Brasil cria 213 mil empregos formais em setembro, menor resultado desde 2003

O pior desempenho para um mês de setembro desde 2003
A criação de 213 mil empregos formais em setembro marca dois anos de deterioração neste período do calendário.

Em setembro de 2025, o Brasil registrou a criação de 213 mil empregos formais — um número que, isolado, parece promissor, mas que, colocado diante da história recente, revela uma economia em desaceleração. Foi o pior desempenho para um mês de setembro desde 2003, e o acumulado do ano aponta para uma trajetória descendente no mercado de trabalho formal. O momento convida à reflexão sobre o que os números escondem tanto quanto o que revelam.

  • A queda de 15,5% na geração de empregos formais em relação a setembro de 2024 acende um sinal de alerta sobre o ritmo da economia brasileira.
  • O acumulado de 1,71 milhão de vagas nos primeiros nove meses de 2025 é o menor desde 2023, indicando que a desaceleração não é pontual, mas uma tendência consolidada.
  • O salário médio de admissão recuou em termos reais de agosto para setembro, pressionando o poder de compra dos novos trabalhadores contratados.
  • O estoque total de empregos formais cresceu para 48,91 milhões, mas esse número reflete o acúmulo de períodos anteriores, não a vitalidade do mercado atual.

O Ministério do Trabalho e do Emprego divulgou na quinta-feira, 30 de outubro, que o Brasil criou 213 mil empregos formais em setembro de 2025. O resultado, porém, é o pior para um mês de setembro desde 2003 — uma queda de 15,5% em relação às 252,3 mil vagas abertas no mesmo período de 2024.

O panorama acumulado reforça a preocupação. Entre janeiro e setembro de 2025, foram gerados 1,71 milhão de empregos formais, uma retração de 14% frente ao mesmo intervalo de 2024, quando o país havia criado 1,99 milhão de postos. É o menor resultado para os primeiros nove meses de um ano desde 2023.

Apesar disso, o estoque total de trabalhadores com carteira assinada chegou a 48,91 milhões ao fim de setembro — acima dos 48,69 milhões de agosto e dos 47,51 milhões de um ano antes. Analistas, no entanto, alertam que esse crescimento reflete o acúmulo de períodos anteriores, não a força do mercado no momento presente.

Os dados do Caged apontam criação de empregos em quatro dos cinco setores da economia, com serviços liderando em volume. Ainda assim, o salário médio de admissão recuou em termos reais: de R$ 2.306,94 em agosto para R$ 2.286,34 em setembro, sinalizando pressão sobre o poder de compra dos novos contratados. O quadro que emerge é de um mercado formal em desaceleração, com desafios que tendem a se prolongar nos próximos meses.

O Brasil criou 213 mil empregos formais em setembro, um número que o Ministério do Trabalho e do Emprego divulgou na quinta-feira, dia 30 de outubro. À primeira vista, parece um resultado sólido — mas o contexto revela uma economia em desaceleração. Comparado a setembro do ano anterior, quando foram geradas 252,3 mil vagas com carteira assinada, a queda é de 15,5%. Mais preocupante ainda: este foi o pior desempenho para um mês de setembro desde 2003, marcando dois anos de deterioração neste período específico do calendário.

Os números de agosto fornecem uma visão mais ampla do fluxo do mercado de trabalho formal. Naquele mês, houve 2,29 milhões de contratações e 2,08 milhões de demissões, resultando no saldo positivo que caracteriza a criação líquida de postos. Analistas ressalvam que comparações com anos anteriores a 2020 perderam relevância porque o governo alterou sua metodologia de coleta e cálculo dos dados.

Quando se observa o acumulado do ano, a tendência fica ainda mais clara. De janeiro a setembro de 2025, o país gerou 1,71 milhão de empregos formais — uma queda de 14% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram abertas 1,99 milhão de vagas. Este é o menor resultado para os primeiros nove meses de um ano desde 2023, quando apenas 1,59 milhão de postos foram criados. O mercado de trabalho formal, portanto, não apenas desacelerou; ele está em trajetória descendente.

Apesar dessa contração, o estoque total de empregos formais no país cresceu. Ao final de setembro de 2025, o Brasil contava com 48,91 milhões de trabalhadores com carteira assinada — um aumento em relação aos 48,69 milhões de agosto e aos 47,51 milhões de setembro de 2024. Esse crescimento do estoque, porém, reflete principalmente o acúmulo de períodos anteriores, não a força do mercado atual.

Os dados do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, mostram que em setembro foram criados empregos formais em quatro dos cinco setores da economia, com o setor de serviços liderando em números absolutos. Ainda assim, essa distribuição não foi suficiente para compensar a fraqueza geral do período.

O salário médio de admissão também sinaliza pressão. Em setembro, ficou em R$ 2.286,34, representando uma queda real — descontada a inflação — em relação a agosto, quando atingiu R$ 2.306,94. Na comparação anual, houve uma pequena alta: em setembro de 2024, o salário médio de admissão era de R$ 2.268,99. Essa oscilação sugere que, embora os salários de entrada tenham subido nominalmente, a capacidade de compra dos novos contratados encolheu mês a mês.

É importante notar que o Caged considera apenas trabalhadores com carteira assinada, excluindo o vasto setor informal da economia brasileira. Por isso, seus números não são diretamente comparáveis com as taxas de desemprego divulgadas pelo IBGE através da Pnad, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Cada indicador captura uma dimensão diferente do mercado de trabalho, e ambos são necessários para compreender o quadro completo.

O que emerge desses dados é um mercado de trabalho formal em contração, com criação de vagas abaixo das expectativas históricas, salários de entrada sob pressão, e uma tendência que aponta para desafios nos próximos meses.

O resultado representa queda de 15,5% em relação a setembro do ano passado, quando foram criados cerca de 252,3 mil empregos com carteira assinada
— Ministério do Trabalho e do Emprego
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que setembro é um mês tão importante para avaliar o mercado de trabalho?

Model

Setembro marca o final do terceiro trimestre e costuma refletir decisões de contratação tomadas no meio do ano. Quando vemos o pior resultado em dois anos para esse mês, é sinal de que as empresas estão sendo cautelosas com novas vagas.

Inventor

A queda de 15,5% em relação a setembro passado é significativa. O que pode estar por trás disso?

Model

Pode ser uma combinação de fatores: incerteza econômica, pressão sobre margens de lucro das empresas, ou até mesmo antecipação de demissões que viriam depois. O fato de haver 2,08 milhões de demissões em agosto mostra que o mercado não está apenas criando menos — está também destruindo postos.

Inventor

Mas o estoque total de empregos formais cresceu. Isso não contradiz a narrativa de desaceleração?

Model

Não. O estoque é acumulativo. Você pode ter um grande número de pessoas empregadas e ainda assim estar criando muito poucos empregos novos. É como ter uma banheira cheia mas com a torneira quase fechada.

Inventor

E quanto aos salários? A queda real de agosto para setembro é preocupante?

Model

Muito. Significa que, mesmo com inflação controlada, o poder de compra dos novos contratados caiu. Se as empresas estão contratando menos e pagando menos em termos reais, é um sinal duplo de fraqueza.

Inventor

Por que a comparação com anos anteriores a 2020 não é mais válida?

Model

O governo mudou a metodologia. Dados coletados de forma diferente não são comparáveis. É como tentar medir a mesma coisa com réguas diferentes — os números podem parecer similares, mas não estão medindo exatamente o mesmo fenômeno.

Inventor

O que devemos estar observando nos próximos meses?

Model

Se a criação de empregos continuar caindo ou se os salários de admissão seguirem em queda real, teremos confirmação de que a economia está entrando em um período mais difícil. O mercado formal é um indicador importante, mas não é o único — precisamos também acompanhar o que acontece no setor informal.

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