Brasil cria 136 mil empregos em março, mas salários caem 7,2%

há vagas, sim, mas elas pagam menos do que pagavam um ano atrás
A realidade do mercado de trabalho em março: crescimento de empregos acompanhado por queda salarial de 7,2%.

Em março de 2022, o Brasil registrou a criação de 136 mil empregos formais — um saldo que, à superfície, parece promissor, mas que revela, em profundidade, uma economia em desaceleração. A geração de vagas encolhe mês a mês em comparação ao ano anterior, e os salários dos recém-contratados caíram 7,2%, chegando a R$ 1.872,07. É o retrato de um país que ainda caminha, mas com passos mais curtos e mais pesados do que em 2021.

  • A criação de empregos desacelera pelo terceiro mês consecutivo: janeiro caiu 38% e fevereiro 17% em relação ao ano anterior, e março segue a mesma direção.
  • Por trás do saldo positivo de 136 mil vagas, há 1,95 milhão de contratações contra 1,81 milhão de demissões — um equilíbrio frágil que mascara a rotatividade do mercado.
  • Os salários dos novos contratados recuaram para R$ 1.872,07, uma queda real de 7,2%, retomando o padrão de perdas consecutivas que marcou todo o ano passado.
  • O governo atribui a desaceleração ao fim do ciclo atípico de recuperação pós-pandemia, mas analistas do Banco Central projetam crescimento de apenas 0,65% para 2022.
  • Quem busca emprego em 2022 encontra menos oportunidades e menores salários do que encontrava um ano atrás — a recuperação existe, mas chega mais cara para o trabalhador.

Em março, o Brasil abriu 136 mil postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência. O saldo resulta de 1,95 milhão de contratações frente a 1,81 milhão de desligamentos — números que, à primeira vista, parecem animadores, mas que escondem uma tendência preocupante.

A geração de empregos vem perdendo força. Janeiro registrou queda de 38% na criação de vagas em relação ao mesmo período de 2021, fevereiro recuou 17%, e março segue o mesmo caminho. O ministério reconhece a desaceleração, mas a classifica como esperada: 2021 foi um ano de recuperação atípica após a pandemia, e 2022 tende a refletir o desempenho real de uma economia que os analistas do Banco Central projetam crescer apenas 0,65%.

O dado que mais preocupa, porém, é o dos salários. Quem foi admitido em março recebeu em média R$ 1.872,07 — uma queda real de 7,2% em relação a março do ano anterior. Após uma breve melhora em janeiro, as remunerações voltaram a cair, retomando o padrão que marcou todo o ano passado. Técnicos do ministério explicam que isso é comum em momentos de retomada, quando as vagas abertas tendem a ser em setores de menor remuneração ou para posições de entrada.

O quadro que se desenha é o de uma economia que ainda cria empregos, mas de forma mais lenta e com salários menores. Para quem entra no mercado de trabalho em 2022, há menos oportunidades e ganhos mais modestos do que havia um ano atrás.

Em março, o Brasil abriu 136 mil postos de trabalho com registro formal. Os números saem do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério do Trabalho e Previdência. À primeira vista, o saldo é positivo: 1,95 milhão de pessoas foram contratadas enquanto 1,81 milhão deixaram seus empregos. Mas por trás desses números há uma história menos animadora.

O crescimento do emprego está desacelerando. Em janeiro, a criação de vagas havia sido 38% menor do que no mesmo mês do ano anterior. Fevereiro mostrou queda de 17%. Março segue a mesma tendência, ainda que o ministério insista que essa desaceleração é esperada. Afinal, 2021 foi um ano atípico de recuperação econômica após a pandemia. Agora, em 2022, os números tendem a refletir melhor o desempenho real da economia — e esse desempenho não é robusto. Os analistas compilados pelo Banco Central estimam crescimento de apenas 0,65% para o país neste ano.

Mas há outro problema que preocupa mais. Os salários dos novos contratados caíram. Quem foi admitido em março recebeu em média R$ 1.872,07 — uma queda real de 7,2% comparada a março do ano anterior. Esse movimento não é novo. Após uma breve recuperação em janeiro, os salários de admissão voltaram a cair, retomando o padrão de quedas consecutivas que marcou todo o ano passado.

Os técnicos do ministério explicam que remunerações menores em momentos de retomada do emprego são tradicionais. Quando a economia começa a contratar novamente, muitas das vagas abertas são em setores que pagam menos, ou para posições de entrada. Mas para quem está procurando trabalho, a realidade é simples: há vagas, sim, mas elas pagam menos do que pagavam um ano atrás.

O quadro que emerge é de uma economia que continua criando empregos, mas de forma mais lenta e com salários em queda. O governo aposta que conforme a economia se alinhe melhor com seu ritmo natural de crescimento, esses números melhorem. Mas por enquanto, quem entra no mercado de trabalho em 2022 enfrenta menos oportunidades e menores ganhos do que enfrentava em 2021.

A menor remuneração é tradicionalmente observada em momentos de retomada do emprego
— Ministério do Trabalho e Previdência
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que uma queda de 7,2% nos salários é tão significativa se o país ainda está criando empregos?

Model

Porque cria um vácuo entre a narrativa e a realidade vivida. Sim, há 136 mil vagas. Mas a pessoa que as preenche ganha menos. Isso afeta consumo, endividamento, qualidade de vida.

Inventor

O ministério diz que isso é normal em retomadas. Você acredita?

Model

É verdade que acontece. Mas verdade não é conforto. Quando você precisa de emprego, uma vaga que paga 7% menos é uma vaga que não resolve seu problema completamente.

Inventor

E se a economia crescer mais nos próximos meses? Os salários recuperam?

Model

Teoricamente, sim. Mas estamos em abril de 2022 falando de crescimento de 0,65% para o ano inteiro. Não é exatamente um cenário de otimismo.

Inventor

Então o Brasil está criando empregos de pior qualidade?

Model

Não é bem assim. É mais que o mercado está se normalizando após um ano excepcional. Mas normalização, neste caso, significa menos dinamismo e menos poder de compra para quem entra agora.

Inventor

Quem mais sofre com isso?

Model

Quem depende de primeiro emprego, quem está retornando ao mercado, quem não tem margem para esperar por algo melhor. A economia está criando vagas, mas não está criando oportunidades de qualidade.

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