Brasileiros fazem 78% das transações bancárias pelo celular em 2025

A conveniência digital transformou o relacionamento bancário em algo diário
Reflexo de como o mobile banking consolidou-se como principal canal de interação entre brasileiros e seus bancos em 2025.

Em 2025, o celular deixou de ser uma alternativa bancária para se tornar o próprio banco — 78% de todas as transações dos brasileiros aconteceram pelo mobile, segundo pesquisa da Febraban e da Deloitte. O Pix, já incorporado ao cotidiano como norma e não como novidade, moveu 80% das transferências entre pessoas físicas de forma instantânea. Diante dessa consolidação, o setor financeiro responde com R$ 50,4 bilhões projetados em tecnologia para 2026, reconhecendo que sustentar a confiança digital exige tanto investimento em segurança quanto na formação de quem opera esses sistemas.

  • O mobile banking deixou de ser tendência e tornou-se hegemonia: três em cada quatro usuários digitais realizam mais de 80% de suas operações exclusivamente por aplicativos.
  • O Pix avança sem freio — cresceu 19% no mobile e 53% no internet banking em 2025, tornando a transferência instantânea o padrão esperado pela população.
  • A expansão digital amplia a superfície de risco: 100% dos bancos classificaram cibersegurança como prioridade alta ou média, um consenso incomum no setor.
  • Para sustentar a infraestrutura, os bancos projetam R$ 50,4 bi em tecnologia em 2026 — 58% a mais do que investiam cinco anos atrás — com foco em nuvem e IA generativa.
  • A disputa por talento humano acompanha a corrida tecnológica: 226 mil profissionais foram treinados em 2025 e 42% dos bancos planejam ampliar suas equipes de TI em até 22%.

Os brasileiros não estão mais migrando para o banco digital — já chegaram. A pesquisa Febraban-Deloitte revela que 78% de todas as transações bancárias de 2025 ocorreram pelo celular, consolidando o mobile como canal dominante de uma forma que torna as agências físicas cada vez mais pontos de apoio para casos excepcionais. Rodrigo Mulinari, diretor responsável pelo levantamento, sintetiza a mudança: o relacionamento bancário tornou-se algo diário para a maioria dos brasileiros, acontecendo na palma da mão, a qualquer hora.

O perfil de quem usa esses canais reforça a consolidação. Três em cada quatro usuários digitais são heavy users — pessoas que conduzem mais de 80% de suas operações bancárias exclusivamente por aplicativos ou internet banking. Dentro desse universo, o Pix segue em expansão acelerada: cresceu 19% no mobile e 53% no internet banking, com 80% das transferências entre pessoas físicas ocorrendo na modalidade instantânea. A ferramenta não é mais inovação; é o padrão que o brasileiro adotou para mover dinheiro.

Os bancos respondem a essa realidade com investimentos expressivos. O setor projeta destinar R$ 50,4 bilhões em tecnologia durante 2026, um crescimento de 8% sobre o ano anterior e de 58% em cinco anos. As prioridades são claras: cibersegurança recebeu atenção unânime — 100% das instituições a classificaram como relevante —, enquanto computação em nuvem e inteligência artificial generativa foram citadas por 84% dos bancos como eixos estratégicos.

Mas tecnologia sem pessoas não escala. Em 2025, os bancos treinaram mais de 226 mil profissionais, e 42% das instituições planejam ampliar suas equipes de TI com crescimento médio de 22%. Ivo Mósca, diretor de Inovação da Febraban, aponta que o avanço do setor depende tanto de orçamento quanto da capacidade de atrair e reter especialistas aptos a operar sistemas cada vez mais sofisticados. A questão que permanece aberta é se a velocidade do investimento conseguirá acompanhar a velocidade com que novas ameaças surgem — e com que os usuários elevam suas expectativas.

Os brasileiros transformaram o celular em seu principal instrumento bancário. Segundo pesquisa conjunta da Febraban e da Deloitte, 78% de todas as transações realizadas em 2025 passaram pelo mobile banking — um número que consolida uma tendência que já vinha se desenhando há anos, mas que agora se tornou praticamente hegemônica. O que antes era conveniência tornou-se rotina. Para a maioria dos usuários, o relacionamento com o banco não acontece mais nas agências, mas na palma da mão, em qualquer hora do dia.

O perfil dos usuários digitais mudou significativamente. Três em cada quatro pessoas que acessam canais digitais são o que o setor chama de heavy users — aqueles que realizam mais de 80% de suas operações bancárias exclusivamente por aplicativos ou internet banking. Essa concentração revela que o Brasil não está em transição para o digital; já chegou lá. Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela pesquisa, resume a transformação em uma frase: a conveniência digital tornou o relacionamento bancário algo diário para a maioria dos brasileiros, reduzindo as agências físicas a pontos de apoio para operações mais complexas ou consultivas.

Dentro desse universo digital, o Pix segue em trajetória ascendente. A ferramenta de transferência instantânea cresceu 19% no mobile banking e 53% no internet banking durante 2025. Entre as transferências entre pessoas físicas, 80% ocorreram na modalidade instantânea — o padrão que a população brasileira adotou como norma. As demais formas de uso do Pix (cobrança, agendado, crédito) representam frações pequenas do total, sugerindo que o brasileiro usa a ferramenta principalmente para o que ela faz melhor: mover dinheiro de uma conta para outra em tempo real.

Os bancos, por sua vez, estão apostando pesadamente em tecnologia para sustentar e expandir essa infraestrutura. O setor projeta investir 50,4 bilhões de reais em tecnologia durante 2026 — um aumento de 8% em relação a 2025. Mais impressionante ainda é a trajetória de cinco anos: o orçamento tecnológico cresceu 58% nesse período, refletindo a urgência com que as instituições financeiras perseguem a modernização. Esses números não são abstratos; representam decisões concretas sobre onde o dinheiro vai fluir.

Cibersegurança emergiu como preocupação unânime. Cem por cento dos bancos consultados atribuíram relevância alta ou média ao tema — um consenso raro no setor. A razão é óbvia: quanto mais transações acontecem digitalmente, maior a superfície de ataque para criminosos. Ao mesmo tempo, 84% dos bancos destacam a computação em nuvem e 84% citam inteligência artificial generativa como prioridades estratégicas. Essas tecnologias não são modismos; são ferramentas que permitem processar volumes crescentes de dados, detectar fraudes em tempo real e personalizar serviços em escala.

Para sustentar essa evolução, o setor está investindo em pessoas. Os bancos treinaram 226,1 mil profissionais em 2025 e 42% deles planejam aumentar seus quadros de tecnologia da informação, com crescimento médio previsto de 22%. Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban, enquadra a questão em termos claros: o avanço tecnológico do setor financeiro depende não apenas de orçamento, mas da capacidade de atrair e reter profissionais especializados capazes de lidar com sistemas cada vez mais sofisticados. A competição por talento em tecnologia é feroz, e os bancos estão sinalizando que pretendem vencer essa disputa.

O quadro que emerge é o de um setor em plena transformação, mas não mais em transição. O mobile banking não é mais o futuro; é o presente consolidado. O Pix não é mais uma inovação; é a forma como os brasileiros transferem dinheiro. E os bancos não estão mais experimentando com tecnologia; estão investindo bilhões para garantir que essa infraestrutura digital continue funcionando, evoluindo e se tornando mais segura. O que resta a observar é se essa velocidade de investimento conseguirá acompanhar a velocidade com que novas ameaças surgem e novas expectativas dos usuários se formam.

O mobile banking reafirmou seu posicionamento como o principal canal em expansão, com crescimento notável não apenas em consultas, mas em transações financeiras e investimentos
— Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela pesquisa Febraban-Deloitte
O crescimento do orçamento tecnológico dos bancos, aliado à previsão de R$ 50,4 bilhões em investimentos para 2026, mostra que o setor financeiro segue comprometido com inovação, segurança e eficiência
— Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que 78% é um número tão significativo? Parece alto, mas o que ele realmente nos diz?

Model

Significa que o celular deixou de ser uma opção e virou a regra. Se você pensa em transação bancária no Brasil hoje, a probabilidade de ela estar acontecendo em um smartphone é quase certa. Não é maioria; é hegemonia.

Inventor

E esses heavy users — 76% da base digital — eles nunca mais entram em uma agência?

Model

Provavelmente não, a menos que precisem de algo muito específico. O banco virou um serviço que você acessa quando precisa, não um lugar que você visita. A agência agora é para exceções.

Inventor

O Pix cresceu 53% no internet banking. Isso é crescimento em relação a quê? Ele já era dominante?

Model

Ele já era forte, mas o crescimento mostra que continua ganhando espaço mesmo depois de estar consolidado. As pessoas estão usando mais, em mais contextos. É um sinal de que a ferramenta se tornou indispensável.

Inventor

Os bancos estão investindo 50 bilhões em tecnologia. Isso é muito ou pouco?

Model

É muito em termos absolutos, mas o contexto importa. Cresceu 8% em um ano e 58% em cinco anos. Eles estão acelerando porque sabem que a segurança e a inovação não são luxo — são sobrevivência.

Inventor

Cibersegurança com 100% de consenso é raro. Por que ninguém discorda?

Model

Porque o custo de um ataque bem-sucedido é catastrófico — para o banco, para o cliente, para a confiança no sistema inteiro. Quando o risco é existencial, não há debate.

Inventor

E a IA generativa? Por que 84% dos bancos a veem como prioridade?

Model

Porque ela permite fazer coisas que antes exigiam centenas de pessoas — analisar padrões, detectar fraudes, responder clientes. É uma questão de eficiência e escala.

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