O banco havia garantido essas ações através de alienação fiduciária
No cruzamento entre dívida e infraestrutura, o Bradesco BBI apresentou uma nova oferta para adquirir a fatia de 14,86% que o grupo Mover detém na Motiva — empresa que opera rodovias, metrôs e aeroportos em São Paulo. A transação, avaliada em cerca de R$ 4,4 bilhões pelo mercado, é um capítulo do plano de recuperação judicial da Mover, cujo destino financeiro está entrelaçado com o cotidiano de milhões de paulistanos. Mais do que uma negociação bancária, este movimento representa a tentativa de transformar crise em equilíbrio — e ativos públicos em moeda de recomeço.
- O Bradesco BBI voltou à mesa com uma nova proposta para comprar a participação integral da Mover na Motiva, sinalizando que a negociação ainda não chegou ao fim.
- A urgência é real: a dívida de R$ 3,2 bilhões com o banco está garantida pelas próprias ações da Motiva, mantidas em alienação fiduciária — o que coloca a Mover em posição de pouca margem de manobra.
- O valor exato da oferta permanece em sigilo, e a Mover optou pelo silêncio diante dos pedidos de comentário, deixando o mercado sem clareza sobre os termos do acordo.
- Pelo plano de recuperação judicial já aprovado, a Mover teria direito a receber cerca de R$ 500 milhões de volta após a venda — uma proteção que reconhece que o valor das ações supera o tamanho da dívida.
- A Motiva, que controla rodovias como Autoban e Rodoanel, além de linhas de metrô e aeroportos em São Paulo, é um ativo estratégico cuja transferência de participação reverbera bem além dos balanços financeiros.
O Bradesco BBI apresentou uma nova proposta para adquirir a participação que o grupo Mover detém na Motiva, a antiga CCR. A fatia de 14,86% vale cerca de R$ 4,4 bilhões com base no valor de mercado atual da empresa, de R$ 29,4 bilhões — mas os números isolados não revelam a complexidade do que está em jogo.
A transação é parte do plano de recuperação judicial da Mover, aprovado no ano anterior. A empresa contraiu uma dívida de R$ 3,2 bilhões com o Bradesco, que havia garantido o crédito por meio de alienação fiduciária sobre as ações da Motiva. A venda dessa participação é um dos pilares do acordo para que a Mover saia da crise. Pelo plano aprovado, a empresa teria direito de receber aproximadamente R$ 500 milhões de volta após a transação — uma salvaguarda que reconhece que o valor das ações supera o montante da dívida.
Os termos exatos da nova oferta permanecem em sigilo. A Mover não comentou a proposta, deixando em aberto quando e como a negociação será concluída.
A Motiva não é um ativo qualquer: opera as rodovias Autoban, RioSP, Rodoanel e SP Vias, além das linhas 5, 8 e 9 do metrô metropolitano, da Linha Amarela e de aeroportos e ferrovias. É uma empresa que toca o cotidiano de milhões de pessoas — o que torna essa disputa financeira algo com peso muito além dos balanços.
O Bradesco BBI apresentou uma nova proposta para adquirir a participação integral que o grupo Mover mantém na Motiva, a antiga CCR. A fatia em questão representa 14,86% da empresa, que hoje possui valor de mercado de R$ 29,4 bilhões — o que colocaria a participação em torno de R$ 4,4 bilhões.
Mas os números de mercado não contam a história completa. Esta transação é parte de um acordo maior, nascido do plano de recuperação judicial do grupo Mover que foi aprovado no ano anterior. Naquele momento, a empresa se viu obrigada a vender suas ações na Motiva para quitar uma dívida de R$ 3,2 bilhões contraída com o Bradesco. O banco havia garantido essas ações através de alienação fiduciária — um mecanismo que lhe dava direito sobre elas até que a dívida fosse saldada.
O valor exato que o Bradesco está oferecendo agora permanece em sigilo. A Mover não divulgou os termos da nova proposta. Porém, conforme estabelecido no plano de recuperação judicial, a empresa teria direito de receber aproximadamente R$ 500 milhões de volta após a venda dessa participação — uma salvaguarda que reconhecia que o valor das ações poderia superar o montante da dívida.
A Motiva não é uma empresa qualquer no mercado brasileiro. Ela opera uma malha crítica de infraestrutura de transportes, especialmente concentrada em São Paulo. Sob seu controle estão as rodovias Autoban, RioSP, Rodoanel e SP Vias. A empresa também gerencia as linhas 5, 8 e 9 do metrô metropolitano, além da Linha Amarela do metrô paulista. Há também operações em aeroportos e transporte ferroviário. Trata-se, portanto, de um ativo que toca a vida cotidiana de milhões de pessoas.
O movimento do Bradesco em fazer essa nova oferta marca um passo importante na resolução da crise financeira que envolveu o grupo Mover. A empresa havia enfrentado dificuldades que a levaram à recuperação judicial, e a venda dessa participação representa um dos pilares do plano para sair dessa situação. Quando procurada para comentar os detalhes da proposta, a Mover optou pelo silêncio, deixando em aberto quando e como essa negociação será finalizada.
Citas Notables
A transação é parte do acordo feito no plano de recuperação judicial da Mover, que previa a venda de suas ações na Motiva para pagar a dívida— Informações do plano de recuperação judicial
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o Bradesco está fazendo uma nova proposta agora, se o plano de recuperação já estava aprovado?
Porque o valor de mercado da Motiva pode ter mudado desde que o plano foi aprovado. Uma nova proposta pode refletir essas flutuações ou ajustes nas condições da negociação.
E se o Bradesco pagar menos do que R$ 4,4 bilhões?
Ainda assim, a Mover receberia seus R$ 500 milhões garantidos. O banco está essencialmente liquidando uma dívida através dessa transação, não fazendo um investimento tradicional.
Por que a Mover não comentou sobre os valores?
Provavelmente porque as negociações ainda estão em andamento. Divulgar números poderia complicar as discussões ou sinalizar fraqueza.
Qual é o risco real aqui para o Bradesco?
Não há muito risco. O banco já tinha as ações em garantia. Essa proposta é apenas a formalização de um direito que ele já possuía.
E para a Motiva como operadora?
Nenhum. A Motiva continua operando suas concessões independentemente de quem seja acionista. O que muda é apenas quem controla essa participação.