Bolsas dos EUA sobem com techs, mas enfrentam 1ª sequência de 4 quedas semanais em mais de um ano

A tendência continua de baixa e não há muito o que apostar em uma recuperação
Avaliação de gestor sobre o mercado apesar da alta do dia, refletindo ceticismo sobre a sustentabilidade dos ganhos.

Na última sexta-feira de setembro, os mercados americanos encerraram o pregão em alta impulsionados pelas gigantes da tecnologia, mas esse alívio pontual não apagou uma verdade mais sombria: pela quarta semana consecutiva, o Dow Jones e o S&P 500 recuaram, completando a pior sequência desde agosto de 2019. O momento revela um mercado dividido entre a resiliência das megacaps digitais e a fragilidade do restante da economia, pressionada por uma pandemia em expansão na Europa, turbulências políticas em Washington e projeções de crescimento revisadas para baixo.

  • O Goldman Sachs cortou pela metade sua projeção de crescimento do PIB americano no quarto trimestre — de 6% para 3% —, sinalizando que a recuperação econômica está perdendo fôlego mais rápido do que se esperava.
  • A morte da juíza Ruth Bader Ginsburg acirrou o ambiente político em Washington, reduzindo as chances de um acordo bipartidário sobre um novo pacote de estímulo antes das eleições presidenciais.
  • Democratas propõem um pacote de US$ 2,4 trilhões com benefícios ampliados ao desemprego e socorro às companhias aéreas, mas republicanos resistem ao valor, mantendo o impasse no Congresso.
  • Analistas alertam que a estabilização recente das bolsas não reflete força real: a tendência de fundo permanece baixista, e a fraqueza já se espalhou das ações de tecnologia para os índices mais amplos.
  • Apesar do rali de sexta-feira — Nasdaq +2,26%, S&P 500 +1,60%, Dow Jones +1,34% —, o mercado encerra a semana no vermelho, com quatro semanas seguidas de perdas acumuladas.

Na sexta-feira, 25 de setembro, as bolsas americanas fecharam em alta, puxadas pelas grandes empresas de tecnologia. Apple, Amazon, Microsoft, Facebook e Netflix avançaram entre 2% e 3,75%, levando o Nasdaq a subir 2,26%. O S&P 500 e o Dow Jones também fecharam no positivo, com altas de 1,60% e 1,34%, respectivamente. O setor de tecnologia dentro do S&P 500 registrou seu melhor desempenho diário desde o início do mês.

Mas o alívio de um único pregão não foi suficiente para reverter um quadro mais preocupante. Dow Jones e S&P 500 completaram a primeira sequência de quatro semanas consecutivas de queda desde agosto de 2019. O Nasdaq foi a única exceção, com leve ganho semanal. Para os analistas, o padrão era claro: enquanto as megacaps de tecnologia ainda atraíam capital, o mercado mais amplo dava sinais de enfraquecimento real. Mark Newton, da Newton Advisors, resumiu o sentimento: a tendência continuava de baixa, sem sinais concretos de recuperação.

Diversos fatores pesavam simultaneamente sobre o humor dos investidores. O avanço do coronavírus na Europa ameaçava a recuperação econômica global. A morte da juíza Ruth Bader Ginsburg aprofundou as incertezas políticas em Washington e reduziu as expectativas de um acordo sobre estímulos antes das eleições. O Goldman Sachs, por sua vez, cortou sua projeção de crescimento do PIB americano no quarto trimestre de 6% para 3%, um sinal de alerta sobre a velocidade da retomada.

Nos bastidores do Congresso, os democratas preparavam um pacote de ajuda de US$ 2,4 trilhões, com benefícios ampliados ao desemprego e socorro às companhias aéreas. O problema era o tamanho da proposta: os republicanos resistiam ao valor, e a possibilidade de um acordo antes das eleições permanecia incerta.

Na sexta-feira, 25 de setembro, os mercados americanos terminaram o dia em terreno positivo, com as ações de tecnologia puxando os índices para cima. A Apple ganhou 3,75%, enquanto Amazon subiu 2,49%, e Facebook, Netflix e Microsoft avançaram 2,12%, 2,07% e 2,28%, respectivamente. O Nasdaq, índice que concentra essas empresas, fechou com ganho de 2,26%, aos 10.913 pontos. O S&P 500 subiu 1,60% para 3.298 pontos, e o Dow Jones avançou 1,34% para 27.174 pontos. O setor de tecnologia dentro do S&P 500 registrou alta de 2,40%, seu melhor dia desde 9 de setembro, quando havia subido 3,4%.

Mas a força do pregão não foi suficiente para reverter uma tendência mais ampla e preocupante. Ao longo da semana, o Dow Jones caiu 1,75% e o S&P 500 perdeu 0,63%, completando a primeira sequência de quatro semanas consecutivas de queda desde agosto de 2019. O Nasdaq foi a exceção, com ganho de 1,11% na semana. Esse padrão revelava uma realidade incômoda: enquanto as megacaps de tecnologia ainda conseguiam atrair capital, o mercado mais amplo estava enfraquecendo.

Os analistas não viam motivos para otimismo. Mark Newton, gestor da Newton Advisors, observou que a liquidação de ações havia se estabilizado nos últimos dias, mas sem sinais reais de força subjacente. "A tendência continua de baixa e não há muito o que apostar em uma recuperação", afirmou. A equipe de MRB Partners foi mais direta: as ações de alta tecnologia estavam em correção total, e a fraqueza havia se espalhado para índices mais amplos, com "um cheiro distinto de risco no ar".

Vários fatores pressionavam o sentimento do mercado simultaneamente. O aumento de casos de coronavírus na Europa pesava nas expectativas de recuperação econômica global. A morte da juíza Ruth Bader Ginsburg da Suprema Corte havia acirrado incertezas políticas, levando analistas a reduzirem as chances de aprovação de um novo pacote de ajuda no Congresso antes das eleições presidenciais. E no dia anterior, o Goldman Sachs havia cortado sua projeção para o crescimento do PIB americano no quarto trimestre de 6% para 3% em base anualizada — uma redução significativa que sinalizava preocupações com a velocidade da recuperação.

Havia, porém, movimentação nos bastidores do Congresso. Segundo a CNBC, os democratas na Câmara estavam preparando um pacote de ajuda de 2,4 trilhões de dólares que poderiam votar na semana seguinte. A proposta incluiria maiores benefícios aos desempregados e ajuda às companhias aéreas. O problema era que o valor permanecia bem acima do que os líderes republicanos haviam indicado estar dispostos a gastar, deixando em aberto se algum acordo seria possível antes das eleições.

A liquidação se estabilizou um pouco nos últimos dias, mas ainda não há sinais reais de força. A tendência continua de baixa e não há muito o que apostar em uma recuperação.
— Mark Newton, gestor da Newton Advisors
As ações de alta tecnologia estão em uma correção total, e a fraqueza se espalhou recentemente para índices mais amplos, com um cheiro distinto de risco no ar.
— Equipe de analistas de MRB Partners
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que as ações de tecnologia subiram tanto naquele dia se o mercado mais amplo estava caindo?

Model

As megacaps de tecnologia têm uma dinâmica própria — elas atraem capital em busca de crescimento quando tudo mais parece incerto. Mas isso cria uma ilusão. Um dia forte em Apple e Amazon não significa que o mercado está saudável.

Inventor

E essa sequência de quatro semanas de queda — por que isso importa?

Model

Porque quebra um padrão que durava mais de um ano. Quando você vê o Dow Jones e o S&P 500 caindo por quatro semanas seguidas, significa que o otimismo que sustentava a recuperação está rachando. Não é só volatilidade normal.

Inventor

O Goldman Sachs cortou a projeção de PIB pela metade. Isso foi o gatilho?

Model

Foi um dos sinais. Mas havia vários acontecendo ao mesmo tempo — coronavírus na Europa, a morte da juíza Ginsburg, incerteza sobre o pacote de ajuda. Nenhum sozinho seria catastrófico, mas juntos criavam uma sensação de que ninguém sabia o que vinha a seguir.

Inventor

Os democratas queriam gastar 2,4 trilhões. Isso era realista?

Model

Não havia consenso. Os republicanos achavam o número muito alto. E com as eleições se aproximando, a política se tornou mais importante que a economia. O mercado odiava essa incerteza.

Inventor

Então aquele ganho de 2,26% do Nasdaq era apenas um respiro?

Model

Exatamente. Os analistas deixaram claro: a liquidação havia se estabilizado, mas não havia força real por trás. Era um dia bom em um contexto ruim.

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