Bola de fogo no céu do RS era satélite em reentrada atmosférica

O céu do Rio Grande do Sul ganhou um visitante inesperado
Uma faixa luminosa brilhante atravessou a atmosfera na noite de segunda-feira, deixando moradores intrigados sobre o que viam.

Na noite de 29 de junho, o céu do Rio Grande do Sul tornou-se palco de um espetáculo involuntário: os restos de um satélite chinês, lançado em 2022 e há muito esquecido em órbita, encerraram sua jornada cruzando a atmosfera em chamas sobre cidades gaúchas. O que moradores confundiram com meteoro ou míssil era, na verdade, o YAOGAN-35 03A retornando à Terra — um lembrete silencioso de que o espaço ao redor do planeta acumula, invisível, as marcas de décadas de exploração humana.

  • Uma bola de fogo cruzou o céu noturno do RS às 18h46 de segunda-feira, provocando ondas de vídeos e especulações nas redes sociais.
  • A dúvida entre meteoro, míssil ou fenômeno desconhecido gerou inquietação entre moradores de várias cidades do estado.
  • O professor Carlos Fernando Jung, do Observatório Heller & Jung, identificou o objeto como o satélite YAOGAN-35 03A, código NORAD 53316, lançado pela China em julho de 2022.
  • O satélite percorreu uma trajetória Sudoeste-Sul, sobrevoando o Uruguai e Santa Vitória do Palmar antes de se desintegrar provavelmente sobre o oceano Atlântico.
  • Sem risco real para a população, o episódio encerrou-se em espetáculo — mas deixou exposta a crescente presença de lixo espacial em órbita terrestre.

Na noite de segunda-feira, 29 de junho, uma faixa luminosa brilhante atravessou o céu do Rio Grande do Sul, capturada em vídeos por moradores de várias cidades. A cena — uma espécie de bola de fogo deslizando pelo firmamento — rapidamente tomou as redes sociais, acompanhada de perguntas: seria um meteoro? Um míssil? A dúvida ficou no ar por pouco tempo.

Carlos Fernando Jung, professor da FACCAT e diretor do Observatório Heller & Jung, identificou o fenômeno: tratava-se do satélite YAOGAN-35 03A, código NORAD 53316, lançado pela China em 29 de julho de 2022 a partir do Xichang Space Center. Quatro anos após seu lançamento, o objeto iniciava sua reentrada atmosférica final.

Segundo Jung, o satélite seguiu uma rota do Sudoeste para o Sul, passando sobre o Uruguai e o município de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul gaúcho, antes de se desintegrar provavelmente sobre as águas do Atlântico — longe de qualquer área habitada. O evento ocorreu às 18h46 e não representou risco significativo para a população.

Mais do que um espetáculo passageiro, o episódio funcionou como um lembrete concreto: a órbita terrestre está cada vez mais repleta de satélites desativados e fragmentos de missões antigas. Quando esses objetos perdem altitude e retornam, transformam o céu noturno em um arquivo vivo da história espacial humana.

Na noite de segunda-feira, 29 de junho, o céu do Rio Grande do Sul ganhou um visitante inesperado. Uma faixa luminosa brilhante atravessou a atmosfera acima de várias cidades do estado, deixando um rastro que não passou despercebido. Moradores pegaram seus celulares, gravaram vídeos e encheram as redes sociais com registros do fenômeno — aquela bola de fogo que cruzava o firmamento despertava curiosidade e especulação. Seria um meteoro? Um míssil? A dúvida pairava no ar.

Carlos Fernando Jung, professor da FACCAT (Faculdades Integradas de Taquara) e diretor do Observatório Heller & Jung, resolveu o mistério. O que os gaúchos viram não era um meteoro, como muitos imaginavam. Tratava-se, na verdade, de um satélite em processo de reentrada atmosférica — um pedaço de lixo espacial retornando à Terra depois de anos em órbita.

O objeto em questão era o satélite YAOGAN-35 03A, identificado pelo código NORAD 53316. Havia sido lançado em 29 de julho de 2022 do Xichang Space Center, na China. Quatro anos depois, sua trajetória final o levaria a cruzar o céu sul-rio-grandense. De acordo com Jung, o satélite seguiu uma rota que ia do Sudoeste para o Sul, passando sobre o Uruguai e sobre o município de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Rio Grande do Sul. O evento foi registrado às 18h46 daquela segunda-feira.

O que aconteceu depois? Segundo o especialista, o satélite provavelmente se desintegrou sobre as águas do oceano Atlântico, longe de qualquer população. A reentrada atmosférica, embora espetacular quando vista do solo, não representou risco significativo para os moradores que a presenciaram. O fenômeno, porém, serviu como lembrete de uma realidade cada vez mais presente: o espaço ao redor da Terra está repleto de objetos antigos, satélites desativados e fragmentos de missões passadas — tudo aquilo que os cientistas chamam de lixo espacial. Quando esses objetos perdem altitude e caem de volta para casa, criam cenas como a que os gaúchos testemunharam naquela noite.

A 'bola de fogo' era, na verdade, a reentrada na atmosfera de um satélite lançado em 29 de julho de 2022 no Xichang Space Center, na China
— Carlos Fernando Jung, diretor do Observatório Heller & Jung
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um satélite lançado há quatro anos de repente cai agora? Há algo que faz ele perder altitude?

Model

Os satélites não ficam no espaço para sempre. Mesmo em órbita, há uma fina camada de atmosfera que cria atrito. Com o tempo, esse atrito reduz a velocidade e a altitude do objeto. Eventualmente, ele cai.

Inventor

E por que brilha tanto quando volta? É o calor?

Model

Exatamente. Quando o satélite entra nas camadas mais densas da atmosfera, a fricção aquece o objeto a temperaturas extremas. Ele se desintegra, e os fragmentos incandescentes criam aquele rastro luminoso que as pessoas veem do chão.

Inventor

Então não havia perigo real para quem estava embaixo?

Model

Neste caso específico, não. O satélite passou sobre o Uruguai e sobre uma região pouco povoada do Rio Grande do Sul antes de se desintegrar sobre o oceano. Mas é verdade que nem sempre é assim. É um risco que cresce conforme mais satélites são lançados.

Inventor

Como sabem que era exatamente esse satélite e não outro?

Model

Há registros de todos os lançamentos espaciais. Os astrônomos acompanham a órbita desses objetos e conseguem prever quando vão cair. O código NORAD permite identificar cada satélite com precisão.

Inventor

E o que torna isso importante além do espetáculo visual?

Model

Mostra que o lixo espacial é real e está voltando. Quanto mais satélites lançamos, mais fragmentos deixamos para trás. Eventualmente, tudo cai. É um problema que a comunidade científica está começando a levar muito a sério.

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