Brasil cai no ranking de competitividade; falta de qualificação e burocracia são gargalos

Os outros estão nos ultrapassando e nós estamos ficando para trás
Análise de por que o Brasil caiu no ranking: não é deterioração absoluta, mas avanço mais rápido de outras nações.

O Brasil ocupa agora a 65ª posição entre 70 países num ranking global de competitividade — não porque tenha piorado em termos absolutos, mas porque o mundo ao redor acelerou e o país ficou parado. É o retrato de uma nação que carrega criatividade e potencial, mas que ainda não encontrou a disciplina coletiva para transformá-los em progresso duradouro. A distância entre onde o Brasil está e onde poderia estar não é apenas econômica: é uma questão de escolhas políticas, educacionais e culturais que se acumulam ao longo de gerações.

  • O Brasil caiu sete posições no ranking do IMD, chegando ao 65º lugar entre 70 países — um sinal de alerta sobre a capacidade do país de competir, atrair investimentos e gerar empregos.
  • O problema não é isolado: burocracia excessiva, informalidade no mercado de trabalho, logística precária e carga tributária elevada formam um conjunto de obstáculos que sufocam o ambiente de negócios.
  • Na raiz de tudo está a educação: trabalhadores chegam ao mercado com deficiências básicas em matemática e linguagem, o que torna ainda mais difícil absorver tecnologias como inteligência artificial.
  • Enquanto Singapura e Suíça planejam o futuro há décadas com visão estratégica, o Brasil ainda opera no modo remendo — corrigindo o presente sem uma bússola clara para o longo prazo.
  • Com eleições no horizonte, especialistas defendem que a sociedade e o setor empresarial pressionem por uma agenda concreta de formação profissional e desburocratização como condição para reverter o atraso.

O Brasil desceu sete posições em um ranking global de competitividade e agora ocupa o 65º lugar entre 70 países avaliados — um termômetro que mede a capacidade do país de atrair capital, gerar negócios e criar empregos. Carlos Honorato, professor da FIA Business School, explica que o recuo não reflete uma piora absoluta do Brasil, mas sim o avanço mais rápido de outros países. O resultado é o mesmo: o país fica para trás.

Os gargalos são sistêmicos. Na educação, trabalhadores chegam ao mercado com deficiências básicas em matemática, português e linguagem — uma lacuna que começa no ensino fundamental e compromete diretamente a produtividade, especialmente num momento em que a economia exige domínio de novas tecnologias. No ambiente de negócios, leis complexas e processos burocráticos transformam operações simples em maratonas administrativas. A informalidade do mercado de trabalho, a logística deficiente e a carga tributária elevada completam o quadro.

Os países no topo do ranking — Singapura, Suíça, Taiwan — compartilham uma característica que o Brasil ainda não desenvolveu: visão estratégica de longo prazo. Singapura começou a se preparar para o futuro há mais de quatro décadas. No Brasil, o que predomina são remendos — correções pontuais sem uma direção clara.

Honorato aponta dois caminhos complementares para reverter o atraso. O primeiro é político: num ano eleitoral, eleitores e empresas precisam cobrar dos candidatos uma prioridade real na formação das pessoas. O segundo é empresarial: as companhias têm papel ativo no treinamento de seus trabalhadores e na criação de ambientes que estimulem inovação. O Brasil tem criatividade, reconhece o especialista — o que lhe falta é método. A questão é se haverá vontade, tanto no setor público quanto no privado, para transformar esse potencial em competitividade real.

O Brasil desceu sete degraus em um ranking global que mede a capacidade competitiva das nações. Agora ocupa a 65ª posição entre 70 países avaliados — um resultado que funciona como um termômetro da saúde econômica do país e sua aptidão para atrair capital, gerar negócios e criar empregos.

Carlos Honorato, professor da FIA Business School, vê os problemas espalhados por toda parte. Em conversa com a CNN, ele descreveu um cenário onde os gargalos não aparecem isolados em um setor ou outro, mas permeiam o sistema. A questão central, segundo ele, não é uma deterioração absoluta do Brasil — é que outros países estão avançando mais rápido. Enquanto isso, o país fica para trás.

Um dos obstáculos mais profundos está na educação. Honorato aponta que as pessoas chegam ao mercado de trabalho com deficiências básicas em matemática, português e linguagem. Isso não é apenas um problema de qualificação profissional específica; é uma lacuna que vem desde o ensino fundamental e se arrasta pela formação técnica. Quando a economia exige que os trabalhadores entendam e utilizem novas tecnologias — especialmente inteligência artificial — essa falta de base sólida se torna um freio direto na produtividade.

Além da educação, a burocracia sufoca o ambiente de negócios. O Brasil carrega um peso legislativo pesado: leis complexas, processos intrincados, entraves que tornam simples operações comerciais em maratonas administrativas. Isso cria um cenário onde fazer negócio é difícil, onde inovar exige não apenas criatividade, mas também paciência para navegar sistemas que não foram desenhados para agilidade. A informalidade do mercado de trabalho agrava tudo isso — mesmo em setores de ponta, é difícil incorporar mão de obra qualificada quando grande parte da economia funciona fora dos registros formais. Logística deficiente e uma carga tributária pesada completam o quadro de obstáculos.

Os países no topo do ranking — Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos — compartilham algo que o Brasil não tem: visão estratégica de longo prazo. Singapura começou a se preparar para o futuro há 40, 50 anos, com planejamento estruturado e contínuo. Suíça e Taiwan apostam em processos sólidos e na formação de pessoas altamente qualificadas. Eles sabem aonde querem chegar e constroem o caminho. No Brasil, segundo Honorato, o que se vê é remendo — tentativas de corrigir o dia a dia sem uma bússola clara para o futuro.

Quanto ao que pode ser feito agora, Honorato defende pressão política. Em um ano de eleições, eleitores, empresas e sociedade precisam cobrar dos candidatos ao Congresso e ao executivo em todas as instâncias uma prioridade clara: a formação das pessoas. Não é apenas responsabilidade do governo. As empresas também têm papel ativo — precisam treinar seus trabalhadores, criar ambientes que estimulem inovação e produtividade. O Brasil tem criatividade e iniciativa, reconhece Honorato, mas lhe falta método e profundidade. Se o setor privado e o público se esforçarem para colocar isso em funcionamento, há chance de recuperar parte do atraso. A questão é se há vontade política e empresarial para fazer isso acontecer.

Os gargalos estão em todas as partes. É difícil a gente não identificar um gargalo
— Carlos Honorato, FIA Business School
Se a gente no nosso ambiente, seja privado, seja público, nos esforçarmos para colocar isso para funcionar, por certo conseguimos recuperar um pouco esse atraso
— Carlos Honorato
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o Brasil não apenas piorou, mas caiu no ranking? Não seria sinal de que o país está pior?

Model

Não exatamente. O Brasil pode estar estável ou até melhorando em termos absolutos, mas outros países estão avançando muito mais rápido. É como estar em uma corrida onde você mantém o ritmo, mas todos à sua frente aceleram.

Inventor

E qual é o problema raiz? Educação, burocracia, ou os dois?

Model

Os dois, mas conectados. A burocracia sufoca quem quer fazer negócio. A educação deficiente significa que mesmo quando alguém consegue abrir uma empresa, a mão de obra não tem as bases para trabalhar com tecnologias novas. É um círculo.

Inventor

Singapura planejou 40, 50 anos para o futuro. O Brasil consegue fazer isso?

Model

Tecnicamente sim. Mas exige algo que o Brasil não tem mostrado: continuidade de visão através de mudanças de governo. Singapura tem liderança que pensa em décadas. Aqui, cada eleição traz uma nova direção.

Inventor

Então a solução é só política?

Model

Não. As empresas também precisam agir. Treinar seus próprios trabalhadores, criar ambientes de inovação. O governo cria as condições, mas o setor privado executa.

Inventor

E a informalidade? Como isso piora as coisas?

Model

Quando a maioria dos trabalhadores está na informalidade, é impossível incorporar qualificação em larga escala. Você não consegue treinar quem não está registrado, não consegue medir produtividade, não consegue escalar inovação.

Inventor

Qual é a chance real de o Brasil recuperar posições nos próximos anos?

Model

Depende se há vontade política e empresarial. O Brasil tem criatividade e iniciativa. O que falta é método e profundidade. Se isso mudar, há chance. Se não, o atraso só aumenta.

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