Não há um dia em que eu não chore
Durante quinze anos, Lauren Lewington confiou a um contraceptivo injetável o controle do seu corpo — sem saber que, segundo evidências científicas publicadas em 2024, esse mesmo medicamento poderia estar cultivando silenciosamente um tumor em seu cérebro. A história desta mulher galesa de 35 anos, hoje incapaz de cuidar dos próprios filhos e presa a dores descritas pela medicina como 'insuportáveis', levanta questões antigas sobre o que as indústrias farmacêuticas sabem, quando sabem, e o que escolhem comunicar. Ela é agora uma das cerca de cem mulheres que processam a Pfizer — não apenas em busca de reparação, mas de um silêncio que nenhuma outra família precise atravessar.
- Lauren Lewington colapsou no pronto-socorro durante o aniversário do filho, com uma dor de cabeça tão devastadora que médicos logo descobriram um tumor cerebral crescendo um milímetro por mês.
- O meningioma danificou nervos e desencadeou uma das condições mais severas da medicina — popularmente chamada de 'dor do suicídio' — tornando impossível para Lauren cuidar dos dois filhos autistas.
- Três cirurgias não foram suficientes: o tumor está tão próximo de vasos sanguíneos vitais que os médicos não podem removê-lo completamente, deixando Lauren sem perspectiva de cura total.
- Um estudo de 2024 no British Medical Journal confirmou que o uso prolongado do Depo-Provera eleva em 5,6 vezes o risco de meningioma — informação que só chegou à bula do medicamento naquele mesmo ano.
- Desde que interrompeu o contraceptivo em janeiro de 2025, o tumor começou a regredir; Lauren agora integra um grupo de 100 mulheres processando a Pfizer e pede que o medicamento seja retirado do mercado.
Lauren Lewington tinha 35 anos e quinze de uso contínuo do Depo-Provera quando, em julho de 2022, começou a sentir dormência no rosto e dores de cabeça que os médicos atribuíram inicialmente à enxaqueca. Os sintomas pioraram até o ponto de ruptura: durante o aniversário do filho, ela desabou no pronto-socorro com uma dor que descreveu como se a cabeça fosse explodir dos ombros. Uma tomografia em dezembro revelou um meningioma — tumor nas membranas que revestem o cérebro — crescendo cerca de um milímetro por mês.
Embora tecnicamente benigno, o tumor havia desencadeado uma das condições mais severas conhecidas pela medicina, tão debilitante que é chamada de 'dor do suicídio'. Lauren deixou de conseguir cuidar dos dois filhos autistas, de 9 e 12 anos, e seu marido Aaron abandonou o emprego para assumir a família inteira. Três cirurgias depois, os médicos informaram que não poderiam extirpar completamente a lesão — ela estava perigosamente próxima de vasos sanguíneos vitais.
Foi só após a última intervenção que surgiu uma pista crucial: o tumor apresentava 80% de positividade para receptores de progesterona, o hormônio ativo no Depo-Provera. Em 2024, um estudo no British Medical Journal confirmou a suspeita com dados concretos — mulheres que usaram o contraceptivo injetável por ao menos um ano tinham risco 5,6 vezes maior de desenvolver meningiomas. A bula foi atualizada naquele mesmo ano.
Lauren interrompeu o medicamento em janeiro de 2025 e exames recentes indicam que o tumor começou a regredir. Ela integra agora um grupo de cerca de 100 mulheres que processam a Pfizer. 'Não há um dia em que eu não chore', disse ao The Independent. Sua esperança é que o Depo-Provera seja descontinuado — para que nenhuma outra família precise atravessar o que a sua ainda atravessa.
Lauren Lewington, uma mulher de 35 anos que vive em Bangor, no norte do País de Gales, passou 15 anos usando o Depo-Provera, um contraceptivo injetável fabricado pela Pfizer. Em julho de 2022, começou a sentir dormência no rosto, dores no ouvido e dores de cabeça intensas. Os médicos inicialmente suspeitaram de enxaqueca, mas os sintomas pioraram rapidamente. Alguns meses depois, durante o aniversário de nove anos do seu filho, ela sofreu uma crise de dor tão severa que caiu no chão quando chegou ao pronto-socorro, descrevendo a sensação como se sua cabeça fosse explodir dos ombros.
Uma tomografia realizada em dezembro de 2022 revelou a causa: um meningioma, um tumor que se desenvolve nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Embora tecnicamente benigno, o tumor crescia cerca de um milímetro por mês. Os médicos descobriram que a lesão havia danificado nervos e desencadeado uma das dores mais severas conhecidas pela medicina, uma condição tão debilitante que é popularmente chamada de "dor do suicídio" pela sua intensidade insuportável.
Em janeiro de 2023, Lauren foi submetida à primeira cirurgia. Naquela época, ela já não conseguia cuidar adequadamente dos seus dois filhos, ambos autistas, com idades de 12 e 9 anos. Seu marido, Aaron Edwards, deixou o trabalho para assumir todas as responsabilidades familiares. Apesar de duas cirurgias adicionais, os médicos informaram que não poderiam remover o tumor completamente porque ele estava muito próximo de vasos sanguíneos importantes. A perspectiva de nunca ficar completamente livre da lesão a deixou devastada.
Foi apenas após a última cirurgia que os médicos levantaram uma possível conexão entre o tumor e o contraceptivo. Um exame mostrou que o tumor apresentava 80% de positividade para receptores de progesterona, o hormônio presente no Depo-Provera. Os médicos recomendaram imediatamente que ela interrompesse o uso do medicamento. Em 2024, um estudo publicado no British Medical Journal forneceu evidências científicas para essa suspeita: mulheres que usaram o contraceptivo injetável por pelo menos um ano apresentaram um risco 5,6 vezes maior de desenvolver meningiomas. Naquele mesmo ano, a bula do medicamento foi atualizada para incluir essa informação.
Lauren parou de usar o Depo-Provera em janeiro de 2025. Desde então, exames indicam que o tumor começou a reduzir. Ela agora integra um grupo de aproximadamente 100 mulheres que estão processando a Pfizer, alegando uma possível relação entre o medicamento e o surgimento de tumores cerebrais. Quando fala sobre sua situação, Lauren não consegue conter as lágrimas. "Não há um dia em que eu não chore", disse ela ao The Independent. "Passo as noites acordada, preocupada com o que o tumor pode fazer enquanto durmo." Sua esperança agora é que o medicamento deixe de ser comercializado. "Não quero que mais ninguém passe pelo que eu e minha família passamos", declarou.
Citações Notáveis
Não há um dia em que eu não chore. Passo as noites acordada, preocupada com o que o tumor pode fazer enquanto durmo.— Lauren Lewington, ao The Independent
Não quero que mais ninguém passe pelo que eu e minha família passamos.— Lauren Lewington
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como uma mulher descobre que seu contraceptivo pode ter causado um tumor cerebral?
Lauren só fez essa conexão depois que os médicos analisaram o tumor removido e viram que era altamente responsivo a progesterona — o hormônio do próprio medicamento que ela estava tomando há 15 anos.
Mas se o estudo que prova a ligação foi publicado em 2024, como é que ninguém havia alertado as mulheres antes?
Esse é exatamente o ponto. O medicamento estava sendo usado há décadas sem que essa associação fosse investigada adequadamente. O estudo veio tarde demais para Lauren e para muitas outras.
O tumor dela é operável?
Não completamente. Os médicos conseguiram remover parte dele, mas o resto está colado a vasos sanguíneos vitais. Remover mais seria muito perigoso. Ela terá que conviver com isso.
E agora que ela parou de tomar o medicamento?
O tumor começou a encolher. Isso sugere que a progesterona do contraceptivo estava alimentando o crescimento. Mas o dano já estava feito — ela perdeu anos de vida normal, e sua família inteira foi afetada.
Seu marido deixou o trabalho?
Sim. Lauren não conseguia cuidar dos filhos autistas enquanto sofria dores tão severas. Aaron teve que sair do emprego para assumir tudo. Uma família inteira foi desorganizada por causa de um medicamento que deveria apenas prevenir gravidez.
O que ela quer agora?
Que o medicamento seja retirado do mercado. Ela não quer que outras mulheres descubram, como ela descobriu, que o preço de uma contracepção simples pode ser um tumor cerebral inoperável.