Brasil cria 1,69 milhão empregos formais em 2024, maior número em 2 anos

O pior desempenho para dezembro na série histórica do Caged
Dezembro de 2024 fechou com saldo negativo de 535,5 mil empregos formais, marcando o pior resultado para o mês desde que o Caged começou a usar a metodologia atual.

Em um país onde o trabalho formal é símbolo de proteção e dignidade, o Brasil encerrou 2024 com 1,69 milhão de novos empregos com carteira assinada — o melhor resultado em dois anos e um reflexo de uma economia que cresceu consecutivamente acima de 3%. O setor de serviços, espinha dorsal da força de trabalho brasileira, liderou esse avanço, enquanto dezembro trouxe um contraponto sombrio: o pior saldo mensal da série histórica do Caged. O ano termina, assim, entre a celebração de um mercado aquecido e a interrogação sobre o que os próximos meses reservam.

  • O Brasil criou 1,69 milhão de empregos formais em 2024, crescimento de 16,5% sobre 2023 e o melhor desempenho desde 2022.
  • O setor de serviços puxou a geração de vagas com 929 mil contratações líquidas, seguido por comércio e indústria em ritmo consistente.
  • Dezembro rompeu a tendência positiva com saldo negativo de 535,5 mil empregos — o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Caged.
  • O estoque total de empregos formais fechou 2024 em 47,21 milhões, alta de 3,72% sobre 2023, sinalizando um mercado ainda robusto apesar do tropeço final.

O Brasil encerrou 2024 com 1,69 milhão de novos empregos formais, o melhor resultado em dois anos e um crescimento de 16,5% em relação a 2023, quando foram criados 1,45 milhão de postos. O último ano com desempenho superior havia sido 2022, com 2,01 milhões de contratações líquidas. Os dados, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 30 de janeiro, emergem do Caged — o termômetro oficial do emprego formal no país —, que registrou 25,57 milhões de admissões contra 23,87 milhões de demissões ao longo do ano.

O setor de serviços liderou a geração de vagas com 929 mil novos empregos, seguido pelo comércio com 336,1 mil e pela indústria com 306,9 mil. A construção civil e a agropecuária completaram o quadro com contribuições menores, refletindo a estrutura de uma economia onde o setor terciário concentra a maior parte da força de trabalho. O cenário macroeconômico reforçou esses números: a taxa de desemprego atingiu o nível mais baixo da história e o PIB deve ter crescido próximo de 3,5% pelo segundo ano consecutivo.

Dezembro, porém, trouxe uma nota discordante. O mês fechou com saldo negativo de 535,5 mil empregos — o pior desempenho para dezembro na série histórica do Caged —, com 1,52 milhões de admissões contra 2,06 milhões de desligamentos. O setor de serviços liderou as demissões, seguido por indústria e construção civil. Ainda assim, o estoque total de empregos formais encerrou 2024 em 47,21 milhões, alta de 3,72% sobre o ano anterior, consolidando um mercado aquecido — mas com questões abertas sobre a sustentabilidade do ritmo nos meses seguintes.

O Brasil encerrou 2024 com um resultado robusto no mercado de trabalho formal: 1,69 milhão de novos empregos com carteira assinada, o melhor desempenho em dois anos. O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou os números na quinta-feira, 30 de janeiro, mostrando um crescimento de 16,5% em relação a 2023, quando o país havia criado 1,45 milhão de postos. O último ano com números superiores foi 2022, que marcou 2,01 milhões de contratações líquidas.

Esses números emergem do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que funciona como o termômetro oficial do emprego formal brasileiro. Ao longo de 2024, o país registrou 25,57 milhões de admissões contra 23,87 milhões de demissões, gerando o saldo positivo de 1,69 milhões. A metodologia atual do Caged começou em 2020, e desde então 2024 figura entre os melhores anos para criação de empregos formais.

O setor de serviços liderou amplamente a geração de postos de trabalho, com 929 mil novos empregos formais. O comércio veio em segundo lugar, com 336,1 mil contratações líquidas, seguido pela indústria com 306,9 mil. A construção civil adicionou 110,9 mil vagas, enquanto a agropecuária contribuiu com 10,81 mil. Essa distribuição reflete a estrutura da economia brasileira, onde o setor terciário concentra a maior parte da força de trabalho.

O contexto macroeconômico reforça esses números positivos. A taxa de desemprego atingiu o nível mais baixo da história, conforme dados do IBGE, e o número de brasileiros ocupados bateu recorde. Projeções de agentes financeiros e do Ministério da Fazenda indicam que a economia brasileira cresceu próximo de 3,5% em 2024, marcando o segundo ano consecutivo com expansão do PIB acima de 3%. Os dados oficiais serão publicados pelo IBGE em março.

Mas dezembro trouxe uma nota discordante. O país fechou o mês com um saldo negativo de 535,5 mil empregos formais, o pior desempenho para dezembro na série histórica do Caged. Foram 1,52 milhões de admissões contra 2,06 milhões de desligamentos. Dezembro é historicamente um mês negativo para o emprego formal, com muitas empresas reduzindo quadros após o período de festas, mas este ano o resultado foi particularmente severo. O setor de serviços liderou as demissões, com saldo negativo de 257,7 mil postos. A indústria encerrou 116,4 mil empregos, a construção perdeu 89,673 vagas, a agropecuária 46,672 e o comércio 25,084.

Apesar do tombo em dezembro, o estoque total de empregos formais no país fechou 2024 em 47,21 milhões, representando uma alta de 3,72% em comparação com 2023, quando eram 45,52 milhões. O ano como um todo consolidou um mercado de trabalho aquecido, ainda que o encerramento tenha deixado questões sobre a sustentabilidade do ritmo de contratações nos meses seguintes.

A taxa de desemprego está no nível mais baixo da história
— IBGE
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que dezembro foi tão ruim se o resto do ano foi tão bom?

Model

Dezembro é sempre um mês de demissões no Brasil — as empresas reduzem custos após as festas. Mas desta vez foi o pior em toda a série histórica do Caged. Pode ser sinal de cautela das empresas diante da economia.

Inventor

E essa cautela vem de quê? A economia cresceu 3,5%.

Model

O crescimento é real, mas há incertezas. Inflação, taxa de juros, câmbio — tudo isso afeta as decisões de contratação. Dezembro pode estar sinalizando que as empresas estão começando a freiar.

Inventor

Mas o desemprego está no menor nível da história. Como isso é possível?

Model

Porque o estoque de empregos formais continua crescendo — 47,21 milhões no final do ano. Mesmo com dezembro ruim, o saldo anual foi forte. É como um copo que encheu bastante durante o ano e derramou um pouco no final.

Inventor

Qual setor está mais vulnerável?

Model

Serviços é o maior empregador e também o que mais demitiu em dezembro — 257,7 mil vagas. É o setor mais sensível às oscilações econômicas. Quando a confiança cai, as pessoas gastam menos com serviços.

Inventor

2024 foi exceção ou começo de uma tendência?

Model

Ainda é cedo para dizer. O ano foi bom, mas dezembro acendeu uma luz de alerta. Os próximos meses dirão se foi apenas sazonalidade ou se o mercado está realmente desacelerando.

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