Bolsas europeias caem com novas tarifas comerciais dos EUA

Tarifas acima de 30% para países sem acordo comercial
Trump reajustou impostos para Suíça, Sérvia e Mianmar, intensificando a guerra comercial.

Num mundo onde as decisões de um só líder reverberam instantaneamente pelos mercados globais, as bolsas europeias abriram esta sexta-feira em território negativo após Donald Trump assinar novas ordens executivas que redesenham o mapa tarifário internacional. O EuroStoxx 600 recuou quase 1%, arrastando consigo praças de Paris a Milão, de Tóquio a Hong Kong, num reflexo coletivo da ansiedade que acompanha a incerteza comercial. A aplicação das medidas foi adiada para 7 de agosto, mas os mercados, como sempre, anteciparam o impacto antes que a tinta secasse.

  • Trump assinou duas ordens executivas que elevam tarifas acima de 30% para países sem acordo comercial, como Suíça, Sérvia e Mianmar, reacendendo os temores de uma guerra comercial global.
  • As bolsas europeias abriram em queda generalizada, com Paris a liderar as perdas com -1,55%, seguida de Frankfurt e Milão, enquanto Lisboa recuou 0,92% para mínimos de semanas.
  • A turbulência não ficou confinada à Europa: Nikkei, Xangai e Hong Kong também caíram, e os futuros de Wall Street prolongaram o encerramento negativo de quinta-feira.
  • Matérias-primas como o petróleo e o ouro cederam terreno, e a bitcoin perdeu 1,28%, sinalizando uma fuga generalizada ao risco em múltiplas classes de ativos.
  • Os investidores aguardam dados cruciais — IPC na zona euro, emprego nos EUA e PMI no Reino Unido — que poderão determinar se o pessimismo se aprofunda ou encontra alívio.

As bolsas europeias abriram em queda nesta sexta-feira, com o EuroStoxx 600 a recuar 0,99% para 540,68 pontos, depois de Donald Trump ter assinado duas ordens executivas que redefinem as tarifas comerciais globais. Paris liderou as perdas com -1,55%, seguida de Frankfurt com -1,48% e Milão com -1,13%. Em Lisboa, o PSI cedeu 0,92%, afastando-se do máximo recente alcançado em julho.

O gatilho foi a publicação das ordens executivas antes do prazo que o próprio Trump havia estabelecido para negociações. Uma delas visa especificamente o Canadá; a outra abrange o resto do mundo. Países sem acordo comercial estabelecido, como Suíça, Sérvia e Mianmar, passam a enfrentar tarifas superiores a 30%. Apesar de a aplicação ter sido adiada para 7 de agosto, os mercados reagiram de imediato.

A onda negativa estendeu-se além da Europa. O Nikkei caiu cerca de 0,6% em Tóquio, Xangai perdeu 0,37% e Hong Kong recuou 0,80%. Nos EUA, os futuros de Wall Street continuaram a descer após o Dow Jones ter encerrado quinta-feira com uma queda de 0,72%. O petróleo Brent desceu para 71,66 dólares, o ouro recuou para 3.290,52 dólares por onça e a bitcoin perdeu 1,28%, refletindo uma aversão generalizada ao risco.

Num sinal de maior cautela, os juros da obrigação alemã a dez anos subiram para 2,728%. O euro, porém, avançou para 1,1428 dólares, aproximando-se de máximos desde 2021. Os investidores aguardam agora indicadores económicos determinantes — o IPC na zona euro, o relatório de emprego de julho nos EUA e o PMI industrial no Reino Unido — que poderão clarificar o rumo da economia global num momento de crescente tensão comercial.

As principais bolsas europeias abriram em queda nesta sexta-feira, refletindo a incerteza gerada pelas novas tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump. O índice EuroStoxx 600, que agrupa as 600 maiores empresas do continente, recuou 0,99% para 540,68 pontos pouco depois das 09h00 em Lisboa. As praças financeiras individuais sofreram impactos variados: Paris caiu 1,55%, Frankfurt 1,48%, Milão 1,13%, enquanto Londres e Madrid registaram quedas mais modestas de 0,61%. Em Lisboa, o PSI acompanhou a tendência negativa, recuando 0,92% para 7.640,89 pontos, afastando-se do máximo recente de 7.791,75 pontos alcançado a 9 de julho.

O gatilho para esta reação foi a publicação de duas ordens executivas que redefinem o panorama tarifário global. Trump tinha estabelecido um prazo para negociar com parceiros comerciais, mas optou por avançar com as medidas antes desse limite. Uma das ordens visa especificamente o Canadá, enquanto a outra abrange o resto do mundo. Embora muitos países tenham beneficiado de reduções tarifárias em relação ao que havia sido anunciado em 2 de abril, quando começou a guerra comercial, o reajustamento elevou impostos para mais de 30% em nações sem acordo comercial estabelecido, como Suíça, Sérvia e Mianmar. A aplicação destas tarifas foi adiada para 7 de agosto, o que não impediu o mercado de reagir antecipadamente.

A queda não se limitou à Europa. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu cerca de 0,6%, enquanto Xangai perdeu 0,37% e Hong Kong recuou 0,80%. Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street continuaram a descer após o encerramento negativo de quinta-feira. O Dow Jones terminou com uma queda de 0,72% para 44.130,98 pontos, distante do máximo histórico de 45.014,04 pontos registado em 4 de dezembro de 2024. O Nasdaq, índice das tecnológicas, recuou 0,03% para 21.122,45 pontos, também afastado do seu pico de 21.178,58 pontos de 18 de julho.

Os preços das matérias-primas também sentiram pressão. O petróleo Brent, referência europeia para entrega em outubro, recuou para 71,66 dólares, contra 72,47 dólares no dia anterior. O West Texas Intermediate, referência norte-americana, baixou para 69,16 dólares. O ouro, ativo de refúgio tradicionalmente procurado em períodos de incerteza, desvalorizou-se para 3.290,52 dólares por onça troy, ainda assim distante do máximo histórico de 3.432,34 dólares de 13 de junho. A bitcoin também sofreu, caindo 1,28% para 115.033 dólares, longe do seu pico de 120.280,72 dólares de 14 de julho.

Nos mercados de câmbio e obrigações, o quadro foi misto. O euro avançou para 1,1428 dólares, aproximando-se do novo máximo desde setembro de 2021 de 1,1789 dólares registado em 2 de julho. Os juros da obrigação alemã a 10 anos subiram para 2,728%, contra 2,693% no dia anterior, sinalizando maior aversão ao risco. Os investidores aguardam agora dados económicos cruciais que poderão influenciar o sentimento do mercado: o índice de preços ao consumidor na zona euro, o relatório oficial de emprego de julho nos Estados Unidos e o PMI da indústria transformadora no Reino Unido. Estes números poderão fornecer pistas sobre a saúde económica global num momento em que as tensões comerciais aumentam a incerteza.

Trump publicou duas ordens executivas que definem o cenário global das tarifas, pouco antes do prazo que ele mesmo estabeleceu para negociar os impostos com os seus parceiros comerciais
— Contexto das medidas anunciadas
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que é que os mercados reagiram tão negativamente se as tarifas só entram em vigor daqui a uma semana?

Model

Os mercados não esperam pelas datas oficiais. Quando Trump anunciou estas medidas, os investidores começaram imediatamente a calcular o impacto nas cadeias de abastecimento, nos lucros das empresas e no crescimento económico global. A incerteza é tão prejudicial quanto a notícia em si.

Inventor

Mas o texto diz que alguns países beneficiaram de reduções tarifárias. Isso não deveria ter apoiado os preços?

Model

Verdade, mas o mercado focou-se no que piorou. Países como Suíça, Sérvia e Mianmar viram tarifas acima de 30%, e isso foi suficiente para criar um sentimento negativo generalizado. Além disso, a incerteza sobre quem mais será afetado mantém os investidores cautelosos.

Inventor

Porque é que o ouro não subiu mais, sendo um ativo de refúgio?

Model

O ouro desceu ligeiramente, o que é surpreendente. Pode dever-se ao facto de o mercado estar ainda a processar a notícia. Também há a questão dos juros alemães a subirem, o que torna o ouro menos atrativo comparativamente. Mas é verdade que não vimos o pânico típico que levaria o ouro a disparar.

Inventor

E a bitcoin? Também caiu.

Model

A bitcoin tem comportado-se mais como um ativo de risco do que como refúgio. Quando há incerteza sobre tarifas e crescimento económico, os investidores vendem ativos mais especulativos. A queda de 1,28% reflete isso.

Inventor

O que é que os investidores estão realmente à espera agora?

Model

Os dados de emprego nos EUA e o IPC na zona euro. Se a economia estiver a abrandar, as tarifas podem ser ainda mais prejudiciais. Se estiver forte, talvez os mercados consigam absorver melhor o choque tarifário. Tudo depende desses números.

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