Brasil cria 136 mil empregos formais em março, abaixo do ano anterior

Terceiro mês consecutivo com mais contratações que demissões
Sinalizando uma recuperação gradual do mercado de trabalho apesar das pressões econômicas.

Em março de 2022, o Brasil registrou mais 136 mil vínculos formais de trabalho — terceiro mês consecutivo de saldo positivo, num país que ainda procura reencontrar o ritmo perdido. O setor de serviços e a Região Sudeste puxaram o movimento, enquanto o Nordeste recuou sob o peso da entressafra canavieira. O resultado é menor do que o de março de 2021, mas sustenta uma trajetória que analistas acreditam poder alcançar 1 milhão de empregos até o fim do ano — desde que a inflação e a incerteza econômica não desfaçam o que foi construído.

  • O Brasil encerrou março com 136.189 empregos formais a mais, mantendo uma sequência positiva que não ocorria há três meses seguidos.
  • Por trás do saldo, quase 2 milhões de contratações e 1,8 milhão de demissões revelam um mercado em movimento intenso, não em repouso.
  • O setor de serviços concentrou a maior parte das vagas, mas o salário médio das novas contratações caiu abaixo de R$ 1.900, pressionado pela inflação.
  • O Nordeste foi a única grande região com saldo negativo, reflexo da desmobilização sazonal da atividade canavieira — um alerta sobre a fragilidade estrutural do emprego em certas economias regionais.
  • Analistas projetam 1 milhão de empregos formais até dezembro, mas a projeção depende de que as pressões econômicas não interrompam o ritmo atual.

Em março de 2022, o Brasil gerou 136.189 empregos com carteira assinada — número positivo, mas inferior aos 153 mil criados no mesmo mês do ano anterior. Foi o terceiro mês consecutivo com mais contratações do que demissões, sinalizando uma recuperação gradual do mercado formal de trabalho. No acumulado do ano, o país já somava 615 mil novos postos.

O Caged registrou 1,95 milhão de contratações contra 1,82 milhão de desligamentos em março. O estoque total de empregos formais chegou a 41,2 milhões de vínculos ativos, crescimento de 0,33% em relação a fevereiro. Analistas projetam que o Brasil encerrará 2022 com 1 milhão de empregos criados, embora a inflação elevada e a incerteza econômica representem riscos concretos a esse cenário.

O setor de serviços liderou com 111.513 vagas, impulsionado por atividades de informação, finanças e administração. A construção civil ficou em segundo lugar, com 25 mil postos. Geograficamente, o Sudeste concentrou 75.804 empregos, seguido pelo Sul. O Nordeste, porém, registrou saldo negativo de quase 5 mil postos — resultado atribuído pelo Ministério da Economia à desmobilização sazonal da colheita de cana-de-açúcar.

O salário médio das novas contratações recuou para R$ 1.872,07, abaixo dos R$ 1.900 registrados em fevereiro. A queda reflete tanto o perfil das vagas abertas quanto a corrosão do poder de compra provocada pela inflação — um lembrete de que crescer no número de empregos não é o mesmo que crescer na qualidade deles.

Em março de 2022, o Brasil criou 136.189 empregos com carteira assinada. O número, embora positivo, ficou aquém do registrado no mesmo mês do ano anterior, quando foram gerados 153.431 postos. Ainda assim, o resultado mantém uma sequência: é o terceiro mês consecutivo em que as contratações superam as demissões, sinalizando uma recuperação gradual do mercado de trabalho mesmo diante de pressões econômicas crescentes.

Os números do Caged revelam o movimento bruto por trás desse saldo. Em março, as empresas realizaram 1.953.071 contratações enquanto 1.816.882 pessoas foram desligadas. O estoque total de empregos formais — a quantidade de vínculos ativos sob a CLT em todo o país — fechou o mês em 41,2 milhões de trabalhadores, uma expansão de 0,33% em relação a fevereiro. No acumulado do ano até então, o Brasil havia gerado 615.173 postos de trabalho, com 5.820.897 contratações contra 5.205.724 desligamentos.

Embora a inflação galopante e a incerteza econômica pesem sobre o horizonte, o mercado mantém uma expectativa otimista. Analistas projetam que o país chegará ao final de 2022 com a criação de 1 milhão de empregos formais. Essa projeção depende, porém, de que a dinâmica atual se sustente nos meses seguintes.

O setor de serviços foi o grande destaque de março, gerando 111.513 empregos. Dentro dessa categoria, atividades ligadas a informação, comunicação, imobiliário, finanças e administração puxaram o crescimento. A construção civil apareceu em segundo lugar, com 25.059 postos criados. Quatro dos cinco grandes grupos de atividades econômicas registraram saldos positivos no período.

Geograficamente, a Região Sudeste liderou com folga, gerando 75.804 empregos, seguida pela Região Sul com 33.601 vagas. Nordeste, porém, registrou um saldo negativo de 4.963 postos, com mais desligamentos que contratações. O Ministério da Economia atribuiu esse resultado à desmobilização sazonal da atividade canavieira. Entre os estados, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul foram os maiores geradores de vagas, enquanto Sergipe, Pernambuco e Alagoas ficaram no lado negativo.

O salário médio das novas contratações em março foi de R$ 1.872,07, uma queda em relação a fevereiro, quando havia ultrapassado R$ 1.900,00. Esse recuo reflete tanto a composição setorial das vagas quanto a pressão inflacionária sobre os rendimentos reais dos trabalhadores.

Mercado espera que o país venha a gerar 1 milhão de empregos até o final do ano
— Expectativa do mercado
Resultados negativos para a Região Nordeste se devem à desmobilização pela atividade de cana-de-açúcar
— Ministério da Economia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que março ficou abaixo de 2021 se o mercado está em recuperação?

Model

Porque 2021 ainda tinha efeitos da reabertura pós-lockdown. Agora estamos em um patamar mais normalizado, mas enfrentando inflação e juros mais altos, que desaceleram a contratação.

Inventor

O que significa esse terceiro mês consecutivo com saldo positivo?

Model

Significa que a dinâmica mudou. Não é mais um mês aqui, outro ali. É uma tendência. As empresas estão confiantes o suficiente para contratar, mesmo com incerteza.

Inventor

Por que o Nordeste está perdendo empregos enquanto o Sudeste cresce?

Model

A cana-de-açúcar tem ciclos. Março é época de desmobilização no Nordeste. Mas também reflete que o Sudeste, especialmente São Paulo, concentra os setores que estão crescendo agora: serviços, finanças, tecnologia.

Inventor

Esse salário médio caindo é preocupante?

Model

É um sinal de que as vagas sendo criadas não são as melhor remuneradas. Pode ser construção, varejo, serviços básicos. A inflação corrói o poder de compra, então mesmo ganhando mais gente, ganha menos em termos reais.

Inventor

A projeção de 1 milhão de empregos até o final do ano é realista?

Model

Depende. Se a inflação não descontrolar e os juros não subirem demais, sim. Mas qualquer choque econômico muda o jogo rapidamente.

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