Brasil cria 155 mil empregos formais em janeiro, 38% abaixo de um ano atrás

A queda de 38% entre um ano e outro é o sinal que importa
Embora 155 mil empregos pareçam um número positivo, a comparação com janeiro anterior revela desaceleração.

Em janeiro, o Brasil registrou a criação de 155 mil empregos formais — um número que, isolado, sugere vitalidade, mas que, posto ao lado do mesmo mês do ano anterior, revela uma economia em desaceleração. A queda de 38% na geração de vagas, combinada ao aumento nos pedidos de seguro-desemprego, aponta para um mercado de trabalho que avança, porém com passos cada vez mais curtos. O país carrega ainda a memória de um 2020 devastador e uma recuperação que, embora real, permanece incompleta.

  • A criação de 155 mil vagas em janeiro parece positiva, mas representa uma queda de 38% em relação ao mesmo mês de 2021, sinalizando perda de fôlego na recuperação do emprego formal.
  • O comércio — um dos maiores empregadores do Brasil — fechou 60 mil postos, revertendo dramaticamente os 10 mil empregos criados no mesmo período do ano anterior.
  • Os pedidos de seguro-desemprego chegaram a 529 mil em janeiro, o maior patamar em nove meses e 10% acima do registrado um ano antes, evidenciando pressão crescente sobre os trabalhadores.
  • O salário médio de admissão recuou 1,2% em termos reais, chegando a R$ 1.920,59 — o melhor nível em sete meses, mas um alívio modesto para quem ingressa agora no mercado.
  • Analistas projetam que 2022 continuará gerando empregos, porém em ritmo inferior ao de 2021, quando foram criados 2,7 milhões de vagas formais em um contexto de forte efeito rebote pós-pandemia.

Em janeiro, o Brasil gerou 155,1 mil empregos com carteira assinada — saldo resultante de 1,7 milhão de contratações e 1,6 milhão de desligamentos, segundo dados do Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho. O número, porém, perde força quando comparado ao mesmo mês de 2021, quando foram criadas 254,3 mil vagas. A queda de 38% é o sinal que define o momento.

O comércio foi o único setor no vermelho, eliminando 60 mil postos — uma reversão expressiva frente aos 10,1 mil empregos criados no mesmo período do ano anterior. Do lado positivo, os serviços lideraram com 102 mil novas vagas, seguidos pela indústria, construção e agropecuária. Ainda assim, o resultado agregado não acompanhou o ritmo de 2021.

Mais preocupante é o avanço nos pedidos de seguro-desemprego: 529 mil requerimentos em janeiro, o maior volume em nove meses e 10% acima do registrado um ano antes. O salário médio de admissão também recuou 1,2% em termos reais, chegando a R$ 1.920,59.

O contexto importa: 2021 foi um ano de forte recuperação após o tombo de 2020, quando a pandemia provocou 191,5 mil desligamentos líquidos. Aquele desempenho foi real, mas não suficiente para retirar o Brasil da lista dos países com maiores taxas de desemprego no mundo. Os dados de janeiro sugerem que a retomada, longe de se consolidar, começa a perder velocidade.

Em janeiro, o Brasil criou 155,1 mil empregos com carteira assinada. O número, à primeira vista, parece robusto — mas o contexto revela uma economia em desaceleração. Esse saldo líquido resultou de 1,7 milhão de contratações e 1,6 milhão de desligamentos, dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Trabalho e Previdência através do Caged, o cadastro que registra movimentações de emprego formal regidas pela CLT. O problema está na comparação: janeiro do ano anterior havia gerado 254,3 mil vagas. A queda de 38% entre um ano e outro é o sinal que importa.

O comércio foi o único setor a fechar portas em janeiro, eliminando 60 mil postos de trabalho. Um ano antes, o mesmo segmento havia criado 10,1 mil vagas. A reversão é dramática e aponta para uma contração específica naquele que é tradicionalmente um dos maiores empregadores do país. Os serviços, porém, compensaram parte da queda, puxando a criação de 102 mil empregos, seguidos pela indústria com 51,4 mil, construção com 36,8 mil e agropecuária com 25 mil. Mesmo com essa diversificação, o resultado agregado não conseguiu acompanhar o ritmo do ano anterior.

O salário médio de admissão também recua. Em janeiro, ficou em R$ 1.920,59, uma queda real de 1,2% comparado ao mesmo mês de 2021. Ainda assim, representa o melhor patamar em sete meses — um consolo pequeno para quem entra no mercado de trabalho. Mais preocupante é o movimento nos pedidos de seguro-desemprego: 529 mil requerimentos em janeiro, o maior patamar em nove meses e 10% acima de janeiro do ano passado, quando foram 480 mil. Os trabalhadores têm entre sete e 120 dias após o desligamento para fazer o pedido, então esses números refletem uma pressão real no mercado.

Os analistas esperam que 2022 continue gerando vagas, embora em ritmo inferior ao de 2021, quando o Brasil criou 2,7 milhões de empregos formais. Aquele desempenho, porém, veio após um 2020 devastador: o país havia registrado 191,5 mil desligamentos líquidos naquele ano, quando a Covid-19 e as medidas de distanciamento social contraíram a economia. A recuperação de 2021 foi real, mas incompleta. Mesmo com o saldo positivo, o Brasil terminou o ano com a sexta maior taxa de desemprego em uma lista de 42 países, segundo ranking do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Os números de janeiro sugerem que essa recuperação está perdendo força.

Brasil criou 2,7 milhões de vagas de emprego formal em 2021, mas analistas esperam criação inferior em 2022
— Dados do Ministério do Trabalho e Previdência
Brasil teve a sexta maior taxa de desemprego em uma lista com 42 países
— Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que uma queda de 38% em um mês é tão significativa? Não é apenas variação sazonal?

Model

Não. Janeiro é historicamente um mês forte para contratações — as empresas começam o ano com planos de expansão. Uma queda de 38% nesse mês específico sinaliza que as empresas estão mais cautelosas do que estavam um ano atrás.

Inventor

O comércio fechou 60 mil vagas. Isso é um setor inteiro em crise?

Model

É um sinal de alerta. O comércio emprega milhões de pessoas. Quando ele contrai enquanto outros setores crescem, sugere que o consumidor está recuando — as pessoas estão gastando menos.

Inventor

Mas os serviços cresceram 102 mil. Não é suficiente?

Model

Cresceu, mas não o bastante. E há uma diferença: serviços incluem desde consultoria bem remunerada até trabalho doméstico. O agregado mascara a qualidade do emprego sendo criado.

Inventor

Os pedidos de seguro-desemprego subiram 10%. Isso contradiz os números de criação de vagas?

Model

Não contradiz, complementa. Mostra que enquanto algumas vagas são criadas, outras estão sendo fechadas em ritmo acelerado. O mercado está em movimento, mas turbulento.

Inventor

O Brasil está em recessão?

Model

Os dados de janeiro não permitem dizer isso ainda. Mas indicam que o impulso de recuperação de 2021 está arrefecendo. É um aviso, não uma confirmação.

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