Marido confessa assassinato de cantora gospel Sara Mariano após trama revelada

Cantora gospel Sara Mariano, 35 anos, foi assassinada e seu corpo carbonizado; sua filha de 11 anos presenciou o desaparecimento da mãe.
Quando você está mentindo, os detalhes vazam.
A história de Ederlan sobre o desaparecimento de Sara desabou porque ele não conseguiu manter a coerência dos fatos.

Em Salvador, a morte da cantora gospel Sara Mariano, de 35 anos, revela uma das faces mais sombrias da violência doméstica: aquela que se esconde atrás de lágrimas encenadas e apelos públicos de desespero. Seu corpo foi encontrado carbonizado às margens de uma rodovia baiana, e seu próprio marido, Ederlan Santos Mariano, confessou o crime após investigações desfazerem a teia de mentiras que ele havia construído. O caso lembra, mais uma vez, que o perigo mais imediato para muitas mulheres não vem do desconhecido, mas de dentro do próprio lar.

  • Sara desapareceu após gravar um vídeo dizendo que ia a Dias D'Ávila — mas o evento religioso que seu marido mencionou nunca existiu.
  • Enquanto investigadores buscavam a cantora, Ederlan publicava vídeos chorando nas redes sociais e registrava boletim de ocorrência, construindo uma fachada de marido desesperado.
  • A irmã de Sara flagrou no celular do cunhado uma conversa com um traficante: ele tentava comprar uma arma, e o disfarce começou a ruir.
  • Familiares e colegas revelaram um histórico de agressões, controle emocional e violência sexual — um padrão que a polícia usou para pedir a prisão preventiva com urgência.
  • Preso e diante das evidências, Ederlan confessou o assassinato; as autoridades agora investigam se houve cúmplices e tentam reconstruir o método e a motivação completos do crime.
  • Uma menina de 11 anos, que chorava ao lado do pai no vídeo do Instagram, é agora a face mais dolorosa de um feminicídio que se escondia sob a aparência de uma família gospel.

Na quarta-feira, Ederlan Santos Mariano apareceu nas redes sociais em lágrimas, dizendo que sua esposa, a cantora gospel Sara Mariano, de 35 anos, havia desaparecido após ir a um encontro de mulheres em Dias D'Ávila, na região metropolitana de Salvador. Ao lado dele, a filha do casal, de 11 anos, chorava. Seus seguidores começaram a fazer perguntas sobre o evento — qual igreja, qual endereço — e Ederlan se mostrou irritado e evasivo.

Na sexta-feira, policiais encontraram um corpo carbonizado à beira da rodovia BA-093, no acesso ao Povoado de Leandrinho. Era Sara. As investigações logo revelaram que nenhum evento religioso havia ocorrido naquela terça-feira em Dias D'Ávila, e que a própria Sara, em seu último vídeo, não mencionava qualquer compromisso específico.

A irmã de Sara, Soraya Correia, entregou às autoridades um áudio decisivo: uma conversa no celular de Ederlan com um traficante, na qual ele tentava comprar uma arma. Familiares e colegas também relataram um histórico de violência doméstica, ciúme patológico e agressões sexuais dentro do casamento. O delegado Euvaldo Costa pediu a prisão temporária, apontando que o suspeito tentava destruir provas e exercia controle emocional sobre a vítima.

Preso, Ederlan confessou o crime. A polícia confirmou a confissão em nota oficial e segue investigando se houve cúmplices. O método exato do assassinato e a motivação completa ainda não foram divulgados pelas autoridades. O que permanece visível é o rastro humano do caso: uma voz silenciada, uma criança órfã, e um homem que usou as redes sociais como palco para encobrir o que havia feito.

Na quarta-feira passada, um homem apareceu nas redes sociais com lágrimas nos olhos. Seu nome era Ederlan Santos Mariano, e ele dizia que sua esposa, a cantora gospel Sara de Freitas Souza Mariano, havia desaparecido. Ela tinha 35 anos, era conhecida entre milhares de seguidores, e segundo ele, tinha ido a um encontro de mulheres organizado por uma igreja em Dias D'Ávila, na região metropolitana de Salvador. Nunca voltou.

Naquele vídeo gravado para o Instagram, Ederlan chorava. Falava da filha deles, uma menina de 11 anos, triste e chorando ao seu lado. Dizia que havia procurado a delegacia, que havia perdido contato com Sara em apenas 24 horas, que não conseguia nem fazer o boletim de ocorrência. Seus seguidores, muitos deles fiéis que o conheciam como parceiro de carreira de Sara, começaram a questionar: qual era o nome da igreja? Qual era o local exato? Ele se mostrou irritado. Não sabia, dizia. Só sabia que era em Dias D'Ávila, um evento de mulheres.

Na sexta-feira à tarde, policiais encontraram um corpo carbonizado à beira da rodovia BA-093, no trevo de acesso ao Povoado de Leandrinho, ainda em Dias D'Ávila. Era Sara. Ederlan foi chamado para fazer o reconhecimento da identidade. Naquele momento, as investigações já apontavam algo perturbador: não havia qualquer evento religioso acontecendo naquela terça-feira em Dias D'Ávila. Sara havia gravado um vídeo no Instagram dizendo que estava a caminho da cidade, mas não mencionava nenhum compromisso. A história que Ederlan contava não existia.

A polícia começou a cavar mais fundo. A irmã de Sara, Soraya Correia, compartilhou um áudio revelador: ela havia flagrado uma conversa no celular de Ederlan com um traficante de drogas. Ele estava tentando comprar uma arma. Ao mesmo tempo, familiares e colegas de trabalho começaram a falar sobre a relação entre os dois. Era tóxica, disseram. Ederlan era agressivo, possessivo. Havia relatos de violência sexual. As brigas vinham se tornando cada vez mais constantes. O advogado Marcus Rodrigues, que representava a família, confirmou esses detalhes aos investigadores.

Ainda na sexta-feira, a Polícia Civil pediu a prisão de Ederlan. O delegado Euvaldo Costa escreveu na representação que o suspeito era perigoso e estava tentando destruir provas. No documento enviado à Justiça, Costa apontou que as evidências mostravam que Ederlan "mantinha controle emocional da vítima" e que ele deixava claro sua intenção de destruir possíveis provas armazenadas no celular de Sara e prejudicar as investigações. A prisão temporária foi decretada e cumprida.

Preso, Ederlan confessou. A polícia confirmou em nota oficial que ele admitiu o crime. Passou por exames de lesões corporais e ficou à disposição do Poder Judiciário. Mas as investigações continuam. As autoridades ainda estão apurando se outras pessoas estavam envolvidas. O método exato usado para assassinar Sara e a motivação completa para o crime ainda não foram revelados. O que se sabe é que uma menina de 11 anos perdeu sua mãe, e um homem que chorava nas redes sociais fingindo desesperação agora enfrenta acusações de feminicídio e ocultação de cadáver.

Eu tenho uma filha de 11 anos que está aqui triste e chorando junto comigo... Sara foi para um evento ontem, dia 24, em Dias D'Ávila e não retornou mais
— Ederlan Santos Mariano, em vídeo publicado nas redes sociais
As evidências apontam que o investigado não só mantinha controle emocional da vítima, sobretudo dos fatos ora investigados, o que se iniciou com a notícia do desaparecimento e evoluiu para homicídio qualificado com ocultação de cadáver
— Delegado Euvaldo Costa, na representação pela prisão temporária
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que ele fez questão de aparecer nas redes sociais logo no começo? Parecia arriscado.

Model

Talvez tenha achado que era a coisa certa a fazer — o marido preocupado, o homem que avisa a todos. Ou talvez precisasse controlar a narrativa desde o início. Quando você mata alguém, a primeira história que você conta é a que fica.

Inventor

Mas a história dele caiu rápido. O evento não existia.

Model

Não existia porque ele a inventou. Ele sabia que Sara tinha seguidores, que as pessoas perguntariam. Mas não pensou bem o suficiente. Não sabia o nome da igreja, não sabia o local exato. Quando você está mentindo, os detalhes vazam.

Inventor

E a arma? Por que ele estava tentando comprar uma arma?

Model

Isso é o que a polícia quer saber também. Mas você não tenta comprar uma arma de um traficante se não está planejando algo. A irmã dela ouviu a conversa. Isso mudou tudo.

Inventor

Ele confessou rápido.

Model

Preso, sem saída, com as evidências apontando para ele — a tentativa de compra de arma, o evento falso, o histórico de violência que a família começou a contar. Talvez tenha visto que não havia escapatória.

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