consular à família e mantêm contato com as autoridades brasileiras. A Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos, por sua vez, afirmou que não recebeu notificação oficial de familiares ou autoridades solicitando apoio para qualquer procedimento relacionado ao caso.

Agora, podemos começar a viver o luto de verdade. Agora, sabemos que não está aqui.
— Terry Van Roon, pai de Karl, à TV Tribuna
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como uma ferramenta de busca reversa conseguiu fazer em minutos o que três anos de buscas tradicionais não conseguiram?

Model

Porque a ferramenta procura em um espaço que a família nunca havia pensado em procurar — a internet pública, as reportagens, os registros digitais. Karl estava ali o tempo todo, mas invisível. Ninguém sabia que era ele.

Inventor

E se a reportagem nunca tivesse sido publicada?

Model

Ele teria permanecido como pessoa não identificada. Enterrado com um número, não com um nome. A família nunca saberia.

Inventor

O amigo da família não conhecia Karl pessoalmente, certo?

Model

Não. Mas reconheceu algo na foto — talvez a estrutura do rosto, talvez apenas uma sensação. E teve a coragem de seguir aquela sensação.

Inventor

Qual é o peso real de descobrir que seu filho morreu há quase dois anos?

Model

É estranho. Você estava procurando por alguém vivo. De repente, você está lamentando alguém que já estava morto enquanto você procurava. O luto não começa quando você descobre — começa quando você aceita que começou muito antes.

Inventor

A tecnologia salvou essa família?

Model

Não salvou Karl. Mas deu à família o que eles precisavam: uma resposta. E a chance de chorar de verdade.

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