A economia está criando menos oportunidades a cada mês que passa
Criação de 85,8 mil vagas em abril representa queda significativa frente aos 238,2 mil postos abertos no mesmo mês de 2025. Setor de serviços lidera com 69,6 mil vagas; construção civil cria 23,5 mil; comércio e agropecuária fecham postos de trabalho.
- 85,8 mil vagas criadas em abril de 2026, queda de 64% ante abril de 2025
- Setor de serviços liderou com 69,6 mil vagas; comércio e agropecuária fecharam postos
- Acumulado de janeiro a abril: 699,8 mil vagas, 23% abaixo do mesmo período de 2025
- Jovens até 24 anos concentraram 111,3 mil das vagas criadas
- Salário médio de admissão: R$ 2.386,56, alta de 1,8% ante abril de 2025
Brasil criou 85,8 mil vagas formais em abril, o pior resultado para o mês desde 2025, com desaceleração de 64% ante ano anterior. Serviços lideraram geração, enquanto comércio e agropecuária fecharam postos.
Os números chegaram na quinta-feira e trouxeram consigo uma mensagem clara: o mercado de trabalho brasileiro está perdendo fôlego. Em abril, o país criou 85,8 mil vagas com carteira assinada — o pior resultado para esse mês desde 2025, segundo dados do Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo veio de 2,27 milhões de admissões contra 2,18 milhões de desligamentos, um movimento que mantém a economia gerando postos, mas em ritmo significativamente mais lento.
A comparação com o ano anterior expõe a desaceleração com clareza. Em abril de 2025, o Brasil havia aberto 238,2 mil vagas formais. Isso significa que o resultado de 2026 representa uma queda de 64% — uma contração que não pode ser ignorada. Quando se olha para o acumulado do ano, de janeiro a abril, a situação fica ainda mais evidente: 699,8 mil postos de trabalho criados contra 913,8 mil no mesmo período de 2025. O estoque de empregos cresceu 1,5%, mas a trajetória aponta para uma economia menos dinâmica que a do ano anterior.
O setor de serviços foi o grande responsável por manter a criação de vagas em terreno positivo, gerando 69,6 mil postos em abril. Dentro desse segmento, saúde humana e serviços sociais lideraram com 18,1 mil novas vagas, seguidos por transporte e armazenagem, com 12,2 mil, e atividades administrativas, com 12,1 mil. A construção civil apareceu em segundo lugar no ranking geral, criando 23,5 mil vagas impulsionadas por serviços especializados, obras de infraestrutura e construção de edifícios. A indústria, por sua vez, abriu apenas 9,3 mil postos, com destaque para fabricação de álcool, produtos de carne e automóveis.
Mas nem todos os setores compartilharam dessa trajetória positiva. O comércio fechou 8,1 mil vagas em abril, com o varejo sendo particularmente afetado. A agropecuária perdeu 8,4 mil postos, influenciada pela desmobilização de atividades ligadas ao cultivo de soja, maçã e laranja — um reflexo dos ciclos sazonais e das pressões sobre o setor agrícola. Essas perdas foram absorvidas pelos ganhos em serviços e construção, mantendo o saldo geral positivo, mas revelando uma economia em transição, com alguns setores contraindo enquanto outros expandem.
Geograficamente, 24 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo de empregos em abril. São Paulo liderou com 20,2 mil novas vagas, seguido pelo Rio de Janeiro com 11,7 mil e Minas Gerais com 9 mil. Alagoas, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte ficaram no lado negativo, sinalizando disparidades regionais no mercado de trabalho. Um dado que chama atenção é a concentração de ganhos entre os mais jovens: pessoas com até 24 anos absorveram 111,3 mil das vagas criadas, enquanto todas as faixas etárias acima disso registraram fechamento líquido de 25,4 mil postos. É um padrão que se repete há tempos e levanta questões sobre a empregabilidade de trabalhadores mais velhos.
O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.386,56 em abril, uma alta de 0,7% em relação a março e de 1,8% comparado a abril do ano anterior. É um sinal positivo para quem entra no mercado, mas insuficiente para compensar a desaceleração na quantidade de vagas. Nos últimos 12 meses, o país acumulou 1,05 milhão de empregos criados — um número que ainda representa crescimento, mas que, quando colocado lado a lado com os dados de 2025, revela uma economia que está esfriando. A questão que fica é se essa desaceleração é apenas uma correção temporária ou o sinal de algo mais estrutural na economia brasileira.
Citas Notables
O resultado é fruto de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos registrados no período— Ministério do Trabalho e Emprego
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que abril é particularmente importante para avaliar o mercado de trabalho?
Abril é um mês de transição. Depois dos ajustes iniciais do ano, ele mostra se o ritmo de contratação está se mantendo ou se está desacelerando. Quando você vê uma queda de 64% em relação ao mesmo mês do ano anterior, isso não é flutuação — é um sinal de que algo mudou na economia.
Os números ainda são positivos, então por que a preocupação?
Porque o contexto importa. Sim, 85,8 mil vagas é positivo, mas quando você compara com 238,2 mil do ano anterior, você vê que a economia está criando menos oportunidades. E quando olha para o acumulado do ano — 699,8 mil contra 913,8 mil — fica claro que 2026 está 23% abaixo de 2025.
Qual setor está realmente crescendo?
Serviços está carregando o mercado. Saúde, transporte, atividades administrativas — essas áreas estão absorvendo a maioria das novas vagas. Construção também está forte. Mas comércio e agropecuária estão fechando postos, o que sugere que nem toda a economia está aquecida.
E os jovens? Eles estão sendo privilegiados?
Não é privilégio exatamente. É que empresas preferem contratar pessoas com até 24 anos — custam menos, são mais flexíveis. Enquanto isso, trabalhadores mais velhos estão perdendo postos. É um padrão que revela algo sobre como o mercado funciona, e não é necessariamente positivo para a estabilidade do emprego.
O que os salários dizem sobre tudo isso?
Os salários subiram um pouco — 1,8% em relação a abril do ano passado. Mas é uma alta modesta. Não é o suficiente para compensar o fato de que há menos vagas sendo criadas. Quem consegue emprego está ganhando um pouco melhor, mas menos pessoas estão conseguindo emprego.
Isso é o começo de uma recessão?
Não dá para dizer com certeza baseado apenas em um mês. Mas quando você vê desaceleração consistente — tanto em quantidade de vagas quanto em comparação com o ano anterior — você começa a suspeitar que a economia está perdendo força. Os próximos meses vão ser decisivos.