Em meio à rivalidade crescente entre Washington e Pequim, o Brasil ocupa uma posição de rara potencialidade — com recursos naturais, peso comercial e relações com ambos os polos — mas navega esse espaço sem bússola. O que deveria ser uma vantagem estratégica transforma-se em vulnerabilidade quando as decisões de política externa são ditadas pelo calendário eleitoral e não por uma visão duradoura de interesse nacional. A ausência de uma grande estratégia não é apenas uma lacuna técnica; é um espelho da dificuldade de qualquer sociedade em construir consensos que sobrevivam às alternâncias de po